trans.gif (60 bytes)
trans1.gif (55 bytes)

Ano V - maio  2003 - nº 57

Sua revista com a cara e a alma brasileiras


SUMÁRIO - EDIÇÃO 57
FESTANÇA
CANCIONEIRO
IMAGINÁRIO
OFICINA

setaquad.gif (95 bytes)Os velhos engenhos de pau que já se foram.

setaquad.gif (95 bytes)A renda de labirinto, por Valdelice Carneiro Girão.

setaquad.gif (95 bytes)Da disciplina da escravatura: tarefas diárias e castigo, por Carlos Augusto Taunay.

PALHOÇA
COLHER DE PAU
PANACÉIA
CATAVENTO
ALMANAQUE
REALEJO
COLABORAÇÕES
OFICINA - Nesta seção, textos sobre profissões; ferramentas; técnicas; agricultura, pecuária; artesanato; vendedores ambulantes; pregões...

O LABIRINTO

Valdelice Carneiro Girão
(Rendas e bordados do Ceará. Fortaleza, 1965, p.14-16)


Com a decadência da renda, a mulher pobre cearense, que é de operosidade inexcedível e de uma dedicação capaz de todo sacrifício, sempre pronta a ajudar o homem no sustento da família, fez do labirinto, já seu conhecido, a sua nova ocupação.

O labirinto, trabalho que merece o nome pelo emaranhado dos pontos, é o bordado de fio cortado, distendido numa armação de madeira, quadrada ou quadrilateral, chamada grade; é a seguir cheio, isto é, recoberto de bordados feitos à agulha.

Maneira de fazer

Começa-se o trabalho, colocando-se o pano na grade, ou seja, prendendo-o a esta por meio de fios grossos, que atravessam a ourela e vão envolver a madeira do suporte, como uma espiral desdobrada.

Isso feito, desfia-se a fazenda retirando dela, em dois sentidos perpendiculares, os fios necessários à feitura da obra.

A seguir, realiza-se o enchimento dos quadrículos abertos, operação que consiste em completá-los com o recheio resultante de sucessivas passagens de linhas, numa tarefa que lembra o ponto inglês.

À medida, porém, que a artesão trabalha, vai criando por vezes, de improviso, novos desenhos, que fixano tecido.

Em fazendas finas é feito no contorno do desenho uma bainha, iniciando-se, depois, o labirinto propriamente dito.

Principais pontos

Os pontos principais são o cerzido, o torcido, o palhetão, o ponto-de-melindre, o caseado ou perfilado e a bainha. Este último, como já disse, é o contorno do desenho e serve para evitar que, nos tecidos mais finos, fiquem desfiados com o corte do fio e sua retirada. A precaução é desnecessária nos tecidos mais espessos.

Nestes, é usado o caseado ou perfilado, cuja execução se dá na terminação do bordado.

O cerzido é a passagem da linha, substituindo os fios retirados e formando assim o desenho.

Já o palhetão é o cerzido feito com fios mais grossos e brilhantes e que, por esse motivo, bastante se destaca. O melindre é outro tipo de cerzido executado de modo especial, muito se assemelhando a um ponto de renda-de-bilros, e que em Alagoas tem a mesma denominação.

É o point quadrillé croisé, das rendas francesas. Terminado o enchimento que, na verdade, é o desenho que mais se destaca no conjunto e, na maioria das vezes, tem motivo floral, as partes do pano que tiveram seus fios retirados e não foram cerzidos, devem ser torcidos, e isso é feito em forma de crivo.

Uso

O labirinto é um belíssimo bordado de uso geral em blusas, vestidos de crianças, jogos de cama e mesa, peças estas que vão compor os enxovais das noivas, principalmente das mais abastadas. Suas executoras, de ordinário pobres, só raramente se podem dar ao luxo de usá-lo.



(Em Seraine, Florival. Antologia do folclore cearense. 2ª ed. Fortaleza, Edições UFC, 1983, p.272-273)

Jangada Brasil © 1998-2002