Ano V - março  2003 - nº 55

Sua revista com a cara e a alma brasileiras


SUMÁRIO - EDIÇÃO 55
FESTANÇA
CANCIONEIRO

setaquad.gif (95 bytes)O namoro na roça, por Zé do Norte.

setaquad.gif (95 bytes)Casamento de Onório, pasquim recolhido por Osvaldo R. Cabral.

setaquad.gif (95 bytes)Uma seleção de quadrinhas jocosas.

IMAGINÁRIO
OFICINA
PALHOÇA
COLHER DE PAU
PANACÉIA
CATAVENTO
ALMANAQUE
REALEJO
COLABORAÇÕES

 

CANCIONEIRO: Nesta seção, textos sobre música regional; literatura de cordel; cantos de trabalho; poesia popular; desafios; romances; cantos religiosos; quadras, pasquins...


CASAMENTO DE ONÓRIO

Em Costeira há festança
Onório vai se casar,
Foi à cidade urgente
O seu terno foi buscar

O Onório é bom mulato
Mas é um pouco brejeiro,
Gosta de tocar gaita
Pra arranjar algum dinheiro.

Onório foi pra cidade
Sua noiva a esperá-lo,
Se ele não voltar de lancha
De certo vem a cavalo.

Sua noiva é a Belmira
Mulata de bom coração
Se ela casar com Onório
Dará boa criação

Aproximando-se a hora
Do casamento falado
Os convidados já chegando
Entretanto, tudo parado

Belmira metida na seda
No rendão e no filó,
Onório esta na cidade
Procurando o negro Ló

Belmira toda faceira
Toda cheia de rendão
Tudo comprado fiado
E a cama era do João

Já era quase noitinha
Quando Onório chegou
Como não teve dinheiro
O seu terno lá ficou

Belmira esperava o noivo
Como se espera um doutor
Quando Onório chegou
Parecia um desertor

O povo estava cansado
Pois, disto nunca se viu
Até parece que o noivo
Ficou com medo e fugiu

Quando Onório chegou
Parecia envergonhado
Não sabia como falar
Diante dos convidados

Belmira já perguntava
Como hei de me deitar?
Se é de lado ou de costas
Ou de barriga pro ar

Foram depressa chamar
A Caitana na Freguesia
Pois já queriam brigar
O Ludovino com a Maria

Disse Belmira, tristonha
Dou-me bem com o Joaquim
Mamãe, não faça fiasco
Não queira entrar em pasquim

Até a Maria do Lino
No terreiro a falar
A Belmira não casou
Mas, a Chica há de casar

A senhora Feliciana
Com seu vestido levantado
Foi dar parte a Bernardina
Que Onório tinha chegado

Onório quando chegou
Deu volta pela cozinha
Já que não posso casar-me
Vamos comer a galinha

O Joaquim da Libana
Deu voltas pelo terreiro
Onório não se casou
Porque não tinha dinheiro

Onório fingindo doente
Disse que se ia embora
E a pobre da Belmira
Foi quem engoliu a bola

Onório disse ao sair
Corrido por dois polícias
- Hermógenes tu dê lembrança
A mulata da Maurícia

O senhor Manoel do Lino
É um pretinho pimpão
Foi ele quem devorou
O arroz do caldeirão

E, a Maria do Lino
Com os cabelos à escadinha
Ficou triste por ter gasto
Seu dinheiro com galinhas

Debaixo da cama tinha
Um boião cheio de broa
Que não se esqueceu de dar
Dona Maria Laôa

Toda gente esperava
Uma festa tão bonita
A Belmira esperava
Esquentar sua malmita

Acabou-se a festança
Cada um se retirou
Belmira ficou chorando
Porque a panela furou

Onório desapareceu
Belmira ficou assim
De tanto que se livrou
Mas sempre entrou no pasquim



(Em Cabral, Osvaldo R. "Pasquins". Boletim da Comissão Catarinense de Folclore. Florianópolis, ano 2, nº 8, junho de 1951, p.55-56)

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