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| CATAVENTO
- Nesta seção, textos sobre cantigas de roda; acalantos; brincadeiras;
brinquedos feitos em casa; adivinhas; trava-línguas; parlendas; lengalengas; fórmulas de
escolha, mnemônicas... |
O hábito bem brasileiro dos paulistanos de tomar cafezinho a todo momento,
incentivou a prática de um antigo jogo feito com pedrinhas ou sementes, hoje chamado do
palito-de-fósforo ou apenas palitinho.
As regras consuetudinárias do "palitinho" são várias, uma porém é universal
cada jogador disputará com três palitinhos. O número de disputante varia entre
dois e cinco. Raramente além de cinco, porque sendo por exemplo seis, fazem dois jogos de
três, disputando depois os dois vencedores. Vejamos um exemplo em que entrem quatro
jogadores: A, B, C, D. A primeira rodada é apenas para ver a ordem que deve seguir a
"rodinha" de disputantes. Foi o B o ganhador. Então será o último a jogar.
Todos disputantes procuram ocultar a mão, na algibeira ou atrás, nenhum palito colocando
nela ou colocando de um a três palitos. Fecha-a e todos colocam as mãos fechadas na
frente, uma ao lado da outra, geralmente com as unhas voltada para baixo. Então C dirá
um número, a seguir D, depois A, e por último B. Aquele que ficou por último levará
mais tempo para dizer porque procura calcular mediante os números dados pelos demais
jogadores. Todos deram o "palpite". Abrem então a mão e contam os números de
palitos. Pode ser que um acerte. Caso não, recomeça, agora o primeiro a dizer será o B,
depois C, D e A . Coincidindo com o palpite de um dos disputantes, esse é o ganhador que
passará então a disputar com um palito a menos. Cada vez que acertar jogará com um a
menos até sair do jogo quando perfizer três. É vencedor. Os demais irão jogando até
que um fique o perdedor. Este pagará o cafezinho...
Esta é uma das formas que dificulta a disputa porque é necessário guardar de memória o
número de palitos com que cada jogador pode disputar.
Os disputantes acordam sobre as maneiras de conduzir o jogo e a seleção do perdedor:
Exclusão imediata do vencedor (quando se tem pressa); não disputará mais o que tiver
duas vitórias seguidas. Quando há apenas dois disputantes, e há tempo de sobra, jogam a
"melhor das cinco" ou outra combinação qualquer.
O jogo generalizou-se não só na Paulicéia mas em várias cidades e capitais
brasileiras. É, além de boa distração, uma forma acalentadora dessa verdadeira fobia
que o homem tem de "arriscar a sorte para ganhar".
Na paisagem citadina é comum ver-se nas calçadas ou nas portas de bares, restaurantes,
cafés, quatro ou mais homens com a mão fechada e estendida para o centro da roda que
formaram, calados e com "cara de quem está pensando". São "barbados"
jogando palitinho, disputando quase sempre, qual deles pagará o cafezinho...
Nas rodas boêmias e de freqüentadores de bares no Rio de Janeiro um jornalista chegou a
organizar um "campeonato de palitinho" vencido por um tal doutor Zuru que
afirmou: "Desde que apareceu o jogo do palitinho, nunca mais paguei um cafezinho.
Convido os amigos, mas, no palitinho eles é que pagam... quando muito na quinta rodada
já estou fora, mais de fora que joelho de escoteiro..."
(Araújo, Alceu Maynard. Folclore
nacional. São Paulo, Edições Melhoramentos, v.3, p.347-348) |
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