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Almanaque: Nesta seção, textos sobre variedades; frases de pára-choques de caminhões; passatempos; provérbios; curiosidades; pregões de ambulantes; causos; anedotas; folclore de botequim; latrinália; escritos em papel-moeda; anedotas; charadas...

setaquad.gif (95 bytes)Edição especial em homenagem ao dia da Música e do Músico. Com as letras das seguintes músicas:
-
Acertei no milhar
- Ai que saudades da Amélia
- Alô, alô
- Amigo urso
- Aquarela do Brasil
- As rosas não falam
- Asa Branca
- Barracão
- Batuque na cozinha
- Boneca de pano
- Boogie-woogie na favela
- Brasil pandeiro
- Carinhoso
- Chalana
- Chuá-Chuá
- Conversa de botequim
- Cuitelinho
- De papo pro à
- Faceira
- Luar do sertão
- Lulu de madame
- Mágoa de boiadeiro
- Marvada pinga
- Moda da mula preta
- Mulata assanhada
- Na virada da montanha
- No rancho fundo
- Onde o céu azul é mais azul
- Os quindins de Iaiá
- Pelo telefone
- Saudosa maloca
- Tristeza de jeca
- Uirapuru
- Um gago apaixonado
- Você já foi à Bahia?


  Donga/Mauro de Almeida

O chefe da folia
Pelo telefone
Manda me avisar
Que com alegria
Não se questione
Para se brincar

O chefe da folia...

Ai, ai, ai
Deixa as mágoas para trás
Ó rapaz
Ai, ai, ai
Fica triste se és capaz
E verás

Ai, ai, ai...

Tomara que tu apanhes
Não tornes a fazer isso
Tirar amores dos outros
Depois fazer teu feitiço

Tomara que tu apanhes...

Olhe a rolinha
Sinhô, sinhô
Se embaraçou
Sinhô, sinhô
Caiu no laço
Sinhô, sinhô
Do nosso amor
Sinhô, sinhô
Porque este samba
Sinhô, sinhô
É de arrepiar
Sinhô, sinhô
Põe a perna bamba
Sinhô, sinhô
Mas faz gozar

O chefe da polícia
Pelo telefone
Manda me avisar
Que na Carioca
Tem uma roleta
Para se jogar

O chefe da polícia...

Ai, ai, ai...

Tomara que tu apanhes...

Olhe a rolinha
Sinhô, sinhô
Se embaraçou
Sinhô, sinhô
Caiu no laço
Sinhô, sinhô
Do nosso amor
Sinhô, sinhô
Porque este samba
Sinhô, sinhô
É de arrepiar
Sinhô, sinhô
Põe a perna bamba
Sinhô, sinhô
Mas faz gozar

 


  Joubert de Carvalho/Olegário Mariano

Não quero outra vida
Pescando no rio de Gereré
Tem peixe bom
Tem siri-patola
De dá com pé
Quando no terreiro
É noite de luar
E vem a saudade
Me atormentá
Eu me vingo dela
Tocando viola
De papo pro á
Se compro na feira
Feijão, rapadura
Prá que trabaiá
Sou filho do homem
O homem não deve
Se atormentar
Quando no terreiro
É noite de luar
E vem a saudade
Me atormentá
Eu me vingo dela
Tocando viola
De papo pro á

 


   Ari Barroso

Foi num samba
De gente bamba
Que eu te conheci faceira
Fazendo visagem
Passando rasteira

Foi num samba...

E desceste lá do morro
Pra viver aqui na cidade
Deixando os companheiros
Tristes e loucos de saudade
Mas, linda criança
Tenho fé, tenho esperança
Tu um dia hás de voltar
Direitinho ao teu lugar

Foi num samba
De gente bamba
Que eu te conheci faceira
Fazendo visagem
Passando rasteira

Foi num samba...

Quando rompe a batucada
Fica a turma aborrecida
O pandeiro não dá nada
Oi, a barrica recolhida
Tua companhia
Faz falar a bateria
Fica prosa o tamborim
Vem pro samba, vai por mim

Paulinho da Viola


  Oldemar Magalhães/Luiz Antônio

Vai barracão
Pendurado no morro
E pedindo socorro
Á cidade a teus pés
Vai barracão
Tua voz eu escuto
Não te esqueço um minuto
Porque sei que tu és
Barracão de zinco
Tradição no meu país
Barracão de zinco
Pobretão infeliz

Vai barracão
Pendurado no morro
E pedindo socorro
À cidade a teus pés
Vai barracão
Tua voz eu escuto
Não te esqueço um minuto
Porque sei que tu és
Barracão de zinco
Tradição no meu país
Barracão de zinco
Pobretão infeliz

almmuslua.gif (696 bytes)
  Catulo da Paixão Cearense

Oh! Que saudades
Do luar da minha terra
Lá na serra branquejando
Folhas secas pelo chão!
Este luar cá da cidade
Tão escuro não tem aquela saudade
Do luar lá do sertão!

Não há, ó gente, oh! Não,
Luar como esse do sertão

Se a lua nasce
Por trás da verde mata
Mais parece um sol de prata
Prateando a solidão
E a gente pega na viola que ponteia
E a canção é a lua cheia,
A nos nascer no coração

Não há, ó gente, oh! Não,
Luar como esse do sertão

Coisa mais bela
Neste mundo não existe
Do que ouvir um galo triste
Num sertão que faz luar
Parece até que a alma da lua
Que descansa escondida na garganta
Deste galo a soluçar

Não há, ó gente, oh! Não,
Luar como esse do sertão

Ai quem me dera
Se eu morresse lá na serra
Abraçado a minha terra
No milho onde eu plantei
Ser enterrado numa cova pequenina
Onde a tarde surulina
Chora a sua viuvez

Não há, ó gente, oh! Não,
Luar como esse do sertão.

 


   Nonô Basílio/Índio Vago

Antigamente nem em sonhos existiam
Tantas pontes sobre os rios,
Nem asfaltos nas estradas
A gente usava quatro ou cinco sinoeiros
Pra trazer os pantaneiros
No rodeio da boiada

Mas hoje em dia tudo é muito diferente
O progresso, nossa gente
Nem sequer faz idéia
Que entre outros fui peão de boiadeiro
Por este chão brasileiro
Os heróis da epopéia

Tenho saudades de rever nas corrutelas
As mocinhas nas janelas
Acenando uma flor,
Por tudo isso eu lamento e confesso
Que a marcha do progresso

É a minha grande dor
Pra não chorar de paixão
O meu cavalo
Relinchando campo afora
Certamente também chora
Na mais triste solidão

Meu par de esporas
Meu chapéu de aba larga
Uma bruaca de carga
O berrante e o facão
O velho basto o meu laço de mateiro
O polaco e o cargueiro
O meu lenço e o gibão

Ainda resta a guaiaca sem dinheiro
Deste pobre boiadeiro
Que perdeu a profissão
Não sou poeta sou apenas um caipira
E o tema que me inspira
É a fibra de peão,
Quase chorando meditando nesta mágoa
Rabisquei essas palavras
E saiu esta canção

Canção que fala
Da saudade das pousadas
Que já fiz com a peonada
Junto ao fogo de um galpão
Saudade louca de ouvir o som manhoso
De um berrante preguiçoso
Nos confins do meu sertão


  João de Barro/Alcir Pires Vermelho/Alberto Ribeiro

Eu já encontrei um dia alguém
Que me perguntou assim, ai, ai
O seu Brasil o que é que tem?
O seu Brasil onde é que está?

Onde o céu é mais azul
E uma cruz de estrelas mostra o sul
Aí se encontra meu país,
O meu Brasil grande e tão feliz

Um jangadeiro que namora o mar
Grande mar
Um garimpeiro que lá no sertão
Procura estrelas raras no chão
E um boiadeiro que tangendo os bois
Trabalha muito para sonhar depois

E se é grande o céu, a terra e o mar
O seu povo é bom, não é menor
Mas, o que faz admirar
Eu vou dizer, guarde bem de cor:

Quem vê o Brasil que não tem fim
Não chega a saber por que razão
Este país, tão grande assim
Cabe inteirinho no meu coração

 


  Adoniran Barbosa

Saudosa maloca, maloca querida
Onde nóis passemo
Os dias feliz de nossa vida

Se o senhor não tá lembrado
Dá licença de contá
Que aqui onde agora está
Esse edifício arto
Era uma casa véia
Um palacete assobradado
Foi ali, seu moço
Que eu, Mato Grosso e o Joca
Construímos nossa maloca
Mas, um dia
Nós nem pode se alembrá
Chegô os homes co'as ferramenta
O dono mandô derrubá
Peguemo tudo as nossas coisas
E fumos pro meio da rua
Apreciá a demolição
Que tristeza que nós sentia
Cada tauba que caía
Doía no coração
Mato Grosso quis gritar
Mas em cima eu falei:
O home tá co’a razão
nóis arranja outro lugar
Só se conformemos
Quando o Joca falou:
Deus dá o frio
Conforme o cobertor
E hoje nós pega páia
Nas gramas do jardim
E pra esquecer nós cantemos assim:

Saudosa maloca, maloca querida
Din-din-donde nóis passemo
Os dias feliz de nossa vida


  Ataulfo Alves/ Mário Lago

Eu nunca vi fazer tanta exigência
Nem fazer o que você me faz
Você não sabe o que é consciência
Não vê que eu sou um pobre rapaz

Você só pensa em luxo e riqueza
Tudo o que você vê, você quer
Ai, meu Deus, que saudades da Amélia
Aquilo, sim, é que era mulher

Às vezes passava fome ao meu lado
E achava bonito não ter o que comer
E quando me via contrariado
Dizia: "Meu filho, o que se há de fazer?"

Amélia não tinha a menor vaidade
Amélia que era mulher de verdade
Amélia não tinha a menor vaidade
Amélia que era mulher de verdade

Eu nunca vi fazer tanta exigência...

Você só pensa em luxo e riqueza...

Às vezes passava fome ao meu lado...

Amélia não tinha a menor vaidade...

 


  Jacobina/ Murilo Latini

Uirapuru, uirapuru
Seresteiro, cantador do meu sertão
Uirapuru, uirapuru
Ele canta as mágoas do meu coração

A mata inteira fica muda ao teu cantar
Tudo se cala para ouvir tua canção
Que vai ao céu numa sentida melodia
Vai a Deus em forma triste de oração

Uirapuru, uirapuru

Ele canta as mágoas do meu coração
Se Deus ouvisse o que te sai do coração
Entenderia que é de dor tua canção
Que daria para salvar o meu sertão

Uirapuru, uirapuru
Seresteiro, cantador do meu sertão
Uirapuru, uirapuru
Ele canta as mágoas do meu coração

 


  Henricão/Rubens Campos

Quem parte leva saudades de alguém
Que fica chorando de dor
Por isso não quero lembrar
Quando partiu o meu grande amor

Quem parte leva saudades de alguém...

Ai, ai, ai, ai
Tá chegando a hora
O dia já vem raiando, meu bem
Eu tenho que ir embora

Ai, ai, ai, ai
Tá chegando a hora
O dia já vem raiando, meu bem
Eu tenho que ir embora

Quem parte leva saudades de alguém
Que fica chorando de dor
Por isso não quero lembrar
Quando partiu o meu grande amor
Quem parte leva saudades de alguém...

Ai, ai, ai, ai
Tá chegando a hora
O dia já vem raiando, meu bem
Eu tenho que ir embora

Silvio Caldas e Inezita Barroso


   Paulo Gesta/Augusto Rocha

Queria ser lulu
De madame francesa
Pra passear de cadillac
Apreciando a maravilha
Da natureza
A vida assim é uma beleza
Se eu fosse "esquindi"
Da Frufru, da Margô, e Manon
Passava o dia inteiro tomando leitinho
E comendo bifezinho de filé mignon
Que bom!

Queria ser lulu...

Dizem que a vida de cão é ruim
Juro por Deus, não posso acreditar
Se todos os cachorros passam mal assim
Eu preferia ser lulu para alguém e por mim
Seria filha de um nobre casal
Comia gorduroso, coisa e loisa e tal
E uma babá pra passear comigo
E brincar de tá contigo
Lá no fundo do quintal
Que bom!

Dizem que vida de cão é ruim...

Queria ser lulu...

 


Pedro de Sá Pereira/ Ari Pavão

Deixa a cidade formosa morena
Linda pequena
E volta ao sertão
Beber a água
Da fonte que canta
Que se levanta
Do meio do chão
Se tu nasceste cabrocha cheirosa
Cheirando a rosa
Do peito da terra
Volta prá vida serena da roça
Daquela palhoça
Do alto da serra

E a fonte a cantá
Chuá, chuá
E as água a corrê
Chuê, chuê
Parece que alguém
Que cheio de mágoa
Deixaste quem há de
Dizer a saudade

No meio das águas
Rolando também
A lua branda de luz prateada
Faz a jornada
No alto dos céus
Como se fosse
Uma sombra altaneira
Da cachoeira
Fazendo escarcéu
Quando esta luz
Nna altura distante
Loira ofegante no poente a cair
Dá-me essa trova
Que e o pinho descerra
Que eu volto pra serra
Que eu quero partir

E a fonte a cantá
Chuá, chuá
E as águas a correr
Chuê, chuê
Parece que alguém
Que cheio de mágoa
Deixaste quem há de
Dizer a saudade
No meio das águas
Rolando também

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