Quando morre uma pessoa,
deve-se abrir todas as portas para a alma sair. Fecham-se porém os fundos da casa. A alma
deve sair pela frente. A casa não deve ser fechada antes de sete dias pois o fel (as
vísceras) do defunto só se arrebentará nesse prazo. Então a alma vai para o seu lugar.
A novena de defunto é para a alma ir para onde foi destinada. Não se deve chorar a morte de um anjinho, pois as
lágrimas molharão as suas asas e ele não alcançará o céu.
Quando numa procissão, o pálio para defronte de
alguma porta de uma casa, é isso presságio de morte de alguma pessoa dessa casa, porque
o pálio para sempre defronte às janelas.
Homem velho que muda de casa, morre logo.
Quando a pessoa tem um tremor, é porque a morte
passou por perto dela. Deve-se bater na pessoa que está próxima e dizer: Sai morte,
que estou bem forte.
Acender os cigarros de três pessoas com um
fósforo só, provoca a morte da terceira pessoa. Outra versão: morrerá a mais moça dos
três fumantes.
Derrubar tinta é prenúncio de morte.
Quando várias pessoas estão conversando e param
repentinamente, é que algum padre morreu.
Perder pedra de anel é prenúncio de morte de
pessoa da família.
Quando uma pessoa vai para a mesa de operação,
não deve levar nenhum objeto de ouro, pois se tal acontecer, morre na certa.
Não presta tirar fotografia, sendo três pessoas,
pois morre a que está no centro.
Doente que troca de cama, morrerá na certa. Outra
versão: não morrerá.
Não se deve deitar no chão limpo, pois isso
chama a morte para uma pessoa da família.
Quando pessoas vão caçar ou pescar, nunca devem
ir em número de três, pois uma será picada por cobra e morrerá na certa.
Quem come o último bocado morre solteiro.
Se acontece de se ouvir barulho à noite, em casa,
é que a morte está se aproximando.
Quando morre uma pessoa idosa, morre logo um anjo
seu parente (criança) para levar aquela para o céu.
Defunto que está com braços duros, amolece-os se
pedir que assim faça.
Defunto que fica com o corpo mole é indício de
que um seu parente o segue na morte.
Quando o defunto fica com os olhos abertos é
porque logo outro da família o seguirá.
Não se deve beijar os pés de defunto, pois logo
se irá atrás dele, morrendo também.
Na hora da morte, fazer o agonizante segurar uma
vela para alumiar o caminho que vai seguir.
Em mortalha, a linha não deve ter nó.
Água benta ou alcânfora temperada na pinga
joga-se com um galho de alecrim, sobre o defunto.
Quando uma pessoa jogar terra sobre o defunto na
cova, deve pedir ao mesmo que lhe arranje um bom lugar no além. Se ele for para um bom
lugar, arranjará; se para um mau quem pede está azarado. Bom é pedir lugar para o
cadáver de um anjinho, pois este sempre vai para um bom lugar.
Não se deve trazer terra do cemitério quando se
volta de um enterro, pois ela traz a morte para a casa.
A pessoa que apaga as velas após a saída do
enterro morrerá logo. É bom colocar perto do caixão do defunto um copo dágua
benta.
Não presta ver muitos enterros, pois com isso se
chama a morte para si.
Quando passa um enterro, não se deve atravessar o
acompanhamento, pois isso traz a morte para pessoas da família. Bom é acompanhar o
enterro.
Não presta acender só três velas para defunto;
deve-se acender quatro.
(ARAÚJO, Alceu Maynard. Folclore
nacional, São Paulo, Edições Melhoramentos. v. 1) |