
1 de novembro: dia de Todos os Santos. O estranho ritual da Procissão dos Ossos, tradição secular realizada pela Irmandade
da Misericórdia, no Rio de Janeiro.
2 de novembro: Dia de Finados. A morte na boca do povo. Locuções populares que designam o verbo
morrer.
20 de novembro: Dia da Consciência
Negra. Vinte e cinco cerimônias e uma relação de
instrumentos musicais de origem africana utilizados no Brasil. |
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| FESTANÇA - Nesta seção, textos sobre festas
populares, religiosas e profanas; folguedos; danças; datas comemorativas; instrumentos
musicais... |
Em Portugal, em 1498, determinou o rei dom Manuel que à Irmandade da Misericórdia fosse
permitido todos os anos, no dia de Todos os Santos, retirar dos patíbulos os restos ainda
pendentes dos justiçados para lhes dar sepultura. Foi esta a origem da procissão dos
ossos. Investida a Misericórdia do Rio de Janeiro nos privilégios e atribuições da sua
congênere de Lisboa, que lhe servira de modelo, assumiu também aqui o mesmo encargo.
À tarde do dia primeiro de novembro começavam a dobrar funebremente os
sinos de todas as igrejas, tocando a defuntos. No início da noite, concluídas as
vésperas, saíam os irmãos da Misericórdia, em solene cortejo, com os farricocos
carregando duas "tumbas" para recolher as ossadas ao pé da forca. Era
o mais funéreo espetáculo que se possa imaginar. Quem quiser conhecer a organização
desse préstito encontrará a descrição pormenorizada no velho "compromisso"
da Irmandade, no capítulo que diz: "Do modo com que se hão de ir buscar as
ossadas dos que padeceram por justiça
"
Cumprida a sua macabra missão, regressava a procissão à igreja da Misericórdia onde
eram depositadas as tumbas. Havia então sermão e ofício dos mortos. Revezando-se, os
irmãos velavam os restos mortais recolhidos que, na manhã seguinte, eram inumados no
cemitério atrás do hospital.
Com o abrandamento dos costumes e o aperfeiçoamento da civilização, deixou de ser
proferida a sentença de morte natural para sempre e a procissão dos ossos pouco a pouco
foi perdendo a razão de ser, até que se extingüiu.
(Coaracy, Vivaldo. Memórias
da cidade do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, Livraria José Olympio Editora,
1965. Coleção Rio Quatro Séculos, 3) |
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