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HISTÓRIA DE
TOINHO E MARIQUINHA
(Jé. Bernardo da Silva) |
1
Leitores, por favor leiam
com mera satisfação
este pequeno livrinho
que vós dá explicação
como a sorte é um guerreiro
que vence qualquer questão.
2
Alguém diz abertamente
tudo é frase perdida
ou expressão de pessoas
que menos pensa na vida
porque há muitas pessoas
da sorte desprotegida.
3
Porém eu quero mostrar
nas páginas deste livrinho
uma verdade que todos
deve tomar direitinho
por exemplo, a história
de Mariquinha e Toinho.
4
No ano quarenta e dois
do século próximo passado
habitava no Recife
um feliz casal honrado
o qual era Olimpio Barros
e Joaquina Lopes Machado.
5
Então deste bom casal
nasceu somente um filhinho
batizou-se por Antônio
mas chamavam-lhe Toinho
e é sobre este menino
que minha história encaminho.
6
Apenas tinha Toinho
cinco anos de idade
o cólera em cinqüenta e quatro
atacou toda cidade
matou os pais de Toinho
deixou-o na orfandade.
7
Toinho daí em diante
foi viver com um padrinho
gozando vida risonha
ao mesmo tempo carinho
pois ele bem merecia
por ser muito pequeninho.
8
Foi o menino crescendo
gozando uma vida doce
obediente demais
dele ninguém abusou-se
e a madinha também
dele nunca descuidou-se.
9
Sobretudo ele era
esperto e muito contente
interesseiro e ativo
e demais inteligente
seu todo denunciava
um bom futuro eminente.
10
Então o padrinho dele
botou-o para estudar
pois tinha todo desejo
de a Toinho educar
por ser o que o Toinho
ele podia deixar.
11
Toinho sempre mostrava
desejo de aprender
com pouco tempo sabia
ler, contar e escrever
desenhos e outras coisas
tudo sabia fazer.
12
Quando deixou a escola
dedicou-se a trabalhar
o dinheiro que ganhava
só era para juntar
porque a padrinho dele
não consentia gastar.
13
Por esse tempo morava
em Recife um barão
um ilustrado senhor
de muita reputação
que nem um nababo tinha
tamanha ostentação.
14
Esse barão possuía
muitas fazendas de gado
diversas propriedades
ele tinha um estado
e quatro milhões de libras
nos bancos depositados.
15
Este barão se chamava
Maximiano Vicente
a esposa Rosalina
uma senhora decente
de cujo enlace nasceu
uma filhinha somente.
16
A filha deste barão
era um anjo de candura
parece que pra formá-la
caiu em erro a natura
porque quis dar só a ela
o que há de formosura.
17
Chamavam ela Maria
tratavam por Mariquinha
devido à sua beleza
esse nome lhe convinha
a idade de Toinho
Mariquinha também tinha.
18
Um dia disse Toinho
depois de haver pensado:
- Eu já tenho nove anos
e nada tenho juntado
vou procurar um emprego
que dê melhor resultado.
19
Então disse ao padrinho:
- Amanhã vou ao barão
procurar algum emprego
porque tenho precisão
de ganhar algum dinheiro
para minha remissão.
20
O padrinho lhe entregou
tudo que pertencia
Toinho se despediu
e partiu no mesmo dia
para casa do barão
a ver o que aparecia.
21
Quando Toinho chegou
na casa desse barão
Mariquinha admirou-se
de ver sua perfeição
então começou amá-lo
com muita precaução.
22
O barão e sua esposa
vendo também seu tamanho
botaram Toinho em casa
como que fosse estranho
então lhe deram o emprego
de guardador de rebanho.
23
A casa desse barão
era dentro duma herdade
com algumas plantações
na mesma propriedade
porém era cercada
por ser dentro da cidade.
24
Toinho foi incubido
de guardar as plantações
para o gado não comer
tomando-lhe as posições
nos aceiros do pomar
e gozava distrações.
25
Porque Mariquinha sempre
vinha onde ele estava
buscar frutas para a mesa
e Toinho logo as tirava
depois em assuntos de amor
um e outro conversava.
26
Todo dia Mariquinha
quando da aula voltava
antes de mudar as roupas
a Toinho visitava
para levar alguns doces
que quando vinha comprava.
27
Toinho guardava o gado
enquanto durava o dia
porém depois das seis horas
pra aula noturna ia
tinha tanta inteligência
que muito a pressa aprendia.
28
E sempre continuava
indo ao pomar Mariquinha
só conversar com Toinho
o tempo que lhe convinha
como ela era criança
cuidado ninguém a tinha.
29
Um dia que Mariquinha
não foi vê-lo logo cedo
mas ao chegar da escola
foi visitá-lo sem medo
mas encontrou-o chorando
debaixo de um arvoredo.
30
Toinho quando avistou-a
levantou-se sem demora
disse ela: estás chorando?
Disse ele: não senhora
eu estava apenas triste
porém não chorava agora.
31
Disse ela: não me negues
porque eu te vi chorando
e creio não ser engano
pois teus olhos estão mostrando
e desejo que me contes
o que eu estou perguntando.
32
Olha que eu trouxe para ti
estes doces que comprei
e encontrei tu chorando
qual o motivo não sei
e desejo que me contes
porque chorando te achei.
33
Então lhe disse Toinho:
- Vou te dizer a verdade
eu estava me lembrando
da nossa grande amizade
como não te vi cedinho
chorava já de saudade,
34
Pois fazem quase dois anos
que aqui estou empregado
e não houve uma manhã
que não te visse ao meu lado
como hoje não vieste
eu julguei-me desprezado.
35
Mariquinha então lhe disse:
- Tu me deves desculpar
foi porque acordei tarde
já por mamãe me chamar
como era hora de aula
eu não quis nem almoçar
36
E quando cheguei em casa
não perguntei por jantar
porque não tinha apetite
antes de te visitar
dizendo isto também
começou ela a chorar.
37
Toinho chegou-se a ela
e pegou em sua mão
dizendo: eu te peço agora
que não chores de coração!
Disse ela: é porque sinto
ter-te feito ingratidão.
38
Toinho disse: eu conheço
que tu me tens amizade
enquanto fores pequena
mas me deixarás mais tarde
por um outro que possua
como tu felicidade.
39
Mariquinha então lhe disse:
- Não me julgues tão grosseira
pois não te deixo por toda
riqueza da terra inteira
pois não casando contigo
juro a Deus morrer solteira.
40
Eu também quero que jures
que não hás de me deixar
venha a sorte que vier-te
não me deixarás de amar
e para Deus nos ouvir
vamos nosso amor jurar.
41
Aí ambos se ajoelharam
dando Deus por fiador
que um por outro sorria
da sorte tanto rigor
e com lágrimas de firmeza
banhou-se então esse amor.
42
Nisso a criada chegou
com pressa para levar
as frutas que Mariquinha
disse ter ido buscar
encontrou ela abraçada
com o Toinho a chorar.
43
A criada perguntou-lhe
Que é isto questás chorando?
Disse ela: é que Toinho
e eu, estamos jurando
que um para o outro nascemos
e estamos nos abraçando.
44
Disse a criada: menina
olha isto é grande perigo
veja que o barão não deixa
Toinho casar contigo
se ele souber desse ato
vocês sofrerão castigo.
45
Mariquinha então lhe disse:
- Eu quero é teu parecer
pra eu casar com Toinho
o que é preciso eu fazer?
Pois se eu não casar com ele
com veneno hei de morrer.
46
A criada então lhe disse:
- Visto essa grande amizade
convém que Toinho arranje
outro emprego na cidade
a não ser guardar rebanho
que não traz prosperidade.
47
Ontem alguém perguntou-me
pelo seu comportamento
dizendo que precisava
no seu estabelecimento
que talvez se empregue lá
pois convém sair daqui
pelo motivo que há.
48
- Mas onde é esta casa?
Mariquinha perguntou
disse a criada: eu te digo
é no coronel Ioiô
aonde alguém pra Toinho
alguns docinhos comprou.
49
Ouvindo isso Mariquinha
deu um grito de alegria
pois este estabelecimento
que a criada dizia
era defronte a escola
onde ela aprendia.
50
Toinho no mesmo dia
foi ao coronel Ioiô
dizendo o que pretendia
o coronel aceitou
no outro dia em casa dele
Toinho se colocou.
Continua >> |
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