| As esteiras são feitas em tear, medindo por
volta de um metro de comprimento. Espessura, comprimento e largura das esteiras variam
muito, pois existem vários tipos. A altura do tear é móvel, ajustada de acordo com a
comodidade de quem está trabalhando nele no momento. As esteiras são medidas a palmos, tanto para o comprimento, como para a largura.
Esteiras compridas são usadas nas camas com a função de colchões. Esteira curta é
usada para cobrir as mercadorias e para forrar o chão, pois as pessoas sentam-se sobre as
esteiras como se fossem cadeiras.
Sobre o tear para esteiras fazem-se de seis a doze cortes
em V chamados de dentes do tiá. Sobre eles ficam dependurados os
pauzinhos cheios com embira, para tecer as esteiras.
O tear é sempre amarrado sob uma árvore frondosa, de
modo a proteger as fazedeiras de esteira, da chuva e do sol.
O preço das esteiras oscila, dependendo do comprimento,
da largura e também da época em que são feitas, da sua espessura e do tipo de sapé.
A embira é obtida da pita (piteira Foureoya
gigantea Vent), reduzida a fibra.
A pita é colocada nágua durante quinze dias;
após retirada, é batida com um pau pesado até que fique esmigalhada, lavada, torcida é
colocada pra secar espalhada sobre a areia. Após a secagem, é recolhida à noite, para
evitar que fique áspera.
Para a corda de embira, colocada nos cambitos, é usado
também como sapé novo previamente posto ao sol para secar e, a seguir, trançado.
As esteiras são feitas com sapé bem secos e, novamente,
molhados na hora de trançá-los. Se o sapé for áspero, as esteiras ficam rijas e perdem
as características principais: maciez e lisura.
Os sapés são tirados nos brejos. As moitas de sapés,
mesmo quando estão dentro de propriedades particulares, são consideradas bem comum,
porque nascem espontaneamente, (nas regiões alagadiças) onde existe água com um certo
tipo de lama.
Tirar sapé é trabalho de homem, e considerado pesado
para mulheres e crianças. Exige saúde, força e disposição para ficar nágua
funda e lamacenta por dias inteiros.
A ferramenta usada no corte de sapé é o facão de
gancho do corte de cana. Com ele, o cortador puxa para perto de si os sapés que a
correnteza vai levar; e puxa mais de um sapé de cada vez.
É serviço feito por dois homens, por causa dos riscos
que oferece e também porque enquanto um corta o outro amontoa na beira da estrada. O
transporte é feito no mesmo dia por caminhões, cavalos e carroças, para casa, onde
mulheres e crianças abrem os sapés um por um, espalhando folha por folha sobre a areia
em camada bem finas. Ali ficam alguns dias, secando ao sol, sendo depois recolhidas em
feixes médios, para serem transportados de um lugar para o outro por crianças ou por
adultos. Não se pode recolher as fibras em processo de secagem à noite, por estarem
encharcadas de sereno ou chuva, sujeitas, portanto à apodrecimento precoce. Os feixes
são armazenados empilhados ao lado das casas próximas ao tear.
As esteiras são feitas por mulheres e crianças e o
preço é dividido com os homens que tiram os sapé.
O feixe que está sendo utilizado para fazer a esteira é
colocado perto do tear, sobre um caixote, para conforto do tecelã durante o trabalho.
(LUBATTI, Maria Rita da Silva. O
folclore na vivência atual de Açu, Marreca e Quixaba, Campos) |

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