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O URUBU E O SAPO

O urubu e o sapo

Um dia o sapo foi a casa do urubu. – "Que vai fazer hoje, compadre?" perguntou-lhe – "Devo ir a uma festa no céu..., mas chove neste momento e aproveito a chuva para tirar minha sesta."

O urubu tinha feito seus preparativos para ir à festa: tinha mesmo colocado seu chapéu de forma alta sobre o parapeito que cercava a varanda de sua casa. O sapo fingiu despedir-se e meteu-se furtivamente no chapéu.

Depois da sesta, o urubu vestiu-se apressadamente, pôs o chapéu na cabeça e, sem saber, levou consigo o sapo que ali achava-se encolhido.

Chegou no céu. Quando dançava, viu o sapo:

- Ah, você aqui?... Que caminho você tomou para chegar até aqui?

- Tomei um caminho que você não conhece, respondeu o sapo.

O urubu desconfiou logo que o sapo zombava.

Antes da festa terminar, o sapo meteu-se novamente na cartola do urubu. Este partiu do céu, cartola na cabeça. No caminho, descobriu que o sapo se achava ali escondido. Tirou a cartola e o sapo caiu, indo espatifar-se numa pedra!

 

Ainda o urubu e o sapo

Outro dia, o urubu e o sapo foram convidados para uma festa no céu. O urubu para debicar do sapo, foi à casa dele e lhe disse: "Então, compadre sapo, já sei que tem de ir ao céu, e eu quero ir em sua companhia". "Pois não, disse o sapo, eu hei de ir contanto que você leve a sua viola." Não tem dúvida; mas você há de levar o seu pandeiro", respondeu o urubu. O urubu se retirou, ficando de voltar no dia marcado para a viagem. Nesse dia se apresentou em casa do sapo, e este lhe recebeu muito bem, mandando-o entrar para ver sua comadre e seus afilhados. E quando o urubu estava entretido com a sapa e os sapinhos, o sapo velho entrou-lhe na viola, e disse de longe: "Eu, como ando um pouco devagar, compadre, vou indo adiante". E deixou-se ficar bem quietinho dentro da viola. O urubu, daí a pedaço, se despediu da comadre e dos afilhados, e agarrou na viola e largou-se para o céu. Lá chegando, lhe perguntaram logo pelo sapo, ao que ele respondeu: "Ora, nem esse moço vem cá; quando lá embaixo ele não anda ligeiro, quanto mais voar!..." Deixou a viola e foi comer, que já eram horas.

Estando todos reunidos nos comes e bebes, pulou, sem ser visto, o sapo de dentro da viola, dizendo: "Eu aqui estou!" Todos se admiraram de ver o sapo naquelas alturas. Entraram a dançar e brincar. Acabado o samba, foram todos se retirando, e o sapo, vendo o urubu distraído, entrou-lhe outra vez dentro da viola. Despediu-se o urubu e largou-se para a terra. Chegando a curta altura, o sapo mexeu-se dentro da viola e o urubu virou-a de boca para baixo, e o sapo despencou-se de lá de cima, e vinha gritando: "Arreda pedra, senão te quebras!..." O urubu: "Qual?! qual?!, compadre sapo bem sabe voar!..." O sapo caiu e ralou-se todo, por isso é que ele é meio fouveiro.


(NÉRI, Frederico José de Santana. Folclore brasileiro)

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