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Conhecemos duas formas do jogo do anel em Natal. A primeira é brincada tanto por crianças quanto por rapazes e moças e às vezes até por gente velha, nas reuniões familiares.

Assentam-se as crianças na beira da calçada. Uma delas, de pé, vai passar o anel. Ficam todas de mãos postas, no colo. A que dirige a brincadeira também conserva as mãos fechadas, em idêntica posição, aí escondendo o anel. Começa então a passá-lo. Vai fingindo que deixa o anel cair entre as mãos das meninas, uma por uma, e afinal solta-o nas mãos da criança que escolhe, sem que as outras desconfiem. Feito isso, afasta-se a dirigente, dá um sopro nas próprias mãos, abrindo-as e mostrando que o anel desapareceu. E sai perguntando:

- Quem tem o anel?

Se a menina interrogada responde, por sorte, adivinhando a companheira que tem o anel, esta é que vai passá-lo na vez seguinte. Se não acerta, recebe tantos bolos quanto deseja a menina que informara tinha o anel.

É, como se vê, um ingênuo e divertido passatempo infantil. Quando a brincadeira é entre rapazes e moças, a coisa muda de figura… Passa a ser delicioso, principalmente entre namorados, que demoram a passar as mãos uma nas outras, sem vontade de soltá-las…

Dona Alexina de Magalhães Pinto, consigna uma variante mineira, tal qual a nossa, sob o título "O anel sem barbante", para diferenciar da outra modalidade.

Afonso A. de Freitas registra versão paulista, na qual notamos contaminação do jogo com uma velha ronda infantil. À proporção que a dirigente ia passando o anel, recitava:

Ele vai, ele vem
Já passou por aqui
Com seu cavalinho
Comendo capim

Em Portugal, Jaime L. Dias também recolheu variante de Idanha-a-Nova. A menina que passa o anel, por exemplo, vai dizendo:

O anel vai na mão
Ele cairá ou não
O anel vai na mão
Ele cairá ou não

Se a criança não acerta quem tem o anel, além de pagar prenda, recebe sentenças como esta:

- Que se há de fazer ao dono desta prenda?
– Há de ir dar um beijo na parede… etc.

As crianças natalenses sofrem as mesmas sentenças, porém no jogo de Prendas. (…)

A outra modalidade do jogo também conhecida e praticada pelas crianças de Natal é aquela em que formam uma roda, com uma menina no centro, onde há um cordão seguro por todas e onde, escondido na mão de alguma, enfiado no cordão, está o anel. Este vai passando de mão em mão, enquanto a criança do centro procura descobri-lo. Se adivinha a menina que o possui ou vê quando esta passa o anel para a outra, a criança que foi vista passará para o centro da roda e vai procurá-lo, por sua vez.


(MELO, Veríssimo de. Folclore infantil)
 


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