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Ano II - novembro 1999 - nº 15

Sua revista com a cara e a alma brasileira


SUMÁRIO - EDIÇÃO 15
FESTANÇA
CANCIONEIRO
IMAGINÁRIO
OFICINA

A arte das fazedeiras de redes no nordeste brasileiro.

A pesca da baleia na Bahia, no início do século XIX, descrita por L. F. de Tollenare.

Francisco de Melo Palheta e a história do café no Brasil, dois documentos históricos no Arquivo Público do Pará.

PALHOÇA
COLHER DE PAU
PANACÉIA
CATAVENTO
ALMANAQUE

 

OFICINA - Nesta seção, textos sobre profissões; ferramentas; técnicas; agricultura, pecuária; artesanato; vendedores ambulantes; pregões...


FRANCISCO DE MELO PALHETA E A HISTÓRIA DO CAFÉ NO BRASIL
Dois documentos históricos no Arquivo Público do Pará


Carta régia de 16 de fevereiro de 1734

D. João, etc. – Faço saber a vós governador e capitão-general do Maranhão que por parte de Francisco de Melo Palheta se me faz a petição (cuja cópia com esta se vos envia assinada pelo secretário do meu Conselho Ultramarino) em que pede lhe concedaalvará para descer cem casais de escravos do sertãp do rio Negro, ou outro qualquer que se lhe oferecer, como também mandar se dêem ao suplicante cinqüenta índios da aldeia de Caane, Mortigure, Simoumá, Bocus, Caricuru, Mongabeiros, Cametá, Gorjones para fazer os ditos resgates, mande-se-lhe dê tudo o necessário da fazenda dos ditos resgates, que depois pagará da mesma viagem o custo que fizer. Me pareceu ordenar-vos informeis com vosso parecer. El Rei Nosso Senhor o mandou pelo Dr, Manuel Fernandes Vargas e Gonçalo Manuel Galvão de Lacerda, conselheiros do seu Conselho Ultramarino, e se passou por duas vias. João Tavares a fez em Lisboa ocidental a dezesseis de fevereiro de mil setecentos e trinta e quatro. O secretário Manuel Caetano de Lavre a fez escrever.


Petição de Francisco de Melo Palheta
(com notas feitas por Manuel Barata em 1907)

Sr. – Diz Francisco de Melo Palheta, capitão-tenente da guarda-costa, que ele, suplicante, está atualmente ocupado no serviço de V. M. e somente com quarenta e oito mil réis de soldo; fazendo gastos excessivos e experimentando grandes perdas, como na viagem do descobrimento do rio Madeira, fez de gasto um conto e duzentos mil réis; porque o mandou o governador João da Maia da Gama ao dito descobrimento até às Índias de Espanha, como fez chegar até à cidade de Santa Cruz, e nas grandes cachoeiras teve três alagações em que perdeu tudo quanto levava, e depois foi mandado pelo nosso [mesmo?] governador a correr a costa, e à vila de Caiena, fazendo também grandes gastos, sem que das ditas viagens fizesse negociações algumas; e vendo o suplicante que o governador de Caiena deitava um bando à sua chegada que ninguém desse café aos portugueses, capaz de nascer, se informou o suplicante do valor daquela droga, e vendo o que era fez diligência por trazer algumas sementes com algum dispêndio da sua fazenda, zeloso dos aumentos das reais rendas de V. M., e não só trouxe mil e tantas frutas que entregou aos oficiais do senado [vereadores na câmara municipal] para que o repartissem com os moradores, como também cinco plantas, de que j;a hoje há muito no Estado; e como o suplicante se acha muito falto de servos e tem mil e tantos pés de café e três mil pés de cacau, e não tem quem lhos cultive, e se acha com cinco filhos, pede a V. M. lhe faça mercê conceder por seu alvará cem casais de escravos do sertão do rio Negro, ou outro qualquer, que se lhe oferecer, como também mandar se dêem ao suplicante cinqüenta índios das aldeias de Caabe [por Caeté, hoje Bragança], Mortigure [por Murtigura, hoje Vila do Conde], Simoúma [por Sumaúma, hoje Beja], Bocus [por Bocas, hoje Oeiras], Caricuru [por Maricuru, hoje Melgaço], Mongabeiras [por Mangabeiras, hoje Ponta de Pedra], Camutá Gojons [por Guaianas, depois Lugar de Vilar, hoje extinto] para fazer os ditos resgates; e como o suplicante está alcançado, e não tem com que comprar o necessário para fazer os ditos resgates, mandar se lhe dê tudo o necessário da fazenda dos resgates, para que depois o suplicante inteire, e pague da mesma viagem o custo que fizer.

E. R. Mcê.

(IN MAGALHÃES, Basílio de. O café; na história, no folclore e nas belas-artes. 3ª ed. São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1980. Brasiliana, v. 174)

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