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O RATO DA CIDADE E O RATO DO CAMPO
Um rato gordo, que morava
na cidade, resolveu dar um passeio pelo campo. Ia andando, ia andando, roendo aqui, roendo
ali, quando viu um ratinho magro, muito encolhido.
Amigo, disse ele ao outro, que magreza é esta? Que vida você leva aqui! Até
parece um esqueleto!
- Cada qual vive como pode, - respondeu o ratinho. O amigo é rico. Eu sou pobre,
mas vivo contente no meu canto.
Pois olhe para mim. Até pareço um barão! Estou gordo, forte. Tenho bom almoço,
bom jantar, e merenda variada!
- É feliz, meu amigo
- Quero provar que sou bom amigo. Deixe a vida do campo. Venha comigo para a cidade. Em
pouco tempo você estará redondo como um pipote.
O ratinho fez luxo. Disse que estava feliz ali. Mas o outro tanto falou, tanto pediu que
ele concordou.
E lá foram andando, de braços dados, para a cidade.
Por um biraco que havia na parede de uma casa, o rato gordo acompanhado do outro
introduziu-se numa dispensa bem sortida.
Aqui está o meu palácio, - disse o gordo. Veja quanta cousa boa: presunto, queijo
Trate de comer
Acasa é sua.
O pobre ratinho nunca sonhara com tanta cousa. Estava acostumado a roer raízes. Não
esperou segundo convite. Entrou logo dentro de um grande queijo:
- Rac
Rac
Rac
Passou para um presunto. Comeu à vontade, pensando logo em ficar morando ali.
Estava já limpando o focinho com as patas, quando ouviu um barulhinho.
Voltou-se. Quê viu ele? Dois olhos de fogo fitando-o de um canto! E logo:
- Miau!
Miau!
Miau!
- Deus do céu! Um gato, - disse o magro.
Foi um reboliço. O rato gordo fugiu logo para o buraco.
Mas era tão gordo, que não pôde passar.
O ratinho magro, tonto de susto, conseguiu fugir.
E, lá de fora, despediu-se do amigo:
- Adeus amigo. Muito obrigado. Vou-me embora. Antes quero viver magro no magro, do que
gordo no estômago do gato!
E foi-se, ligeiro.
(LÚCIO, João; FROTA, Zilah. O
livro de Violeta) |
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