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Chama-se, no Rio de Janeiro, folia do
Imperador do Espírito Santo um grupo de jovens folgazões, tocadores de violão, de
pandeiros e de ferrinhos precedidos de um tambor; o grupo alegre escolta um
porta-bandeira, cujo chapéu, ricamente enfeitado de flores e de fitas, se assemelha ao
dos demais membros mais modestos da bandinha. Percorrem os rapazes as ruas da cidade
cantando quadrinhas ajustadas ao motivo religioso para os fiéis que sustentam o trono do
Imperador do Espírito Santo (menino de oito a doze anos). Este os segue gravemente a
alguns passos de distância, dando a mão a um dos dois irmãos da confraria, que o
acompanham.
É durante a semana anterior à festa de Pentecostes que se realiza essa coleta aparatosa,
destinada a estimular a generosidade dos fiéis caridosos, o pequeno imperador veste
casaca vermelha, calção da mesma cor e colete branco bordado em cores. Usa chapéu
armado e de plumas debaixo do braço, espada à cinta, meias de seda branca, sapatos de
fivela de ouro; tem a cabeça empoada e carrega uma sacola. Usa como condecoração um
crachá e, pendente do pescoço, uma espécie de custódia dourada no centro da qual se
destaca uma pomba prateada. Vários irmãos pedintes precedem e seguem o cortejo.
Apresentei aqui apenas o prelúdio de uma luta que me foi dado observar certa vez entre o
porta-bandeira e um macaco; este puxava com força o pano do estandarte, enquanto seu
adversário resistia com vantagem graças à sua lança; o combate burlesco, embora
deslocado na festa religiosa, não empanou em absoluto o êxito da coleta.
(DEBRET, Jean-Baptiste. Viagem pitoresca e histórica ao Brasil)
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