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Março 2001
Ano III - nº 31

AO PALADAR GAÚCHO

Comidas e bebidas ao paladar gaúcho: churrasco, arroz de carreteiro, guisado de tropeiro, fervido ou puchero, espinhaço de ovelha, aves (perdiz), outras caças (tatu-mulita), chimarrão e agora o vinho que o colono italiano introduziu. Nas sobremesas está presente o leite de mistura com produtos da terra bem cozidos (batata-doce, abóbora) e os famosos doces de Pelotas.


Churrasco


A matéria-prima é abundante e das melhores do Brasil - a carne bovina. "Almoçou no campo, comeu churrasco." Quando se vai parar rodeio - churrasco é o imperativo.

Há dois tipos de churrasco: o de alimento, que é ao ar livre, ou no galpão, no campo, na lide campeira e o de festa, em casamento, aniversário, reunião política, etc.

O homem gaúcho não cozinha, isso é trabalho de mulher, mas churrasco quem faz é o homem exclusivamente. A mulher faz carne assada, a própria salada (batata cozida, tomate, cebola) para comer com churrasco, mas quem maneja o espeto é o homem. Churrasco não é comida de mesa, é de campo, e a carne preferida é costela ou qualquer outra onde haja osso. Tempero: água e sal antes de servir. Não raro come-se com farinha de mandioca. Ao fogo, no braseiro, a carne no espeto vai sendo virada até chegar ao ponto que se quer.


Arroz de carreteiro


Corta-se o charque gordo em nacos, frita-se bem e ajunta-se ao arroz, ao cozinhá-lo. A carne de vaca pode ser substituída por lingüiça de porco.


Fervido ou puchero


É o prato mais substancioso de todos ao paladar gaúcho. É uma espécie de sopa com muitos legumes juntos: batata-inglesa desfazendo-se, abóbora, batata-doce, couve e carne bem gorda, se desmilingüindo. Come-se com pirão de farinha de mandioca. O caldo é tomado separadamente. Come-se muito por ser prato leve e de "sustância".


Espinhaço de ovelha


Cozinha-se com batatas inglesas ao ponto de se desmancharem. O tutano e as cartilagens, o bom é procurá-los com os dentes. E para completar: não se usa faca nem garfo... Come-se com arroz.


Bebidas


A bebida por excelência do gaúcho é o chimarrão, tomado na cuia e pela bombilha ou bomba. Sobre a erva-mate em pó é colocada água fervente. Com água fria é tereré.

Graças ao uso do chimarrão, a cachaça foi pouco difundida na área campeira. Agora já se bebe muito vinho, influência da colônia italiana; a "dona" cachaça só tem vez quando de mistura com butiá... principalmente na festa das Melancias em Porto Alegre.


Sobremesa


Leite com batata-doce, milho verde, mugango, abóbora-menina bem cozidos com açúcar: o tropicólogo Barbosa Lessa aconselha tomar em prato fundo, com direito a repetição...

Leite com cuscuz. Este é preparado no bafo da chaleira: nada mais que um bolo de farinha de mandioca pura.

Vinho com arroz. Ao invés do arroz-doce tradicional, põe-se vinho no lugar do leite. Receita dos italianos. Vale a pena experimentar. Deles também veio a receita do tremilique, gelatina feita com vinho.

Os portugueses legaram aos gaúchos os famosos doces de Pelotas: pastel de nata, pastel de Santa Clara, etc.


Guisado de tropeiro


Carne bem cozida, desmanchando. Da água com que se cozinhou a carne, prepara-se o pirão de farinha de mandioca. Come-se também com arroz.


[1973]


(ARAÚJO, Alceu Maynard. Cultura popular brasileira)

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