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Almanaque: Nesta seção, textos sobre variedades; frases de pára-choques de caminhões; passatempos; provérbios; curiosidades; pregões de ambulantes; causos; anedotas; folclore de botequim; latrinália; escritos em papel-moeda; anedotas; charadas...


- Pena Branca e Xavantinho: História; Discografia; Depoimentos; Músicas.

- Causos de Minas por Eurico de Andrade

- Cornélio Pires:  O Truco.

- Etimologia de Finados.

- No Estradão.

- Provérbios.

- Anedotas históricas.

- Pregão.

Pena Branca e Xavantinho
História   Depoimentos   Discografia    Letras

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Depoimentos

"A importância de Xavantinho pra nós da Kuarup, vai muito além da afinidade dos nomes Xavante-Kuarup. Ele mais seu mano Pena Branca e mais Renato Teixeira se encontraram conosco Ao Vivo em Tatuí em 1992, e juntos produzimos um CD que acabou sendo o mais vendido nas carreiras de todos nós. Juntos chegamos aos 150 mil discos vendidos - mais que Disco de Ouro - coisa que nem nós nem eles tínhamos chegado nem perto antes. A música de verdade estava fazendo história e nós nem sabíamos. E naquele momento mágico, Xavantinho deixou gravado: "Pois hoje o boa-noite tem que ser muito especial  porque estamos entrando a primavera com vocês". Sete anos depois, Xavantinho esperou a primavera chegar para dar seu boa-noite final. Seu mundo ficou escuro, mas à sua volta ele deixou tudo alumiado. Xavantinho é prá sempre, no ouvido e no coração da gente."

(MÁRIO DE ARATANHA, produtor de discos)

"O Brasil perde um dos  seus mais importantes ícones da cultura raiz, Xavantinho. A dupla pena Branca e Xavantinho teceu no cenário artístico brasileiro uma estória de fidelidade e compromisso com a nossa cultura. Descendentes diretos, da arte, das verdadeiras duplas caipiras como Tonico e Tinoco, Carreiro e Carreirinho e tantos mais, hoje são (sem dúvida nenhuma), ponto de referência pra mim e para minha arte de violeiro. O mano Xavantinho com sua delicadeza e cumpadricidade, próprios de quem nasceu e viveu em meio as folias e catiras da vida, não pode, jamais, ser esquecido."

(CHICO LOBO, violeiro)

"Me lembro, adolescente, assistindo a um show de Pena Branca e Xavantinho em uma exposição agropecuária numa época em que exposições agropecuárias nada tinham a ver com estas festas countries que hoje assolam o país. Formavam uma dupla de música caipira das mais bonitas, vozes timbradas, repertório tradicional do gênero.

Com o advento do sertanejo romântico na segunda metade dos anos oitenta e conseqüente mudança no perfil das duplas, todo o trabalho de música caipira existente foi deixado de lado pelas gravadoras e paulatinamente começou a desaparecer. Algumas duplas caipiras sobreviviam cantando em festas particulares e churrascarias.

Pena Branca e Xavantinho conseguiram apontar um novo caminho. Deixaram de lado o repertório de música caipira, já que agora o seu público começava a consumir outro gênero, e partiram ao resgate de canções brasileiras que não faziam, necessariamente, parte do repertório da música caipira, mas que compunham parte do imaginário rural do nosso povo e também criaram adaptações para clássicos da MPB que transitavam por uma linha mais regional. Assim, contradanças do Jequitinhonha como o Beira Mar Novo e o Cio da Terra, de Milton Nascimento e Chico Buarque foram renovados nas suas vozes. Um novo público foi alcançado.

Pena Branca e Xavantinho mostraram que o importante não é ter um imenso esquema de mídia por trás; mais importante que tudo é ser inteligente e potencializar o talento próprio para alternativas que escapem da ação nociva que as vezes se nos apresenta e mais que tudo: fazer com que a própria integridade mantida seja aliada à preservação dos nossos reais valores." 

(IVAN VILELA, violeiro)

"Quando participei da festa do Prêmio Sharp 1995, confesso que não tinha esperanças que um CD de viola pudesse ganhar. Dentro do Municipal, vi que entre os jurados estavam Pena Branca e Xavantinho - tive uma ponta de esperança. Sempre acreditei que fazer um trabalho ligado à viola é uma espécie de guerrilha. O grande violeiro Renato Andrade define bem: “Viola é como mortadela, todo mundo gosta, mas tem vergonha de comer na frente dos outros”. Quando meu nome foi anunciado corri para o palco e, depois de receber o prêmio, saindo pela coxia, a primeira pessoa que encontrei foi o Xavantinho. Tive uma emoção indescritível. Esta dupla é a própria sofisticação da música de viola, eles são um exemplo e um referencial para todos nós. Têm uma carreira limpa e momentos   definitivos na história da música. Só consegui dizer: “Mestre!” Aí alguém da organização me levou para trás, pois o próprio Xavantinho iria receber um prêmio com o Pena Branca. Neste exato momento apareceu uma equipe de vídeo do Prêmio Sharp. Quem puder ver este vídeo, vai presenciar um certo vexame, pois não consegui nem falar direito. Ganhar o prêmio e topar de cara com o Xavantinho deixaram-me sem ação. Tive a honra de abrir uns três shows da dupla e pude desfrutar do carinho e a   simplicidade repleta de sabedoria dos manos. Abraço forte no Pena Branca."

(PAULO FREIRE, violeiro)

"Pena Branca e Xavantinho formavam uma dupla sertaneja que se destacou pela escolha de seu repertório que ia do Cio da Terra ao Beira Mar Riacho de Areia. Gostavam do que é bonito e apresentavam as músicas do seu jeito. Desta maneira foram e serão um momento de esperança para todos os que acreditam na beleza da cultura popular brasileira."

(FREI CHICO VAN DER POEL, franciscano)

Homenagem a Xavantinho

A nossa música raiz
Perdeu mais um cantador,
Fez sucesso em todo Brasil
E também no exterior.
Dono de uma grande voz
Por muitos palcos ele passou
Filho de familia humilde,
Nascido no interior.
Pena Branca e Xavantinho
Era o orgulho do sertão
Cantando e tocando viola
Pelo rádio e na televisão
De Minas para o Brasil
Foi em busca do progresso
Trazendo em sua bagagem
Muita glória e sucesso.
A falta deste caboclo
Abalou todo o triângulo mineiro
Chora nosso Brasil Caipira
Saudade deste grande violeiro
Hoje ele está no céu
Cantando para o nosso senhor
Transformando em melodias
Sua alma, de eterno cantor.

"Bem, esta é uma composição que fiz em homenagem ao amigo Xavantinho, que acabei conhecendo por essas andanças pelo Brasil. Pena Branca e Xavantinho, eram musicalmente, como unha e carne. Seu irmão Pena Branca, não largava a viola por nada, dormia com a viola ao lado, Xavantinho era um craque no violão, tiveram o orgulho de cantar o Cio da Terra com Milton Nascimento e Vida de viajante com Renato Teixera. Viajaram todo o Brasil mostrando a verdadeira música raiz.

Hoje, tudo que nos restam são saudades, saudades daqueles que passaram a vida toda difundindo nossa música raiz."

(CARLOS EDUARDO SENJU, o Dudu da Viola)

 


DISCOGRAFIA

– Velha Morada (Rodeio, 1980)

Uma Dupla Brasileira

- Uma Dupla Brasileira (RGE, 1982)

– Cio da Terra (Continental, 1987)

- Canto Violeiro (Continental, 1988)

- Cantadô de Mundo Afora (Continental, 1990)

Violas e Canções

- Violas e Canções (Velas, 1993)

Ribeirão Encheu

- Ribeirão Encheu (Velas, 1995)

- Pingo D'Água (Velas, 1996)

Coração Matuto

- Coração Matuto (Paradoxx, 1998)

 

Com outros artistas:

- Orquestra de violeiros Coração de Viola (Rodeio, 1980)

Ao Vivo em Tatuí

- Ao vivo em Tatuí, com Renato Teixeira (Kuarup, 1992)

 

Coletânea:

- Som da terra (Chantecler, 1994)



Veja também:

- História
- Letras

FONTES

Revistas:

- Gente sertaneja, ano II, nº 3, 1994. Ponto de Vista Editorial

- Globo rural, novembro de 1994. Editora Globo

- Viola caipira, ano II, nº 21, novembro de 1993.

Websites:

- KUARUP

- VIOLA E VIOLEIROS


- VIOLA

Agradecemos a todos os que nos enviaram depoimentos sobre Pena Branca e Xavantinho.

Esta matéria seria impossível sem a ajuda de Etel Frota, João Rossini, Ricardo Alves, Rogério Duarte, e Vagner Silas de Oliveira. A vocês o nosso muito obrigado!

 

Minas Gerais ficou mais pobre musicalmente. Um dos últimos e legítimos compositores da música de raiz mineira, faleceu há poucos dias, sem deixar um sucessor com a mesma linha musical. Estamos falando de Xavantinho que junto com seu irmão Pena Branca , fazia uma das mais importantes de nossas duplas caipiras. Assim dizendo, é preciso pisar em ovos, pois essa palavra caipira faz muita gente torcer o nariz. Mas eles sempre carregaram com muito orgulho essa denominação e foi por essa fidelidade às suas origens, que os maiores nomes de nossa elitizada MPB abriram as portas para eles. Seu sucesso nacional começou com a participação de outro mineiro: Milton Nascimento; é emocionante a gravação que fizeram da canção de domínio público Calix Bento, adaptada por Tavinho Moura: "Ó Deus salve o Oratório, onde Deus fez a morada…" Gravaram ainda Chico Buarque, Djavan, Guilherme Arantes, Caetano Veloso, Ivan Lins, todos eles se sentindo honrados por terem suas músicas interpretadas de uma forma tão singela pelos nossos caipiras de Uberlândia.

Xavantinho era um compositor de rara sensibilidade, escrevia bem letra e música. Essa sensibilidade fazia parte de sua personalidade. Era telespectador assíduo do nosso programa no Canal Rural e várias vezes tecia elogios ao nosso trabalho, o que sempre nos encheu de orgulho. Tivemos a sorte de compartilhar doces momentos com os dois, não só como colegas (temos até o mesmo empresário) mas como amigos. Eles passaram a nos chamar de manas quando nos aproximamos mais. Com a mãe deles, Dona Dolores, aprendemos a "bater colher", como se fazia nas rodas de Calango em nosso estado e ainda se faz em algumas localidades aonde existem calangueiros.
Como temos repetido sempre aqui neste Cantinho, somos defensoras de nossas raízes. Entendemos que, quando um povo não cultua a tradição que herda de seus antepassados, corre o risco de ficar sem identidade cultural. A música sertaneja autêntica, que explodiu no meio rural dos estados de São Paulo, Paraná, Mato Grosso e de Minas, está perdendo espaço para essa música sertaneja que faz sucesso com duplas como Zezé de Camargo e Luciano. Estas duplas famosas começaram se inspirando nos caipiras de verdade como Tonico e Tinoco, até criarem esse estilo romântico comercial, distanciando-se então da linha original.

Pena Branca e Xavantinho, nossa dupla caipira mineira, que fazia com primor e simplicidade as canções da alma do povo, infelizmente, não existe mais. E corre o risco de ficar na memória de poucos, como sempre acontece, tal o descaso com a nossa cultura. Esperamos e torcemos para que eles sejam sempre lembrados e para que Pena Branca tenha coragem e inspiração para continuar a obra de ambos. Se você, conterrâneo, ainda não teve a oportunidade de ouvir o som dos dois manos, compre um disco; ouça-o sem preconceitos, de peito aberto. Assim você conhecerá a beleza da música de nossas raízes mineiras, brasileiras.

Até a próxima,

Celia & Celma

(Cantinho do Ary Barroso) Correspondência para Celia & Celma: Caixa Postal 188 36500-000 Ubá MG
Assista no Canal 35 da Sky/Net "Encontro com Celia & Celma" às 2ªs e 5ªs. às 20h30 e reprise às 3ªs. e 6ªs. às 8h30 e domingos às 12h00 e 20h30.

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