Maio
2001
Ano III - nº 33 |
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Já tivemos ocasião de demonstrar que os caboclos possuem algum
gosto artístico, isto é, fabricam uma variedade de objetos de cerâmica pintada, sem
auxílio da "roda de oleiro".
No presente número, fazemos mais uma pequena contribuição ao estudo da cerâmica
cabocla, apresentando aos leitores uma estampa representando dez tipos de pitos de barro,
fabricados em Jambeiro, estado de São Paulo.
Esses curiosos pitos, cujo bojo não excede ao tamanho de um avelã, são feitos a mão,
sem auxílio de formas ou qualquer outro artifício adotado na técnica da fabricação de
pitos e cachimbos de argila.
Apesar do tamanho mínusculo dos pitos em questão, o ceramista patrício sabe aproveitar
o pouco espaço disponível, empregando uma decoração variada e de alto bom gosto, sem
incorrer no clássico "horror vácuo" dos babilônios, dos micenianos e outros
povos da bacia mediterrânea.
O barro empregado - barro de pito - é uma argila finíssima, conhecida entre os oleiros
pela denominação de "barro gordo". Os desenhos são feitos em baixo relevo,
calcado. por meio de estiletes apropriados, que o ceramista maneja com agilidade e
firmeza, lembrando os escribas mesopotâmicos, ao gravarem nos tabletes de argila os
complicados simbolos cunelformes.
O pito de Jambeiro, conhecido entre os caboclos pela denominação de "pito de
motolia", é bem cosido e não apresenta asperezas.
Os desenhos nos pitos variam muito; quase sem repetir certos detalhes de menor
importância. (...)
(TIBIRIÇÁ, Rui. Em Revista do Arquivo Municipal) |
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