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- Nesta seção, textos sobre profissões; ferramentas; técnicas; agricultura, pecuária;
artesanato; vendedores ambulantes; pregões... |
FRANCISCO DE MELO PALHETA E A HISTÓRIA DO CAFÉ NO
BRASIL
Dois documentos históricos no Arquivo Público do Pará
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Carta régia de 16 de fevereiro de 1734
D. João, etc. Faço saber a vós governador e capitão-general do Maranhão que
por parte de Francisco de Melo Palheta se me faz a petição (cuja cópia com esta se vos
envia assinada pelo secretário do meu Conselho Ultramarino) em que pede lhe
concedaalvará para descer cem casais de escravos do sertãp do rio Negro, ou outro
qualquer que se lhe oferecer, como também mandar se dêem ao suplicante cinqüenta
índios da aldeia de Caane, Mortigure, Simoumá, Bocus, Caricuru, Mongabeiros, Cametá,
Gorjones para fazer os ditos resgates, mande-se-lhe dê tudo o necessário da fazenda dos
ditos resgates, que depois pagará da mesma viagem o custo que fizer. Me pareceu
ordenar-vos informeis com vosso parecer. El Rei Nosso Senhor o mandou pelo Dr, Manuel
Fernandes Vargas e Gonçalo Manuel Galvão de Lacerda, conselheiros do seu Conselho
Ultramarino, e se passou por duas vias. João Tavares a fez em Lisboa ocidental a
dezesseis de fevereiro de mil setecentos e trinta e quatro. O secretário Manuel Caetano
de Lavre a fez escrever.
Petição de Francisco de Melo Palheta
(com notas feitas por Manuel Barata em 1907)
Sr. Diz Francisco de Melo Palheta, capitão-tenente da guarda-costa, que ele,
suplicante, está atualmente ocupado no serviço de V. M. e somente com quarenta e oito
mil réis de soldo; fazendo gastos excessivos e experimentando grandes perdas, como na
viagem do descobrimento do rio Madeira, fez de gasto um conto e duzentos mil réis; porque
o mandou o governador João da Maia da Gama ao dito descobrimento até às Índias de
Espanha, como fez chegar até à cidade de Santa Cruz, e nas grandes cachoeiras teve três
alagações em que perdeu tudo quanto levava, e depois foi mandado pelo nosso [mesmo?]
governador a correr a costa, e à vila de Caiena, fazendo também grandes gastos, sem que
das ditas viagens fizesse negociações algumas; e vendo o suplicante que o governador de
Caiena deitava um bando à sua chegada que ninguém desse café aos portugueses, capaz de
nascer, se informou o suplicante do valor daquela droga, e vendo o que era fez diligência
por trazer algumas sementes com algum dispêndio da sua fazenda, zeloso dos aumentos das
reais rendas de V. M., e não só trouxe mil e tantas frutas que entregou aos oficiais do
senado [vereadores na câmara municipal] para que o repartissem com os moradores, como
também cinco plantas, de que j;a hoje há muito no Estado; e como o suplicante se acha
muito falto de servos e tem mil e tantos pés de café e três mil pés de cacau, e não
tem quem lhos cultive, e se acha com cinco filhos, pede a V. M. lhe faça mercê conceder
por seu alvará cem casais de escravos do sertão do rio Negro, ou outro qualquer, que se
lhe oferecer, como também mandar se dêem ao suplicante cinqüenta índios das aldeias de
Caabe [por Caeté, hoje Bragança], Mortigure [por Murtigura, hoje Vila do Conde],
Simoúma [por Sumaúma, hoje Beja], Bocus [por Bocas, hoje Oeiras], Caricuru [por
Maricuru, hoje Melgaço], Mongabeiras [por Mangabeiras, hoje Ponta de Pedra], Camutá
Gojons [por Guaianas, depois Lugar de Vilar, hoje extinto] para fazer os ditos resgates; e
como o suplicante está alcançado, e não tem com que comprar o necessário para fazer os
ditos resgates, mandar se lhe dê tudo o necessário da fazenda dos resgates, para que
depois o suplicante inteire, e pague da mesma viagem o custo que fizer.
E. R. Mcê.
(IN MAGALHÃES, Basílio de. O
café; na história, no folclore e nas belas-artes. 3ª ed. São Paulo, Companhia
Editora Nacional, 1980. Brasiliana, v. 174) |
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