Ir para a página principal

fiomenu.gif (223 bytes)
Festança
Cancioneiro
Imaginário
Oficina
Palhoça
Colher de Pau
Panacéia
Catavento
Almanaque
Candeeiro
Mural
Expediente

fiomenu.gif (223 bytes)
Folhinha
fiomenu.gif (223 bytes)
Arquivos
fiomenu.gif (223 bytes)
Outras Edições
fiomenu.gif (223 bytes)
Busca

fiomenu.gif (223 bytes)

Retornar para Oficina

ESTEIRAS

As esteiras são feitas em tear, medindo por volta de um metro de comprimento. Espessura, comprimento e largura das esteiras variam muito, pois existem vários tipos. A altura do tear é móvel, ajustada de acordo com a comodidade de quem está trabalhando nele no momento.

As esteiras são medidas a palmos, tanto para o comprimento, como para a largura. Esteiras compridas são usadas nas camas com a função de colchões. Esteira curta é usada para cobrir as mercadorias e para forrar o chão, pois as pessoas sentam-se sobre as esteiras como se fossem cadeiras.

Sobre o tear para esteiras fazem-se de seis a doze cortes em V chamados de dentes do tiá. Sobre eles ficam dependurados os pauzinhos cheios com embira, para tecer as esteiras.

O tear é sempre amarrado sob uma árvore frondosa, de modo a proteger as fazedeiras de esteira, da chuva e do sol.

O preço das esteiras oscila, dependendo do comprimento, da largura e também da época em que são feitas, da sua espessura e do tipo de sapé.

A embira é obtida da pita (piteira – Foureoya gigantea Vent), reduzida a fibra.

A pita é colocada n’água durante quinze dias; após retirada, é batida com um pau pesado até que fique esmigalhada, lavada, torcida é colocada pra secar espalhada sobre a areia. Após a secagem, é recolhida à noite, para evitar que fique áspera.

Para a corda de embira, colocada nos cambitos, é usado também como sapé novo previamente posto ao sol para secar e, a seguir, trançado.

As esteiras são feitas com sapé bem secos e, novamente, molhados na hora de trançá-los. Se o sapé for áspero, as esteiras ficam rijas e perdem as características principais: maciez e lisura.

Os sapés são tirados nos brejos. As moitas de sapés, mesmo quando estão dentro de propriedades particulares, são consideradas bem comum, porque nascem espontaneamente, (nas regiões alagadiças) onde existe água com um certo tipo de lama.

Tirar sapé é trabalho de homem, e considerado pesado para mulheres e crianças. Exige saúde, força e disposição para ficar n’água funda e lamacenta por dias inteiros.

A ferramenta usada no corte de sapé é o facão de gancho do corte de cana. Com ele, o cortador puxa para perto de si os sapés que a correnteza vai levar; e puxa mais de um sapé de cada vez.

É serviço feito por dois homens, por causa dos riscos que oferece e também porque enquanto um corta o outro amontoa na beira da estrada. O transporte é feito no mesmo dia por caminhões, cavalos e carroças, para casa, onde mulheres e crianças abrem os sapés um por um, espalhando folha por folha sobre a areia em camada bem finas. Ali ficam alguns dias, secando ao sol, sendo depois recolhidas em feixes médios, para serem transportados de um lugar para o outro por crianças ou por adultos. Não se pode recolher as fibras em processo de secagem à noite, por estarem encharcadas de sereno ou chuva, sujeitas, portanto à apodrecimento precoce. Os feixes são armazenados empilhados ao lado das casas próximas ao tear.

As esteiras são feitas por mulheres e crianças e o preço é dividido com os homens que tiram os sapé.

O feixe que está sendo utilizado para fazer a esteira é colocado perto do tear, sobre um caixote, para conforto do tecelã durante o trabalho.

(LUBATTI, Maria Rita da Silva. O folclore na vivência atual de Açu, Marreca e Quixaba, Campos)

Cama coberta com esteiras. Quixaba. Campos, RJ

Topo

Jangada Brasil © 2000