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Maio 2001
Ano III - nº 33

FIGA

Essa mão fechada, com o polegar mal oculto entre o indicador e o dedo grande, tem uma história muito mais complexa do que se imagina.

Quando se vê uma figa ornando o bracinho dos bebês, suspensa na pulseira ou pendente do cordão de ouro das crianças, mal se imagina o que representa, em sua origem, e como a interpreta a psicanálise. Usa-se, hoje como um amuleto inocente, destinado a desviar o mau olhado e a presservar as crianças das conseqüências do "olho grande".

Explicando a doutrina de Freud, reporta-se o professor Franco da Rocha ao estudo da psicologia das neuroses, para mostrar como as forças de origem sexual se desenvolvem e tomam, muitas vezes, sentido inverso da forma primitiva. Está nesse caso o culto da figa, utilizado no seio de quase todos os lares como um poder benéfico e familiar para conjurar possíveis males. "Que vem a ser a mão fechada, com o polegar entre o indicador e o médio, indaga o cientista baseando-se na obra de Sanger Brann, Sex worship and Symbolism of Primitive races. Um vestígio do culto fálico, em que o orgão masculino, "evidentemente mais ativo, tomou a supremacia, origem da andocracia das organizações sociais modernas". E acrescenta: "Perdeu-se a ligação mental originária, isto é, a significação primitiva do objeto, mas ficou a feição física que lhe trai a origem. Sendo um simples objeto conjurador de males, a ética, hoje, não impede que ele ande hoje com as medalhas pendentes do pescoço das crianças, das moças e até nas cadeias de relógios dos homens".

O comércio de figas está muito desenvolvido em todo o Brasil.

"As figas de Pau dalho, Guiné, Guiné Africano, Arruda, Azevinho e de outras madeiras – informa o padre Teschauer, protegem o indivíduo e particularmente as crianças contra o mau olhado, feitiços, invejas e pragas de toda sorte. Existem de todos os tamanhos e formatos, desde as destinadas aos forros dos quartos e salas até as minúsculas, que podem ser trazidas ocultamente debaixo da roupa.

Dessas madeiras se fazem pequenas cruzes e santinhos que gozam de fama semelhante".

Aponta ele ainda a existência de outros amuletos vegetais, como a Fava de Santo Inácio, a Fava divina, a Fava contra o "mau-olhado", a Fava da Sucupira, o Tento, o Olho de Pombo, a Mucuna, a Nhaxtiroba, que se utilizam para diversos fins, com prescrições adequadas. Em quase todos esses amuletos denuncia-se a influência da superstição africana.

(ORICO, Osvaldo. Vocabulário de Crendices Amazonicas)

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