
Filó: - Ave Maria, cheia de graça...
Guil: - A carestia invadiu a praça.
Filó: - O Senhor é convosco...
Guil: - A fome é conosco.
Filó: - Bendita sois entre as mulheres...
Guil: - Não paguei o armazém do seu Peres.
Filó: - Bendito é o fruto...
Guil: - E a cara do bruto?
Filó: - Do vosso ventre: Jesus...
Guil: - Devo ainda gás e luz.
Filó: - Santa Maria, mãe de Deus...
Guil: - Os bancos são dos ateus.
Filó: - Rogai por nós, pecadores...
Guil: - Somos nóis os devedores.
Filó: - Agora e na hora...
Guil: - De pagá juros e mora.
Filó: - De nossa morte, amém.
Guil: - Mas, a inflação também.
Filó: - Em nome do Pai, do Fio, do Esprito Santo.
Guil: - Ajudai-nos, Senhor... Nóis já sofrêmo tanto!
(Em BOLDRIN, Rolando. Empório Brasil; atos e artefatos)

Caipira vai passando na frente de uma casa que vende
artigos para cabeleireiros. Numa placa está escrito: "Artigos para toucador".
Capirira entra, vai pra mocinha que atende o balcão e pede:
- Quero um cordoamente pra viola.
(BOLDRIN, Rolando. Empório Brasil)

"Medecin... malgré lui"
Joaquim Manuel de Macedo, o famoso autor de A Moreninha, exercia a medicina durante
o seu tempo de estudante, quando ia a Itaboraí, sua cidade natal. Uma vez formado,
abandonou a profissão de tal modo, que não se lembrava, às vezes, que era médico.
Certo dia, morreu-lhe em casa uma pretinha, sendo necessário, para enterrá-la, um
atestado médico. Distraído, o romancista saiu, e, ao chegar à cidade, encontrou-se com
o barão de Capanema, que perguntou aonde ia. Macedo contou-lhe o que lhe ocorrera em
casa, e a sua atrapalhação para o enterro.
- Agora, o pior - terminou - é um médico para o atestado.
- Um médico? - fez Capanema, espantado.
- E sacudindo-lhe o braço:
- Aqui está um!
E riram, os dois.
(MENDONÇA, Salvador de. O Imparcial, janeiro de 1913. Em CAMPOS, Humberto de. O Brasil
anedótico)
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O meu nome é Zé Limeira
De Lima, Limão, Limansa
As estradas de São Bento
Bezerro de vaca mansa
Vala-me, Nossa Senhora
Ai que eu me lembrei agora
Tão bombardeando a França
Ninguém faça pontaria
Onde o chumbo não alcança
E vou comprar quatro livro
Pra estudar leiturança...
Bem que meu pai me dizia:
Jesus, José e Maria
São João das orelha mansa!
Ainda não tinha visto
Beleza que nem a sua
De cipó se faz balaio
A beleza continua
Sete-Estrelo, três Maria
Mãe do Mato, Pai da Lua!
A beleza continua
De cipó se faz balaio
Padre Nosso, Ave-Maria
Me pegue senão eu caio
Tá desgraçado o vivente
Que não reza o mês de maio!
Sei quando Jesus nasceu
Num dia de quinta-feira
Eu fui uma testemunha
Sentado na cabeceira
São José chegou com um facho
De miolo de aroreira
Um dia o rei Salomão
Dormiu de noite e de dia
Convidou Napoleão
Pra cantar pilogamia
Via a princesa Isabé
Que já morou em Sumé
No tempo da monarquia!
Zé Limeira quando canta
Estremece o Cariri
As estrelas trinca os dentes
Leão chupa abacaxi
Com trinta dias depois
Estoura a guerra civi! |

É por meio da leitura
Que poderá a criatura
Na vida desenvolver
O livro é companheiro
Mais fiel e verdadeiro
Que nos ajuda a vender
(Trecho de Ao meu afilhado Cainã) |

Aviso aos
navegantes:
não há bóia no Brasil. |
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