Maio
2001
Ano III - nº 33 |
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É comum nas cidades e vilas
do norte, quando se está reunido em família, num jantar ou serão, pular na sala um
grande gafanhoto, saltitante e passeador, que parece fazer momices e desafiar as pessoas.
Os garotos, sobretudo, adoram sair em perseguição do inseto verde, interceptando-lhe a
ginástica faceira. É a locusta viridíssima, conhecido vulgarmente no norte
por "põe-mesa" e, no sul, por "louvadeus". Sua presença é indício
de bom agouro. Significa promessa, esperança, notícia agradável que vem por aí.
A velha aspiração de saber-se o sexo da criança por nascer é resolvida pela crendice
do povo em torno do "põe-mesa". Assim, quando se tem pessoa grávida em casa, a
coisa mais fácil, para antecipar se o bebê será menino ou menina, é apelar para o
concurso da saltitante visita. Segura-se o inseto e dá-se-lhe um sopro: se apenas move as
pernas dianteiras, é mulher; se grimpa e tenta saltar sobre a pessoa, é homem.
Com esssa profética utilidade, o "põe-mesa" justifica o interesse com que é
saudado toda vez que salta do escuro para uma sala onde a luz o atrai e tonteia.
Em seu Vocabulário Nheengatu, informa o doutor Afonso A . de Freitas que os
indígenas davam ao "louva-deus" a designação de emboici, de mboi,
cobra e cy, mãe. "Mãe de cobra, pela cirscunstância
curiosíssima de ser
encontrado, ordinariamente, no ventre do inseto, uma parasita de forma capilar, não raro
atingindo a metros de comprimento e que, solta nágua, movimenta-se com todas as
ondulações da cobra. Emboici é um animalzinho elegante em seus movimentos, que
as crianças se comprazem em irritar para vê-lo tomar posição de defesa, elevando as
duas patas dianteiras e juntando-as à altura da cabeça como em atitude de imploração,
vindo-lhe daí a denominação vulgar de Louva-a Deus".
(ORICO, Osvaldo. Vocabulário de Crendices Amazonicas) |
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