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NOBREZA E ELEGÂNCIA DOS MINAS Em todos os portos de mar, o mercado de peixes é o ponto favorito de Agassiz; há para ele aí um interesse todo especial, pela variedade e beleza dos peixes que todas as manhãs são trazidos. Costumo muitas vezes acompanhá-lo pelo prazer de ver os mostruários cobertos de laranjas, flores e legumes, e para observar os grupos pitorescos de negros tagarelando e vendendo as suas mercadorias. Sabemos agora que esses negros atléticos, de traços corretos e tipo mais nobre que o dos negros dos Estados Unidos, são os minas, originários da província de Mina na África Ocidental. É uma raça possante, e as mulheres em particular têm as formas muito belas e um porte quase nobre. Sinto sempre o mesmo prazer em contemplá-las, quer na rua, quer no mercado, onde se vêem em grande número, pois as empregam mais como vendedoras de frutas e legumes do que como criadas. Dizem que há, no caráter dessa tribo, um elemento de independência indomável que não permite empregá-la nas funções domésticas. As mulheres têm sempre a cabeça coberta com um alto turbante de musselina e trazem um longo xale de cores berrantes, ora cruzado sobre os seios, ora negligentemente atirado ao ombro, ou então, se faz frio, estreitamente enrolado em volta do busto, com os braços metidos em suas dobras. A diversidade de expressões que elas sabem, por assim dizer, tirar das diferentes maneiras de usar esse xale é de fato surpreendente. Há pouco, observei na rua uma negra alta e bela admiravelmente bem talhada, que se mostrava presa de extrema agitação. Com gestos violentos ela afastava o seu xale e atirava os dois braços para trás; depois, puxando-o violentamente para si, enrolava-o em volta do corpo e de novo o desenrolava em todo o seu comprimento; num movimento rápido, apertou-o ainda uma vez na cintura e, de repente, sem desprendê-lo, deu um tapa na cara do seu interlocutor; por fim, atirando o comprido xale para o ombro, foi-se orgulhosamente embora, com ares de uma rainha trágica. Quando é preciso, esse xale serve também de berço; enrolado frouxo em volta da cintura, recebe nas suas dobras o filhinho que, montado nas costas de sua mãe, adormece docemente embalado pelo balanço pronunciado dos quadris. A negra mina é quase sempre notável pela beleza dos braços e elegância das mãos. Parece bem que ela tem consciência disso, porque traz geralmente aos pulsos braceletes apertados, de miçangas, cujas ricas cores dão realce à finura das mãos e se casam admiravelmente com o bronzeado e o luzidio de sua pele. Os homens dessa raça são maometanos e conservam, segundo se diz, a sua crença no profeta, no meio das práticas da Igreja Católica. Não me parecem tão afáveis e comunicativos como os negros congos; são, pelo contrário, bastante altivos. Certa manhã, encontrei alguns deles almoçando depois do trabalho; parei para falar com eles e ensaiei diferentes modos de entrar em conversação. Lançaram-me um olhar frio e desconfiado, responderam secamente às minhas perguntas e se sentiram visivelmente aliviados quando os deixei. [1865] (Elizabeth Cary Agassiz. In. BANDEIRA, Manuel; ANDRADE, Carlos Drummond de. Rio de Janeiro em prosa e verso) |
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