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| IMAGINÁRIO
- Nesta seção, textos sobre lendas e mitos; contos; personagens; fábulas;
narrativas populares; seres fantásticos... |
Recolhido por Rossini
Tavares de Lima, no bairro do Brás, São Paulo, 1959 |
O tatu é conhecido como animal que não tem compaixão por ninguém. Jesus quis então
ver se era verdade. Transformou-se num menino pobre e começou a chorar numa manhã de
frio, junto à casa onde morava um tatu.
O tatu, ao sair, viu o menino tremendo de frio e fingiu não enxergá-lo. Apressou até o
passo, com medo que o menino lhe pedisse alguma coisa. Quando voltou para casa, Jesus,
disfarçado no menino, disse ao tatu: "Senhor tatu, tenho frio." O tatu mandou
que ele corresse para esquentar. Jesus disse que a noite já vinha chegando e a chuva
estava forte. O tatu mandou que fizesse um buraco para se abrigar.
O menino, que era Jesus, disse que não tinha força, pois não tinha comido naquele dia.
E perguntou, por que o tatu não lhe dava a metade do seu abrigo como o Senhor mandava,
já que Deus tinha lhe dado um lindo poncho e unhas para que ele construísse sua casa.
O tatu disse que agradecia muito a Deus por ter lhe dado tudo isso, mas não iria rasgar o
seu poncho para dar a metade a um vagabundo.
Dizendo isso, o tatu retirou-se para sua cova.
Jesus então falou que jamais sairia do corpo do tatu o poncho que possuía, ainda que
fizesse calor. E até hoje, quando o homem assa o tatu para comê-lo, não lhe tira o
casco.
(Lima, Rossini Tavares de. Abecê
do folclore. 4ª ed. São Paulo, Ricordi, sd, p.42) |
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