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Sumário | Festança | Cancioneiro | Imaginário | Oficina | Palhoça | Colher de Pau | Panacéia | Catavento


A classe de Folclore Nacional, do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, realizou no primeiro semestre do presente ano um inquérito sobre alcunhas e jogos infantis, da nossa capital.

Participaram do trabalho, cerca de oitenta alunos, quase todos demonstrando maior interesse pelo registro, que deveriam realizar.

O resultado dessa colheita foi entregue ao professor da cadeira, em junho. E, então, desejando colaborar na divulgação de material sobre apelidos, colecionamos alguns deles, na ordem alfabética, com a respectiva explicação e o nome do informante, a fim de apresentá-los aos nossos leitores, como uma achega aos estudos da literatura oral da classe média de São Paulo.

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1. Açucareiro: Por estar sempre com as mãos na cintura (Gina Frosini)

2. Açucareiro: Por ter as orelhas muito grandes e abanadas (Darcy Matua)

3. Alfinete Sonoro: Locutor muito magro (Nelson C. Pires)

4. Ali-Babá: Porque era feliz nos negócios (Edméia Mendes)

5. Arnica: Por receitar sempre esse remédio (Yedda Serafini)

6. Avenca: Por gostar de "sombra e água fresca" (Antônio F. Marmora)

7. Barata Descascada: Por ser muito branca (Felipa Coelho Neto)

8. Bastião Mudança: Por estar sempre mudando (Hermegênes Camargo)

9. Besuntão: Por andar constantemente com a roupa suja (Antônio F. Marmora)

10. Bigodinho de Prata: Por ser muito convencido do seu bigode (Dirce P. Timóteo)

11. Biriba: Por ser muito metido (Clara Cohen)

12. Bita: Por ter sido criada mamando em cabra (Hermôgenes Camargo)

13. Bizão: Por ser muito peludo (Felipa Coelho Neto)

14. Boca Mole: Por falar devagar (Yedda Serafini)

15. Boca Rica: Por ter muitos dentes de ouro (Hercília C. P. da Fonseca)

16. Bodoque: Por ter as pernas tortas (Hermegênes Camargo)

17. Bola Seis: Por ter a careca rosada como a sexta bola da sinuca (Felipa Coelho Neto)

18. Bola Sete: Por ser preto como a sétima bola da sinuca (Vilma Gomes)

19. Bomba Atômica: Por ser muito inteligente e viva (Vilma Gomes)

20. Boticão: Por ter dentes muito grandes (Gina Frosini)

21. Broto de Jaca: Por ser muito desenvolvida e contar apenas 16 anos (J. J.)

22. Cabeleira de cometa: Por ter cabelo muito liso e penteado para trás (Lisa Kechichian)

23. Cabide: Por ser entregador de uma tinturaria (Felipa Coelho Neto)

24. Cacolé: Por ser comprador de coisas velhas (Gina Frosini)

25. Canta-Galo: Italiano sapateiro, que colocou em sua oficina um cartaz com o desenho de um galo e os seguintes dizeres: "Nesta casa só se fia quando este galo cantar". Os fregueses, então, o apelidaram de "canta-galo" (G. dos Santos)

26. Capituba: Por tomar sempre pinga desse nome (Sebastião Morais)

27. Carijó: Por ser sardento (Hermegênes Camargo)

28. Cateto: Por ter cabelo eriçado (Tereza Loureiro)

29. Caxinguelê: Por estar sempre bêbado (Geni de O. Santos)

30. Chaminé: Por estar sempre fumando (Felipa Coelho Neto)

31. Chapadão: Por ter os pés esparramados (Terezinha A. P. S. Nunes)

32. Cheira Céu: Por ser muito alto e ter o nariz arrebitado (Hercília C. P. da Fonseca)

33. Chico Botão: Por andar sempre de botas (Felipa Coelho Neto)

34. Chico Doce: Por ser muito bom (Felipa Coelho Neto)

35. Chico Lingüiça: Por ser muito alto e vermelho (A. M.)

36. Chico Miséria: Por ser pão duro (Geni de O. Santos)

37. Chochoca: Quando criança gostava de ficar agachado nos cantos da casa (Pedro J.)

38. Chupa-Ovo: Por ter lábios para dentro (Antônio F. Marmora)

39. Coca-Cola: Por ter cara enjoada (Felipa Coelho Neto)

40. Cochicho: Por falar muito alto (Geni de O. Santos)

41. Coisa Medonha: Por usar sempre essa expressão (Hermêgenes Camargo)

42. Cometa: Por não parar em nenhum lugar (Felipa Coelho Neto)

43. Coringa: Por estar em toda parte (Hermegênes Camargo)

44. Crente: Por estar sempre estudando (Hermegênes Camargo)

45. Curiango: Por enxergar pouco (Hermegênes Camargo)

46. Dalila: Apelido de um sargento que quando enxerga um praça com o cabelo um pouco crescido, manda-o cortar imediatamente (Cila Berman)

47. Dobradiça: Esportista que quando remava seguia com a cabeça o movimento do remo (Edméia Mendes)

48. Doce de Abóbora: Professor muito nervoso, que quando formulava uma pergunta e ninguém sabia, dizia: "doce de abóbora, vamos, está valendo um doce de abóbora" (Dirce P. Timóteo)

49. Doce de Leite: Por ser muito perfumado e cheio de não-me-toques (Gisela R. Kroner)

50. Dragão Dengoso: Por ser muito feia e enfeitada (Gina Frosini)

51. Esfinge: Por falar pouco (Felipa Coelho Neto)

52. Espalha-Brasa: Por ser muito atrapalhada (Felipa Coelho Neto)

53. Espirro: Por ser muito pequeno (Josefina B.)

54. Esponja: Por beber demais (José Cruz)

55. Esqueleto Engomado: Por ser muito alto e magro (Marjory S. Colagrossi)

56. Estanhado: Por ser funileiro (Elide Menato)

57. Eva Sem Costela: Por ser muito enjoada e não dar confiança a ninguém (Marjory S. Colagrossi)

58. Fetinho: Por ser imberbe e ter cara de criança (Felipa Coelho Neto)

59. Fifi Vaselina: Por se pentear impecavelmente (Dirce P. Timóteo)

60. Fóssil: Por ser muito arcaico (Felipa Coelho Neto)

61. Gafanhoto: Por comer tudo o que encontra (Felipa Coelho Neto)

62. Gato Bravo: Por ter olhos vivos e bem verdes (Odilon Antunes)

63. Gazetinha: Pelo fato de espalhar tudo o que sabe (Rosa de C.)

64. Grão de Bico: Por ter o rosto redondo (Eunice E. Marquert)

65. Guarda-Roupa: Porque seu único assunto era vestidos e toilette (Gina Frosini)

66. Jaboti: Por ser muito vagaroso (Geni de O. Santos)

67. Jabu: Por ser careca, assim o chamavam, devido ao anúncio: "Passe o Jabu careca e chame o cabeleireiro" (Felipa Coelho Neto)

68. João Melado: Por usar barbicha rala e untada de óleo (D. Tabet)

69. João Mingau: Por ser muito pálido (Felipa Coelho Neto)

70. Jóquei de Elefante: Por ser muito grande e gordo (Hercília C. P. da Fonseca)

71. Leão da Metro: Por ter uma enorme cabeleira (Maria L. V. Pimentel)

72. Lobo Mau: Inspetor de colégio muito austero (Lena Fiorito)

73. Lustroso: Por ter o rosto muito brilhante (Edméia Mendes)

74. Macaco Elétrico: Por ser grande e nervoso (Felipa Coelho Neto)

75. Mãe das Laranjas: Professora que nos exemplos de aritmética usava sempre essa fruta (Gina Frosini)

76. Manequim: Por andar muito durinha (Felipa Coelho Neto)

77. Manivela: Porque quando começa a falar não pára mais (Felipa Coelho Neto)

78. Manjuba (peixe): Por ser alto e magro (Hermegênes Camargo)

79. Manteiga Derretida: Por ser chorona (Terezinha de J. Ornelas)

80. Mão Furada: Por derrubar tudo o que pega (Felipa Coelho Neto)

81. Marcha-À-Ré: Sempre que lhe perguntavam como estava passando, respondia: "Vai tudo de marcha-à-ré" (Edméia Mendes)

82. Maria Mole: Por ser muito preguiçosa (Felipa Coelho Neto)

83. Maria Zoada: Por falar demais e em voz alta (H. Cortat)

84. Mata-Cristo: Ourives que derretia crucifixos (Nautila Fiore)

85. Matarazzo: Negro remediado, que tinha vários negócios (A. T.)

86. Matraca: Por falar demais (Felipa Coelho Neto)

87. Meia-Noite: Por ter espírito boêmio e ser o último a deixar os bares (Ana M. Malandrino)

88. Minhocão: Por ser muito grande (José F. de Abreu)

89. Miss Marmita: Candidata e vencedora de um concurso de beleza. Quando pequena entregava marmitas, daí trocarem-lhe (Josefina Lombardi)

90. Mogiana: Por ser muito barulhenta (Ruth Dias dos Anjos)

91. Moringa: Por ter o pescoço muito comprido (Hermegênes Camargo)

92. Nanquim: Por ser muito preto (Benedito Silva)

93. Negativo: Por negar tudo o que diz (Paulo Rossi)

94. Negro Velho: Por viver resmungando (Felipa Coelho Neto)

95. Nhaninha Canjica: Por ter os dentes muito brancos (Tereza Teixeira)

96. Nhô Quim Queima Roupa: Por ser muito mentiroso (Cila Berman)

97. Novelo de Lã: Por ser gorda e não ter cintura (Lena Fiorito)

98. Panetone: Por ser muito gordo (Felipa Coelho Neto)

99. Pão de Banha: Por ter o rosto muito brilhante (Terezinha de Barros)

100. Pão-de-Ló: Por ser muito maneiroso (J. J.)

101. Pé de Breque: Por ser amalucado (Emy Okamoto)

102. Pé de Ferro: Por chutar o que encontra no caminho (Yedda Serafini)

103. Pé de Leque: Por ter os dedos afastados um dos outros (Josefina Lombardi)

104. Pé de Valsa: Por dançar muito bem (Yeda Serafini)

105. Pé Gelado: Por não ter sorte (Hercília C. P. da Fonseca)

106. Pega-Fogo: Por ser ruivo (Felipa Coelho Neto)

107. Peito de Aço: Por ter muita pose (Hercília C. P. da Fonseca)

108. Pelica: Por ser muito labioso (Edith R. Tanchella)

109. Peludo: Por ter muita sorte (Adolfo M. Lopes)

110. Pia-Fino: Por ter voz muito grossa (Geni de O. Santos)

111. Pipoca: Por apresentar no rosto sinais de varíola (Sérgio de O. Corrêa)

112. Pixoxo: Por repetir muitas vezes a mesma história (Darcy Matua)

113. Portinari: Por ser muito feia (Áurea Varella)

114. Prefeito: Por ser muito convencido (Emy Okamoto)

115. Pudim: Por ser muito delicado e meloso (Diogo Meireles)

116. Pula Muro: Por andar a passos largos (Nautilia Fiore)

117. Puro-Sangue: Por gostar de andar sozinho (Felipa Coelho Neto)

118. Quatro-Paus: Por fazer e saber tudo (Antônio F. Marmora)

119. Ratazana: Por fazer tudo rapidamente (Gina Frosini)

120. Rosa Branca: Senhor de cor, muito amável e bom (Valdomiro J. de Oliveira)

121. Rosa Marimbondo: Por viver resmungando (Leony Haddad)

122. Sapicuá: Por se vestir muito mal, sempre sujo e rasgado (Geni de O. Santos)

123. Selo: Sujeito muito cacete (Hermegênes Camargo)

124. Semana-Santa: Por ser excessivamente religioso (Elisabeth Menten)

125. Serpentina: Por se requebrar ao andar (Lena Fiorito)

126. Sim-Sim: Por concordar com tudo (Felipa Coelho Neto)

127. Sombração: Por viver em macumbas (Elisabeth Menten)

128. Televisão: Por ser muito magro, quase transparente (Naney Carbone)

129. Tetéia: Por ser afeminado (José F. de Abreu)

130. Tico-Tico: Por ser magrinha e irrequieta (Felipa Coelho Neto)

131. Tijolo: Por ser muito burro (Hermegênes Camargo)

132. Tiririca: Por ser intragável (Felipa Coelho Neto)

133. Tocha: Por ser muito ruivo (Felipa Coelho Neto)

134. Tortura: Por ser muito cacete (Terezinha de J. Ornelas)

135. Tostão: Por ser muito pequeno (J. J.)

136. Vareta: Por ser muito magro (Felipa Coelho Neto)

137. Vassoura de Piaçava: Por ter o cabelo duro (Clara Cohen)

138. Ventania: Por fazer tudo apressadamente (Gina Frosini)

139. Vento Encanado: Por ser muito cacete (J. L. de M. Pati)

140. Vidinha: Por ser muito calma e preguiçosa (Luiza Rodrigues)

141. Vinte e Cinco de Março (rua comercial de São Paulo onde predominam os sírios): Por ser filho de sírios (Marisa M. Manfredin)

142. Vitamina: Por ser muito magro (Felipa Coelho Neto)

143. Vó do Sarampo: Por ser muito amolante (J. L. de M. Pati)

144. Zé da Toca: Por ser muito caseiro e comodista (Tereza Teixeira)

145. Zé Galinha: Por gostar muito de brigas de galo e andar sempre com um debaixo do braço (Hermegênes de Camargo)

146. Zero Um: Por ter um olho fechado (Terezinha de J. Ornelas)

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[1952]

(JAPUR, Jamile. Em Folclore)

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