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O Macaco e a Viola

Um dia o macaco foi à casa dum barbeiro fazer a barba. No momento de fazer a barba, o barbeiro cortou-lhe um pedaço do seu rabo.

- Me dá o pedaço do meu rabo, disse-lhe o macaco, ou eu te tomo a navalha.

O barbeiro recusou e o macaco tomou-lhe a navalha e fugiu.

Indo por um caminho, encontrou uma mulher escamando peixe com um pedaço de pau.

- Toma, aí tens uma faca para escamar o peixe, disse-lhe e deu-lhe a navalha.

Passado alguns dias voltou e pediu de volta a navalha.

- Não a tenho mais, disse a mulher, escondendo a navalha.

- Me dá a navalha de volta ou te tomo uma sardinha.

A mulher não cedeu e o Macaco tomou-lhe uma sardinha e fugiu. No caminho, avistou um padeiro comendo pão seco à porta da padaria.

- Toma, aí tens um peixe, disse-lhe e deu-lhe a sardinha.

Depois de algum tempo voltou e reclamou a sua sardinha.

- Comi-a, respondeu o padeiro.

- Se não me deres a sardinha eu te tomo um barril de farinha, disse-lhe.

O padeiro não cedeu e o macaco tomou-lhe um barril de farinha e fugiu. No caminho, encontrou uma escola de meninas. Disse à professora:

- Toma esta farinha; fazei bolos para as vossas meninas, e lhe deu o barril.

Voltando depois de certo tempo, reclamou seu barril.

- Não o tenho mais, respondeu a professora; fiz bolos para as meninas.

- Me dá a minha farinha ou eu carrego a mais bonita menina da escola.

A professora não cedeu e ele pegou uma das meninas e fugiu. No caminho encontrou uma lavadeira que estava sozinha lavando a roupa. Disse-lhe:

- Toma, aí tens uma menina para ajudar-te. E deixou a menina.

Algum tempo depois, voltou e reclamou a menina. A lavadeira escondeu a menina atrás duma árvore e respondeu:

- A menina! Não tenho mais: ela afogou-se no rio.

- Me dá a menina ou eu te tomo uma camisa.

A lavadeira não deu e ele tomou uma camisa de homem e fugiu. No caminho, encontrou um fabricante de instrumentos musicais, trabalhando em sua loja, sozinho e amarrotado. Disse-lhe:

- Aqui tens uma camisa nova, e lhe deu a camisa.

Algum tempo depois voltou e reclamou a camisa.

- Não posso devolvê-la, ela está toda rasgada.

- Me dá a minha camisa ou te tomo uma viola.

O violeiro não deu a camisa e o Macaco tomou-lhe uma viola e fugiu.

Subiu com sua viola ao teto da casa e se pôs a cantar:

Do meu rabo, fiz navalha;
Da navalha, fiz sardinha;
Da sardinha, fiz farinha;
Da farinha, fiz menina;
Da menina, fiz viola;
Dum! Dum! Dum!
Vou-me embora!


(NÉRI, Frederico José de Santana. Folclore brasileiro)