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Ano I - novembro 1998 - nº 03

Sua revista com a cara e a alma brasileira


SUMÁRIO - EDIÇÃO 03
FESTANÇA
1 de novembro: dia de Todos os Santos. O estranho ritual da Procissão dos Ossos, tradição secular realizada pela Irmandade da Misericórdia, no Rio de Janeiro.

2 de novembro: Dia de Finados. A morte na boca do povo. Locuções populares que designam o verbo morrer.

20 de novembro: Dia da Consciência Negra. Vinte e cinco cerimônias e uma relação de instrumentos musicais de origem africana utilizados no Brasil.
CANCIONEIRO
IMAGINÁRIO
OFICINA
PALHOÇA
COLHER DE PAU
PANACÉIA
CATAVENTO
ALMANAQUE

 

FESTANÇA - Nesta seção, textos sobre festas populares, religiosas e profanas; folguedos; danças; datas comemorativas; instrumentos musicais...


VINTE E CINCO CERIMÔNIAS E INSTRUMENTOS VINDOS DO CONTINENTE AFRICANO

Flausino Vale


Ilustração de Marcos JardimVinte e cinco cerimônias vindas do continente africano, apontadas por Luciano Gallet:

1. As danças e festas dos quicumbres e quilombos, referentes à época de Palmares;

2. As festas do santo rei Baltazar, que se celebravam no Rio de Janeiro, ainda em 1740, para a coroação dos reis cabundás;

3. As danças dos oficiais de cutelaria e de carpintaria, para as quais se fantasiavam com fardas mouriscas;

4. Danças dos Congos, que ainda hoje existem;

5. Reinado dos Congos, diversa da precedente, disputando-se aí, os títulos de rei e rainha;

6. O soba mágico, onde os figurantes se fantasiavam de animais;

7. Os doze leões, que traziam um Hércules como guia;

8. Colastros, abaucás e moleques, na qual cada grupo se compunha de doze figurantes;

9. As danças dos negrinhos pequenos e molequinhos de Angola;

10. As danças e cantos das taieiras, que, afora as festas de Nossa Senhora do Rosário, tinham suas cerimônias à parte;

11. Os catupés;

12. As festas e procissão de São Benedito e Nossa Senhora do Rosário, onde entravam rainhas negras, congos e taieiras;

13. Os bailados e passeatas dos cucumbis, que vestiam penas como os selvagens africanos;

14. As festas de Natal e Reis, nas quais, afora a contribuição negra de cantos e danças, as passeatas dos cucumbis eram indispensáveis;

15. Nas festas de São João e São Pedro, ao redor das fogueiras, as rodas de jongo e os sambas;

16. As festas dos mortos. Cerimônias africanas que se dividiam em três períodos: jejuns e rezas; sacrifícios; banquetes e danças. Ao som dos tambores, puítas, ganzás, vus, atabaques e pandeiros, dançavam batuques e cocos-de-zambê, dias a fio, desenrolando-se cenas de grande interesse;

17. Danças e festas funerárias, por ocasião de enterro de reis africanos;

18. Festas de entrudo e, mais tarde, carnaval, no qual, em certa época, dominavam os cucumbis, no Rio de Janeiro, com várias sociedades carnavalescas organizadas. Mantinham-se nelas as velhas tradições africanas;

19. Cerimônias e danças nas fazendas, para a terminação de moagem de cana, colheita de café, etc.;

20. As cerimônias fetichistas nas fazendas, sempre acompanhadas de canto e dança;

21. Congados atuais, com feitio e sentido diverso do antigo;

22. Ranchos e cordões carnavalescos, oriundos dos cucumbis, conservando deles, ainda, alguns tipos, mas com evoluções, danças, cantos e cerimonial já diverso;

23. O zé-pereira, característico máximo do carnaval, vindo, também, dos cucumbis;

24. O maracatu, cerimônia carnavalesca usada no nordeste;

25. As festas da mãe-d’água, que duravam quinze dias, em Itapagipe, na Bahia.
 

Instrumentos de origem africana incorporados no Brasil:

- Adufe
- Agogô
- Atabaque
- Berimbau
- Carimbó
- Caxambu
- Chocalho
- Cucumbi
- Fungador
- Ganzá ou anzá
- Gongo
- Marimba
- Mulungu
- Pandeiro
- Pererenga
- Piano de cuia (balafo, na África)
- Puíta
- Quiçanje
- Roncador
- Tambor ou tambu
- Socador
- Triângulo
- Ubatá
- Vuvu ou vu
- Xequeré ou xequedê


(Em Vale, Flausino Rodrigues. Elementos de folclore musical brasileiro. 2ª ed. São Paulo, Companhia Editora Nacional, Ministério da Educação e Cultura, 1978. Brasiliana, 57)

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