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| CANCIONEIRO: Nesta seção, textos sobre
música regional; literatura de cordel; cantos de trabalho; poesia popular; desafios;
romances; cantos religiosos; quadras, pasquins... |
Havia no arraial de Inhaí, próximo de Diamantina, o costume de conduzir os defuntos
em padiola, ou bangüe, entoando-se cantigas de rede, adequadas ao ato.
Os mortos eram levados ao cemitério por grupos constituídos de amigos e parentes, quase
sempre negros e mulatos, que carregavam o defunto em uma rede, como se usava em todo o
interior do país, onde não se encontrava outro meio de transporte.
Ao caminharem, balançando compassadamente o corpo, entoavam melodias características. À
frente do préstito, um crioulo, empunhando o bastão e fazendo trejeitos, puxava a
melopéia para os demais que o acompanhavam em coro, repetindo sempre o estribilho, após
cada uma das quadras:
Solo:
Amigos e companheiros
Vamos levar este irmão
Rezando todos contritos
Esta simples oração
Todos:
Padre nosso, Ave Maria
Uma reza abençoada
Se precisar descansamos
Na primeira encruzilhada
Solo:
Um segura, outro segura
Este corpo com cuidado
Até que o pobre chegue
No lugar determinado
Todos:
Esta estrada não é boa
Não é de desanimar
Vamos rezando e cantando
Para Deus nos ajudar
Solo:
Até que enfim que chegamos
Terminou nossa jornada
Apesar dos sofrimentos
Que passamos pela estrada
Todos:
Vamos depôr este corpo
No lugar que Deus marcou
Ajoelhemos e rezemos
Pelo pobre sofredor
(Afonso Schmidt, baseado em Rezende, Maria Angélica
de Rezende. Nossos avós contavam e cantavam. Belo Horizonte, Imprensa Oficial,
1949. Em Apocalypse, Mary (org.). Estórias e lendas de Minas Gerais, Espírito Santo
e Rio de Janeiro. 2ª ed. São Paulo, Edigraf, sd. Antologia Ilustrada do
Folclore Brasileiro) |
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