| Os nomes populares destes padrões são os
mais interessantes e pitorescos, alguns chulos ou inconvenientes, outros líricos,
variando de estado a estado, e mesmo de localidade a localidade. Oferecemos aqui uma lista
dos nomes que conseguimos recolher, na certeza que estamos longe de esgotar sua extensa
lista. Todos esses padrões acham-se representados nas rendas da colaboradora Luiza Ramos,
e assim pudemos apurar a autenticidade das informações. Aí vão eles por estados e por
ordem alfabética. Em Alagoas, colhemos os
seguintes: Amor em pedaços, Agripu ou Gripi (corruptela de guipure, assim chamada por ser
uma renda de bilros sem retículas), Aranha presa na corrente, Bolachinha, Bucho de
catenga, Caracol, Casa de Aranha, Casca de cobra, Corrente, Cotovelo, Croton, Cu de pinto
(ponto e padrão), Cu de periquito, Dente de caranguejeira, Esbarre, Escada de palácio,
Espetada de muçú, Esses (S S S), Estrada de ferro, Estrela matutina, Farofa, Flor de
mamão, Grega, Jasmim, Ponta de Leque, Mão de onça, Medalha, Melindre ou Ponto de rato,
Melindre cacheado, Muleta, Olho (ôio) de jandaia, Palma, Papagaio (o mesmo olho de
jandaia), Ponta de Ferro, Sobrancelha, Sobrecu de pinto, Tapioca sem coco, Unha de
preguiça.
Do Ceará, conseguimos reunir os seguintes: Alegria do
pobre (alusão ao fato de ser uma renda fina e barata, acessível à bolsa das pessoas
pobres), Amor em pedaços, Bogari, Bunda da sapo, Cu de pinto (ponto e padrão), Caracol,
Carolina (o mais difundido em vários estados), Casco de burro, China, Cobrinha, Copinho,
Corrente, Costela, Crisântemo, Cruzeiro e Cruzeiro pequeno, Dado, Dadinho, Estrela do
mar, Folha do mar, Girassol, Grega Sutaxe, Grelô, Itália, Lua pequena, Luazinha,
Margarida, Margaridão, Margaridinha, Maria Bonita, Miolo, Orelha de burro, Olho de pombo,
Olhinho, Palha de coqueiro, Pata de siri, Rabo de pato, Tijolinho, Tijolinho de pano,
Tripa de porco...
Os informante de Sergipe nos forneceram os seguinte
padrões: Aranha (ponto e padrão), Bico de coco, caracol, Cu de pinto (ponto e padrão),
Espinha de peixe, França (assim chamada porque o padrão foi copiado de renda mecânica
ou "renda francesa", como lá é chamada), Jasmim, Mosca (ponto e padrão),
Mosquitinho-e-boa-noite, Oitos (rendas em 8 8 8 deitados), Olho de pombo, Olho de
periquito, pilãozinho...
Na Paraíba, os nomes Amor em pedaços, Margaridão e
Estrada de Ferro são muito encontradiços. Já na Bahia só conseguimos até agora
recolher a expressão Boca de sapo, como um nome popular e padrão.
No Estado do Rio (Campos), ocorrem as expressões
Cocadinha, Cu de sapo, Leque , Porta de Igreja, Ventania, Xadrez... Em Santa Catarina,
apenas nos foram trazidas ao conhecimento as expressões Boca de sino e Abacaxi, aliás
padrões dos mais característicos das rendas sulinas.
De Pernambuco, temos Coqueiro, uma das mais finas rendas
e feita em 1903, com linha de linho.
Rendas com desenhos de letras (No Ceará o P maiúsculo)
e nomes aparecem por vezes. Assim por exemplo, no Ceará, os dizeres que conseguimos
recolher são: Saudade, Amizade, Boa Noite, Raimunda (e nomes próprios em geral). No
Piauí: Saudade. Em Alagoas: Amizade, Sinceridade, Amor, Boa Noite... expressões líricas
que assinalam os sentimentos habituais e as regras de etiqueta existentes entre as
rendeiras nordestinas. Outras vezes são símbolos sacros, como J H S, para ornamentos de
altar.
Muitos desses nomes populares de padrão são comuns a
dois ou mais estados, como se viu. Assim Amor em pedaços é comum a Alagoas, Ceará e
Paraíba; Caracol existe em Alagoas, Ceará e Sergipe; Corrente, em Alagoas e no Ceará;
Margaridão, no Ceará e Paraíba... Outros oferecem variantes, como Estrela matutina de
Alagoas e Estrela do mar do Ceará; Olho de pombo do Ceará e Sergipe e Olho de jandaia de
Alagoas, havendo ainda as expressões Olhinho (Ceará) e olho de periquito (Sergipe). A
Estrada de ferro de Alagoas e Paraíba passa a ser Trilho de ferro do Ceará. Cocada, em
Alagoas muda para Cocadinha no Estado do Rio, assim como Ponta de leque de Alagoas se
reduz a Leque no Estado do Rio. E nem sempre as rendas são iguais em padrão e pontos,
apesar de terem o mesmo nome, ou semelhantes, em diferentes Estados.
(RAMOS, Luiza e Arthur. A Renda de Bilros e sua
Aculturação no Brasil.) |

Exemplos de padrões:
1- Cu de pinto
2- Tapioca sem coco
3- Papagaio ou Ôio de Jandaia
4- Escada de palácio
5- Pata de siri
6- Alegria do pobre
7- Renda em esses
8- Muleta
9- Carolina
10- Renda com as letras formando a palavra Saudade
11- Renda de fibra de bananeira |