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Almanaque: Nesta seção, textos sobre variedades; frases de pára-choques de caminhões; passatempos; provérbios; curiosidades; pregões de ambulantes; causos; anedotas; folclore de botequim; latrinália; escritos em papel-moeda; anedotas; charadas...

setaquad.gif (95 bytes)Causos de assombração: A moça misteriosa; A assombração; Estórias de assombração; A noiva da meia-noite; Estava sobrando uma; O susto; O aleijado

setaquad.gif (95 bytes)História de uma cruz - Patativa do Assaré

setaquad.gif (95 bytes)Do Barão de Itararé

setaquad.gif (95 bytes)No estradão

setaquad.gif (95 bytes)Matutices

setaquad.gif (95 bytes)O Brasil Anedótico

setaquad.gif (95 bytes)Provérbios

A moça misteriosa

Numa cidade viviam três rapazes que se davam muito entre eles e que não se largavam nunca

Moravam todos juntos numa casa, assim que nem uma espécie de república de estudantes.

Eram muito farristas e mulherengos. Era só chegar sábado, já procuravam saber onde é que tinha algum baile ou festa pra irem. E não faziam conta de andar; podia ser léguas longe, davam um jeito e iam.

E tinha um dele que era o valentão do bloco; não tinha medo de nada.

Uma ocasião foram a pé num baile bem longe. Chegaram lá, a festa estava muito boa e os três amigos se divertiam muito. O baile estava cheio de moças bonitas e eles, então, faziam até apostas pra ver quem tirava uma ou outra que tinham achado mais linda.

Quando bateu meia-noite, o que tinha mais juízo, lembrando na pernada que tinham que fazer pra voltar, lembrou a todos que já era hora de irem andando. Mas quê!, os outros nem deram confiança. A festa estava que estava mesmo de arromba.

Daí bate uma hora, duas horas, três horas... Quando foi três e meia, viram mesmo que era bom irem embora.

E vieram, então, pela estrada, cantando e dando risada e falando: "você viu que "boa" que era aquela?", "você chegou a beijar aquela morena?". Assim.

Quando entraram na cidade, naquela hora com ninguém na rua e já batendo quatro horas na igreja, viram, andando na frente deles, uma moça muito bonita, de salto alto, vestido azul e cabelo bem arrumado.

Assobiaram pra ela e ela nada; continuou andando.

Daí um deles disse:

- Olhe. Vamos fazer uma aposta: eu quero ver quem é que é capaz de chegar nela e pedir pra acompanhar ela.

O que era o valentão logo respondeu:

- Mas isso nem tem dúvida que sou eu!

Os rapazes fizeram uma vaca entre eles:

- Tá aqui o dinheiro da aposta. Vamos ver agora.

E o valentão foi e os outros foram embora pra casa.

O moço então chegou pra moça e pediu pra ela se podia levar ela pra casa. Ela parou (e era bonita mesmo!) e disse, muito calma, pro moço, que não convinha ele acompanhar. Mas o tal era muito teimoso e insistiu. Ela disse: "faça então o que quiser."

Foram andando. O moço tentava beijar ela e dar uns abraços e ela não deixava. Mas chegou a pegar na mão dela e viu que estava muito gelada. Quando chegaram na porta do cemitério, a moça parou.

E o moço:

- Ué, que idéia é essa? Parar aqui! Vamos embora pra sua casa.

A moça diz que olhou bem pra ele e disse:

- Mas minha casa é aqui mesmo, moço.

Diz que deu uma bruta tremedeira nele, mas a moça só falou:

_ ... e aprenda nunca mexer com quem não conhece. O que te vale é essa medalha de São Jorge que você tem aí na palma da mão.

E aquelas feições dela, tão bonita, começou a se esfumaçar e ela ficou com cara de caveira. E depois entrou como se fosse fumaça pelos vãos do portão do cemitério e sumiu no ar.

No outro dia a turma veio toda pra dar o dinheiro pra ele que ele tinha ganho da aposta, e perguntando se ele tinha se saído bem com a moça.

O rapaz não abriu a boca. Só disse:

- Guardem esse dinheiro. Comigo já não tem mais dessas brincadeiras.

(José Maria Saes Rosa)
A assombração

Tinha um grupinho de moços que gostava muito de pregar peças um no outro.

Uma vez eles estavam bebendo numa venda perto do cemitério e um deles saiu antes dos outros, foi na casa dele, pegou um lençol, se enfiou nele e ficou na porta do cemitério, pra assustar os companheiros, quando eles passasem por lá.

Logo que os amigos iam chegando, ele garrou a dar gritos e dançar. Mas, depois ele olhou de lado, deu um berro e caiu duro no chão. Bem perto dele tinha uma assombração igualzinha a ele, também gritando e dançando. Só que não era fingida; era de verdade mesmo.

(Ouvida de uma menina, numa rodinha, talvez em 1939.)

(FERNANDES, Waldemar Iglesias. Oitenta e duas estórias populares colhidas em Piracicaba. Conselho Estadual de Cultura, São Paulo, 1971. Coleção Folclore)

Provérbios:
• Morra Marta, mas morra farta.
• Morra o luxo e viva o bucho.
• Morrendo e aprendendo.
• Morre o cavalo, a bem do urubu.
• Morre o homem, mas fica a fama.
• Morrer sem ver vovó.
• Morta a cobra, morto o veneno.
• Mortalha não tem bolso.
• Morte desejada, vida durada.
• Morto do olho aberto, outra morte na casa.
• Morto eu, morto o mundo.
• Morto o afilhado, acabou-se o compradado.
• Morto o burro, só vale o rabo.
• Morto sim; mas preso não. (Dito de cangaceiros profissionais)
• Defunto de esteira é que faz visagens (A revolta dos fracos e oprimidos amedronta os potentados)
• Defunto mole chama outro na casa. (Dito que reflete uma superstição)
• Defunto não enjeita cova.
• Defunto não fala.
• Defunto rico, defunto chorado.

ESTÓRIAS DE ASSOMBRAÇÃO

• O homem morreu. Sua casa tonou-se mal-assombrada. Ás noites ouviam-se gritos: "Eu caio, eu caio". Certo dia um homem corajoso resolveu entrar na casa e saber do acontecimentos. Ficou esperando, esperando... Muito tarde da noite, quando já havia perdido as esperanças de mostrar sua coragem, ouviu gritos: "Eu caio, eu caio". Então ele respondeu: "Pode cair". E do teto caiu um pé com a perna direita. Outra vez: eu caio, eu caio. Pode cair, tornou responder o corajoso. E assim foram caindo as partes do corpo humano. Quando caiu a cabeça, o homem falou: "Era muito rico e guardava todo dinheiro no buraco da madeira (carnaúba) que já estava velha." Deu todo o dinheiro para o corajoso que foi para sua casa gozar da fortuna inesperada. A casa se desencantou.
(Maria Duarte - Fazenda Grande - BA - 1979).

• Era no tempo das lamentações das almas. Quem acompanhava a procissão não devia voltar. Uma mulher quis retornar a casa. Havia esquecido as velas. Já estava na Quarta parada. Ninguém que ela voltasse. Mas a mulher insistiu e foi. Quando esta no meio do caminho apareceu uma coisa feia, o diabo talvez. Assustou-se e começou a gritar, mas ninguém a ouvia. Pediu socorro. De repente apareceram as figuras da mãe, do pai e da avó (já falecidos). Salvaram a moça que poderia desaparecer para sempre.
(Maria Duarte - Fazenda Grande - BA - 1979)

• Um homem "esmorecido" (medroso) estava sozinho em casa, quando alguém lá entrou com um caixão de defunto, ordenado que o homem o enterrasse. E desapareceu. O homem que morria de medo foi ao cemitério e começou a fazer o buraco. Olhou para o caixão e viu que o nariz do morto era muito largo e saía para o lado de fora. Tentou enterrar e não coube na cova. Tirou o caixão da cova e fez um buraco maior. Tentou novamente e sempre o nariz ficava para o lado de fora. Então pegou uma faca e fez o gesto de cortar o nariz. Quando começou a cortar, do nariz só saía dinheiro. Abriu o caixão e não tinha nenhum defunto, só tinha dinheiro. o homem "esmorecido" ficou muito rico e perdeu pra sempre o medo que tinha.
(Geneliza - Fazenda Grande, 1979).

(DELLA MONICA. Laura, Manual do Folclore. 2ª edicão, Edart, 1982, SP)

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