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BOLÔ FEDÔ...

Quando, num grupo de crianças, percebia-se um mau cheiro suspeito, procurava-se descobrir de quem partira, a fim de envergonhar o culpado e assim puni-lo pela falta de controle...

Para isso, recorria-se a certas palavras apropriadas, que se pronunciavam escandindo as sílabas, como numa contagem de pique.

A criança em quem recaísse a última sílaba ficava indicada como a "fedorenta", mesmo que estivesse inocente.

Era vaiada em altas vozes, e as companheiras, abanando o nariz, dela se afastavam com caretas e trejeitos de nojo.

No Estado do Rio de Janeiro, região de Campos e São João da Barra, dizia-se originalmente:

Bolô, fedô,
Da casca do ovo...
Quem foi,
Que se fumô?
Foi seu dotô,
Debaixo do cobertô...


Posteriormente, porém, passou-se a acrescentar mais esse requintado detalhe:

Foi na privada,
Não se alimpô!...


Em Pernambuco, a mesma prática valia-se de palavras semelhantes, na forma que se segue:

Panelinha de bobô,
Foi no má e afundô...
Texto, panela,
Bolô, fedô!...



(Rodrigues, Ana Augusta. Rodas, brincadeiras e costumes, p. 169)