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Seis orações recolhidas por Sílvio
Romero e comentadas por Luís da Câmara Cascudo Oração contra a espinhela caída Espinhela caída Todas as orações rimadas ou rítmicas, ensalmos
tradicionais, de força sugestiva pelo emprego dos nomes sagrados ou sucessão de
algarismos, ascendentes ou descendentes, são vindos de Portugal, diferenciados pelo
mestiço brasileiro, o grande transformador, como notou Sílvio Romero. A espinhela caída
é a moléstia incaracterizada pelo povo. Espinhela é o apêndice xifóide. O professor doutor
Fernando São Paulo estudou magnificamente o assunto, evidenciando a confusão de
síndrome; Linguagem popular médica no Brasil, I, 353-364, Rio de Janeiro, com
abundante documentação. Em Portugal, entre outros, Jaime Lopes Dias, Etnografia da
Beira, VII, 233, Espinha (coluna vertebral) encostada, Lisboa, 1948; Joaquim Roque, Rezas
e benzeduras populares, etnografia alentejana, 13-17, Beja, 1946. A variante
brasileira que o comandante A. Boiteux encontrou em Santa Catarina, Poranduba
catarinense, 36: Oração contra espinha na garganta Homem bom Há muitas variantes em Portugal e Brasil, ligadas ao
culto de São Braz. Afrânio Peixoto, Missangas, 31, São Paulo, 1931, registra a
versão incompleta que Sílvio Romero recolhera: Oração contra o soluço Doente: Além de provocar o susto, um remédio velho é dizer-se,
bebendo água aos goles: Oração para o cobreiro - Pedro, que tendes? Cobreiro, Herpes zoster, zona, fogo selvagem, cobrelo;
Fernando São Paulo, Linguagem médica popular no Brasil, I, 240, registou
excelentemente. A explicação do povo é que o cobreiro é provocado pela passagem de um
animal peçonhento por cima da pele. A inflamação terá vagamente a forma serpentina e
se juntar a cabeça com a cauda o doente morrerá. Daí o recurso de cortar com
orações; J. Leite de Vasconcelos, 'Carmina mágica do povo português' (in Era Nova,
521, Lisboa, 1881): Oração contra o argüeiro no olho Corre, corre, cavaleiro J. Leite de Vasconcelos, 'Carmina mágica do povo
português', Era Nova, 522: "Talhar o arujo (argueiro)
Quando cai um arujo num olho, diz-se: Corre, corre, cavalheiro / Pela porta do ferreiro /
Que lá vem Santa Luzia / Pra me tirar esse arujeiro". Versão de Santa
Catarina, comandante Lucas A. Boiteux, Poranduba catarinense, 35: Oração para amarrar sezões Deus te salve, laranjeira É o ensalmo de transferência da moléstia à árvore.
Tira-se a folha ou amarra-se um fio de algodão no galho e deixa-se o local sem olhar para
trás. Se olhar voltará com a doença. |
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