Cantos de trabalho são
melodias entoadas por pessoas que trabalham em locais fixos, nisso diferenciando-se dos
pregões, que são o canto dos trabalhadores ambulantes.Você diz que rola pedra
Canto das lavadeiras da Fazenda Redenção (Botucatu SP)
Você diz que rola pedra
Rola pedra nem por isso,
No dia que eu tô a toa,
Rola pedra prá patroa
Você diz que rola pedra
Rola pedra nem por isso,
No dia que eu tô a toa,
Rola pedra no serviço
Bate, bate o ferreiro
Antônio Lima, antigo ferreiro de Botucatu, cantava assim as sua lides:
Bate, Bate o ferreiro
Noite e dia sem parar,
Bate, bate o dia inteiro
Até nas noite de luar
Triste é meu destino
Trabalhar e só trabalhar
Sem o descanso necessário
Para o sustento ganhar
Limpar as vidraças
Maria da Penha, limpadora de vidros de Botucatu, SP
Limpar vidraça
O dia inteiro,
É o meu serviço
Costumeiro
Não largo dele,
Nem por nada,
Só para ganhá
Muito dinheiro
Pega a enxada e leva o pito
Entoado por trabalhadores da roça de São João da Boa Vista, SP
Pega a enxada e leva o pito
Vamo ino Sebastião
Vamo capiná o arrois,
Na bera do ribeirão,
Na bera do ribeirão.
Ó! Que o mato tá matano
O miará de grotão
No roçado da baxada
Na bera do ribeirão,
Na bera do ribeirão
Ué, é, trabaiadô
Recolhida pela folclorista Laura Della Monica através de informante do Rio de Janeiro.
Ué, é, trabaiadô
E a pedra do Corcovado
Rebentô,
Ué, é, trabaiadô
La, lagoa sossegô,
Ué, é, trabaiadô
Ué, é, trabaiadô
(Extraído de LIMA, Rossini Tavares de. ABECÊ do Folclore. Editora Ricordi)
Ô baiana, ôi, ai, ai
Canto das fiandeiras de Sagarana
A roda queu fio nela (ô baiana)
ôi, ai, ai
É só eu que ponho a mão (ô baiana)
ôi, ai, ai
Ou então minha cunhada (ô baiana)
ôi, ai, ai
Que é irmão (ô baiana)
ôi, ai, ai
As panela lá de dentro (ô baiana)
ôi, ai, ai
Tá ferveno numa lida (ô baiana)
ôi, ai, ai
Uma de boca pra baixo (ô baiana)
ôi, ai, ai
Otra de fundo pra riba (ô baiana)
ôi, ai, ai
Minha boca tá com fome (ô baiana)
ôi, ai, ai
Minha barriga qué cumê (ô baiana)
ôi, ai, ai
Cala a boca minha barriga (ô baiana)
ôi, ai, ai
Deixe a panela frevê (ô baiana)
ôi, ai, ai
Senhora dona da casa (ô baiana)
ôi, ai, ai
Põe a cabeça na porta (ô baiana)
ôi, ai, ai
Eu quero te perguntá (ô baiana)
ôi, ai, ai
Quantas galinha tem morta (ô baiana)
ôi, ai, ai
Senhora dona da casa (ô baiana)
ôi, ai, ai
Por que tá tão triste assim (ô baiana)
ôi, ai, ai
Se é por causa de seu bem (ô baiana)
ôi, ai, ai
No seus braços ele há de vim (ô baiana)
ôi, ai, ai
A roda queu fio nela (ô baiana)
ôi, ai, ai
Sabe lê sabe escrevê (ô baiana)
ôi, ai, ai
Também sabe me contá (ô baiana)
ôi, ai, ai
Quanto custa um bem querê (ô baiana)
ôi, ai, ai
Fia fia minha roda (ô baiana)
ôi, ai, ai
Pra cabá coesse algodão (ô baiana)
ôi, ai, ai
Pra fazê muitas roupinha (ô baiana)
ôi, ai, ai
Pra dona da fiação (ô baiana)
ôi, ai, ai
(Recolhida por Roberto Corrêa e Juliana Saenger, e registrada no CD Sertão Ponteado,
(Viola Corrêa, 1999, VC03)
Peneirei fubá
Eu mandei vim da Bahia
Duas tesouras de ouro
Uma pra cortar ciúme
Outra pra cortar namoro
Ai ai ai, foi ela quem me deixou
Ai ai ai, porque não me tem amor
Peneirei fubá
Fuba caiu
Eu tornei peneirá
Fuba sumiu
Ai ai ai, foi ela quem me deixou
Ai ai ai, porque não me tem amor
Eu joguei meu lenço branco
Na porta do cemitério
Se não for para casar
Chatear também não quero
Ai ai ai, foi ela quem me deixou
Ai ai ai, porque não me tem amor
Peneirei fubá
As estrelas do céu correm
Eu também quero correr
Uma corre atrás da outra
Eu atrás do bem querer
Ai ai ai, foi ela quem me deixou
Ai ai ai, porque não me tem amor
Peneirei fubá
Eu joguei meu barco nágua
Carregado de fulô
Não tem coisa mais bonita
Que os oios do meu amô
Ai ai ai, foi ela quem me deixou
Ai ai ai, porque não me tem amor
(Registrada por Rubinho do Vale no CD Alma do Povo, (1998, RVCD-01/1998))