Papagaio real
Para Portugal
Quem passa meu louro?
É o rei que vai à caça
Toca ferros que el-rei passa
Toca trombeta e caixa
Papagaio louro
Do bico dourado
Leva-me esta carta
Ó meu bem
Ao meu namorado
Ele não é frade
Nem homem casado
É moço solteiro
Ó meu bem
Lindo como um cravo
Papagaio do sertão
Come queijo e requeijão
Seu senhor é capitão
Dá cá um beijo, coração?
Um, como sabe!
Beijos da moça
Na boca do frade
Papagaio verde louro
Pés de prata, bico de ouro
Dá cá um beijo, meu louro?
Um, como sabe!
Beijos da moça
Na boca do frade
- Papagaio rei croado
Sabes dançar o trocado?
"Sim, senhora, dançarei
Mais galante que el-rei"
- Dança lá, meu papagaio
"Currupacos, papaco
Tire a velha do buraco"
Papagaio não come salada
Nem tão pouco cebola picada
Porque diz que lhe arde no bico
Arre lá papagaio ridico
Ai, Jesus, que eu vou morrer
Tanto trabalho tão pouco comer
Parrudo, parrudo, escou!
Pega o veado, caçador!
Carocha vendeu a saia
Por aguardente da praia
Agora minha carocha
Nem aguardente nem saia
Ó senhora, ó senhora
Do balaio
Dai um beijo no senhor
Do papagaio
Papagaio já comeu?
Papagaio não comeu
Morreu!
- Como estás, meu papagaio?
"Como cativo, senhora
Preso nesta gaiola
Em grilhões estou metido
Por amar e querer bem
Não estou arrependido"
- Coitado do papagaio!
Preso e cativo
Não tem amigos
- Ó de casaÓ de fora
- Quem é?
É o frade
Tamandaré
"Entre, meu reverendo"
- Papagaio está morrendo?
"Ai, ai, ai!"
- Que te dói
Meu papagaio?
"Tudo me dói
E nada me cura
Senão o remédio
Do padre cura"
Hein, hein
Como é bela!
Arroz doce
Com canela
Bem-feitinho
Pela mão dela
Dá-me um beijo
Minha bela
Hein, hein
Meu bem
Você se vai?
Quando vem?
"Quarta-feira
À noite aqui
Está seu bem"
- Uma banda assada
Outra de moquem
Dá-me um beijo
Meu bem?
- Ó de casa
Ó de fora
"Quem é?"
- É um frade
"Frade em casa
Nem uma hora"
- Quanto custa o papagaio?
"Quatro mil réis"
- É muito caro
"Menos, nem dez réis"
Papagaio imperial
Na croa traz o sinal
Tudo, tudo do Brasil
Nada tem de Portugal
(COSTA, Pereira da. Folclore
pernambucano; subsídios para a história da poesia popular em Pernambuco. Recife,
Arquivo Público Estadual, 1974) |