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Ano III - novembro 2000 - nº 27

Sua revista com a cara e a alma brasileira

SUMÁRIO - EDIÇÃO 27
FESTANÇA
CANCIONEIRO
IMAGINÁRIO
OFICINA
PALHOÇA
COLHER DE PAU
PANACÉIA
CATAVENTO

setaquad.gif (95 bytes)Adivinhas

setaquad.gif (95 bytes)Parlendas do papagaio

setaquad.gif (95 bytes)Jote

setaquad.gif (95 bytes)Cantiga de berço

setaquad.gif (95 bytes)Brincadeiras com corda

ALMANAQUE

 

CATAVENTO - Nesta seção, textos sobre cantigas de roda; acalantos; brincadeiras; brinquedos feitos em casa; adivinhas; trava-línguas; parlendas; lengalengas; fórmulas de escolha, mnemônicas...

PARLENDAS DO PAPAGAIO

Pereira da Costa


Ilustração de Marcos JardimPapagaio real
Para Portugal
Quem passa meu louro?
É o rei que vai à caça
Toca ferros que el-rei passa
Toca trombeta e caixa

Papagaio louro
Do bico dourado
Leva-me esta carta
Ó meu bem
Ao meu namorado


Ele não é frade
Nem homem casado
É moço solteiro
Ó meu bem
Lindo como um cravo

Papagaio do sertão
Come queijo e requeijão
Seu senhor é capitão
Dá cá um beijo, coração?
Um, como sabe!
Beijos da moça
Na boca do frade


Papagaio verde louro
Pés de prata, bico de ouro
Dá cá um beijo, meu louro?
Um, como sabe!
Beijos da moça
Na boca do frade

- Papagaio rei c’roado
Sabes dançar o trocado?
"Sim, senhora, dançarei
Mais galante que el-rei"
- Dança lá, meu papagaio
"Currupacos, papaco
Tire a velha do buraco"


Papagaio não come salada
Nem tão pouco cebola picada
Porque diz que lhe arde no bico
Arre lá papagaio ridico

Ai, Jesus, que eu vou morrer
Tanto trabalho tão pouco comer
Parrudo, parrudo, escou!
Pega o veado, caçador!


Carocha vendeu a saia
Por aguardente da praia
Agora minha carocha
Nem aguardente nem saia

Ó senhora, ó senhora
Do balaio
Dai um beijo no senhor
Do papagaio


Papagaio já comeu?
Papagaio não comeu
Morreu!

- Como estás, meu papagaio?
"Como cativo, senhora
Preso nesta gaiola
Em grilhões estou metido
Por amar e querer bem
Não estou arrependido"
- Coitado do papagaio!
Preso e cativo
Não tem amigos


- Ó de casa

Ó de fora
- Quem é?
É o frade
Tamandaré
"Entre, meu reverendo"
- Papagaio está morrendo?
"Ai, ai, ai!"
- Que te dói
Meu papagaio?
"Tudo me dói
E nada me cura
Senão o remédio
Do padre cura"

Hein, hein
Como é bela!
Arroz doce
Com canela
Bem-feitinho
Pela mão dela
Dá-me um beijo
Minha bela


Hein, hein
Meu bem
Você se vai?
Quando vem?
"Quarta-feira
À noite aqui
Está seu bem"
- Uma banda assada
Outra de moquem
Dá-me um beijo
Meu bem?

- Ó de casa
Ó de fora
"Quem é?"
- É um frade
"Frade em casa
Nem uma hora"


- Quanto custa o papagaio?
"Quatro mil réis"
- É muito caro
"Menos, nem dez réis"

Papagaio imperial
Na c’roa traz o sinal
Tudo, tudo do Brasil
Nada tem de Portugal



(COSTA, Pereira da. Folclore pernambucano; subsídios para a história da poesia popular em Pernambuco. Recife, Arquivo Público Estadual, 1974)

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