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Almanaque: Nesta seção, textos sobre variedades; frases de pára-choques de caminhões; passatempos; provérbios; curiosidades; pregões de ambulantes; causos; anedotas; folclore de botequim; latrinália; escritos em papel-moeda; anedotas; charadas...


setaquad.gif (95 bytes)As lendas de São José

setaquad.gif (95 bytes)Março, mês de São José

setaquad.gif (95 bytes)Pelo correio eletrônico

setaquad.gif (95 bytes)Calendário

setaquad.gif (95 bytes)Latrinália

setaquad.gif (95 bytes)No Estradão

setaquad.gif (95 bytes)Escrito em papel-moeda

setaquad.gif (95 bytes)Na parede do boteco

setaquad.gif (95 bytes)Máximas do Barão de Itararé

setaquad.gif (95 bytes)Provérbios

Mariza Lira


Primitivamente, março foi o primeiro mês do calendário romano, hoje é o terceiro.

Dedicado a Marte, deus da guerra é, no entanto, um mês pleno de tranqüilidade, embora seja de arrefecimento. Haja vista que é durante seu transcurso (21 de março), que no nosso hemisfério, o verão se arrefece para dar lugar ao outono.

E nem esse acontecimento, quase imperceptível para nós, fica sem o registro da poética popular, que diz assim:

Em março vai-se o verão
Para o outono dar lugar
Todas as árvores dobram ramos
Para seus frutos ofertar

No seu versejar constante, a alma simples da nossa gente, liga a seqüência dos meses às pazes gostosas dos seus amores:

Em março te conheci
Logo em abril te namorei
Em maio foi que noivei
Té que em junho me casei...

E observando os próprios fenômenos atmosféricos, o povo gosta de fazer prognósticos:

Março ventoso, abril chuvoso...

Ou

Março chuvoso
São João farinhoso...

Mas como a março sucede o mês de abril, não dando tempo para nada, nemmesmo para comparações, conclui:

De março a abril pouco há de vir

Tirando, porém, a passagem do equinócio, a maior data de março é o dia de São José.

Padroeiro dos "bem casados", como protetor dos agonizantes, São José, que descende da nobre família dos David, por sua bondade, tolerância e pureza mereceu do Senhor a mais alta dignificação.

Sem milagres espetaculares, santo por vontade direta do Senhor, tem uma alma serena, mas, sensível, na história do cristianismo. Dizem que morreu muito velho.

Ninguém lhe nega dedicação protetoral a Jesus, desde a fuga memorável da Sagrada Família para o Egito.

Conta-nos a Bíblia da sua escolha para o pai de Jesus sob um aspecto lendário.

O anjo do Senhor, certa vez, teria aparecido a Zacarias ordenando-lhe: "Convoque entre o povo aqueles que são livres. Diga-lhes que cada um compareça com o seu cajado para que o Senhor, a um sinal especial, designe o que deverá desposar Maria, a virtuosa Virgem de Nazaré."

Em forma de arauto, a ordem espalhou-se por todo o país da Judéia.

No dia marcado todos acorreram ao chamado do Senhor. Até José na sua modéstia e no seu recolhimento, não se furtou ao cumprimento da ordem divina, postando-se com os outros à porta do templo com o seu cajado.

Um sacerdote recolheu os cajados, levando-os ao interior do templo para orar e benzer.

Pouco depois voltava. Ao entregá-los aos seus donos, repara que o de José estava florido e dele voa uma pombinha branca que lhe vai pousar na cabeça.

Estava dado o sinal.

O sacerdote diz-lhe então: — És o designado pelo Senhor para receber como esposa a Virgem que será a mãe do filho de Deus.

E José foi esposo de Maria... Abandonou tudo, tornou-se carpinteiro para da sua oficina melhor zelar pelo menino Deus e ali lutou modestamente pelo bem-estar da Sagrada Família.

Essa lenda angelical prende-se a muitas outras, de várias procedências e múltiplos aspectos, criadas pela imaginação popular em torno do tema simbólico de inocência e pureza — o cajado florido.

Esse tema foi criado, por certo, pela literatura da época, como motivo primordial de edificação do cristianismo.

E desde então vem correndo mundo, ora apontando missão excepcional a certos personagens, ora exaltando virtudes de um santo ou glorificando um mártir.

O que não resta a dúvida é que essa lenda, mesmo tratada pelos escritores de vários países e épocas selecionadas e estudadas pelos mais categorizados folcloristas, sofre de fato sensíveis alterações, mas, que não afetam a estrutura de tradicionalismo imorredouro.

O culto de São José espalhou-se no Oriente desde o século V, sendo adotado no Ocidente aí pelo ano de 800.

Foi pelos papas Pio V, Urbano VIII, Pio X e Leão XIII, determinada a toda a cristandade as obrigações, festas e ofícios inerentes ao culto do esposo de Maria.

Tomaram-no como protetor dos carpinteiros e no Rio de Janeiro foi o padroeiro da "bandeira" desse ofício.

O papa Leão XIII, preocupado com a questão social que assaltou o mundo, considerando São José um modelo de virtude, assim aconselhou aos trabalhadores na magistral encíclica Quainquam-peuries, 1889:

"Quanto aos proletários, aos operários, têm eles, um direito especial a recorrer a São José, com efeito, sendo de origem régia, unido pelo matrimônio à primeira e mais santa entre as mulheres, para ser tido como o pai do filho de Deus, passa porém a vida a trabalhar e pede só ao seu labor de artífice tudo quanto é necessário para sustentar a família."

Sâo José, no Brasil, tem um lugar destacado entre as devoções de maior fulgor.

Há uma fé muito especial pelo santo velhinho carpinteiro, notadamente dos noivos que na esperança de um matrimônio feliz, preferem o dia e também a igreja de São José, para esperançosos irem receber o sagrado matrimônio.

Inúmeras localidades do Brasil têm a sua denominação ligada ao nome de São José e raro é a igreja ou capela onde não haja a imagem sagrada do virtuoso carpinteiro ou da Sagrada Família — Jesus, Maria e José.

Na imaginação popular perdura aquele quadro seráfico que se fixou no subconsciente brasileiro desde quando pequenino, o Brasil ouvia da mamãe, da vozinha, ou da mãe preta, o doce ingênio acalento:

Nossa Senhora lavava
São José estendia
O menino chorava
Do frio que sentia

E para terminar ainda uma quadrinha ouvida de uma velha beata carioca:

Ó, São José, bom velhinho
Querido esposo de Maria
Protegei vossos devotos
Como do Brasil — a família

(Lira, Mariza. "Março, mês de São José")

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