
1 de novembro: dia de Todos os Santos. O estranho ritual da Procissão dos Ossos, tradição secular realizada pela Irmandade
da Misericórdia, no Rio de Janeiro.
2 de novembro: Dia de Finados. A morte na boca do povo. Locuções populares que designam o verbo
morrer.
20 de novembro: Dia da Consciência
Negra. Vinte e cinco cerimônias e uma relação de
instrumentos musicais de origem africana utilizados no Brasil. |
|
|
|
| FESTANÇA - Nesta seção, textos sobre festas
populares, religiosas e profanas; folguedos; danças; datas comemorativas; instrumentos
musicais... |
VINTE E CINCO CERIMÔNIAS E INSTRUMENTOS VINDOS DO
CONTINENTE AFRICANO |
Vinte e cinco cerimônias vindas do continente africano,
apontadas por Luciano Gallet:
1. As danças e festas dos quicumbres e quilombos, referentes à época de Palmares;
2. As festas do santo rei Baltazar, que se celebravam no Rio de Janeiro, ainda em 1740,
para a coroação dos reis cabundás;
3. As danças dos oficiais de cutelaria e de carpintaria, para as quais se fantasiavam com
fardas mouriscas;
4. Danças dos Congos, que ainda hoje existem;
5. Reinado dos Congos, diversa da precedente, disputando-se aí, os títulos de rei e
rainha;
6. O soba mágico, onde os figurantes se fantasiavam de animais;
7. Os doze leões, que traziam um Hércules como guia;
8. Colastros, abaucás e moleques, na qual cada grupo se compunha de doze figurantes;
9. As danças dos negrinhos pequenos e molequinhos de Angola;
10. As danças e cantos das taieiras, que, afora as festas de Nossa
Senhora do Rosário, tinham suas cerimônias à parte;
11. Os catupés;
12. As festas e procissão de São Benedito e Nossa Senhora do Rosário, onde entravam
rainhas negras, congos e taieiras;
13. Os bailados e passeatas dos cucumbis, que vestiam penas como os selvagens africanos;
14. As festas de Natal e Reis, nas quais, afora a contribuição negra de cantos e
danças, as passeatas dos cucumbis eram indispensáveis;
15. Nas festas de São João e São Pedro, ao redor das fogueiras, as rodas de jongo e os
sambas;
16. As festas dos mortos. Cerimônias africanas que se dividiam em três períodos: jejuns
e rezas; sacrifícios; banquetes e danças. Ao som dos tambores, puítas, ganzás, vus,
atabaques e pandeiros, dançavam batuques e cocos-de-zambê, dias a fio, desenrolando-se
cenas de grande interesse;
17. Danças e festas funerárias, por ocasião de enterro de reis africanos;
18. Festas de entrudo e, mais tarde, carnaval, no qual, em certa época, dominavam os
cucumbis, no Rio de Janeiro, com várias sociedades carnavalescas organizadas.
Mantinham-se nelas as velhas tradições africanas;
19. Cerimônias e danças nas fazendas, para a terminação de moagem de cana, colheita de
café, etc.;
20. As cerimônias fetichistas nas fazendas, sempre acompanhadas de canto e dança;
21. Congados atuais, com feitio e sentido diverso do antigo;
22. Ranchos e cordões carnavalescos, oriundos dos cucumbis, conservando deles, ainda,
alguns tipos, mas com evoluções, danças, cantos e cerimonial já diverso;
23. O zé-pereira, característico máximo do carnaval, vindo, também, dos cucumbis;
24. O maracatu, cerimônia carnavalesca usada no nordeste;
25. As festas da mãe-dágua, que duravam quinze dias, em Itapagipe, na Bahia.
Instrumentos de origem africana incorporados
no Brasil:
- Adufe
- Agogô
- Atabaque
- Berimbau
- Carimbó
- Caxambu
- Chocalho
- Cucumbi
- Fungador
- Ganzá ou anzá
- Gongo
- Marimba
- Mulungu
- Pandeiro
- Pererenga
- Piano de cuia (balafo, na África)
- Puíta
- Quiçanje
- Roncador
- Tambor ou tambu
- Socador
- Triângulo
- Ubatá
- Vuvu ou vu
- Xequeré ou xequedê
(Em Vale, Flausino Rodrigues. Elementos
de folclore musical brasileiro. 2ª ed. São Paulo, Companhia Editora Nacional,
Ministério da Educação e Cultura, 1978. Brasiliana, 57) |
|