![]()
|
DIA DAS MÃES CI Mãe. Forma antiga. Hoje, em todo o Amazonas, usa-se mais correntemente de Maí ou Manha. Ci, todavia, além de ser conservado em muitas terminações, como Iaci, Coaraci, é ainda usado em muitos lugares sempre que se refere a alguma das mães, que conforme a crença indígena, foi a origem e hoje preside ao destino das coisas que dela se originaram. O indígena não concebe nada do que existe sem mãe. Simplista, estende a necessidade de uma mãe; o pai, desde que ele acredita nas virgens parideiras, não é de necessidade absoluta. A mãe, pois, é sempre necessária para que haja vida. Por força disso tudo, mãe é a ci. Como verdadeira mãe, que é, não abandona os seres que lhe devem a vida, vigia-lhes o desenvolvimento, guia-os e protege-os para que consigam o próprio destino, acompanhando-os e protegendo-os da nascença até à morte. A criação é, pois, devida à fecundidade da mãe das coisas, animadas e inanimadas, ou melhor, das coisas, porque, para o indígena que acredita na ci, não há coisas animadas e inanimadas: todas as coisas têm alma. A ela é devida a sua conservação. Sem a mãe não há vida, nem a vida se conserva. A ci é indispensável para a conservação e perpetuação, como o foi para a primeira produção. Mas onde se origina e quem é que mantém a fecundação das mães? O sol, não; a lua, menos. O primeiro é a mãe do dia, e a segunda, a mãe das frutas, mas em virtude disto mesmo nem esta nem aquele podem ser o fecundador das mães das coisas, o princípio masculino. Será este Tupana, o deus tupi? Talvez, pois para eles Tupana é, como parece poder asseverar-se, o ser indefinido, que paira acima de tudo no além, imaterial, informe, misterioso, como a causa que faz nascer, desenvolver e morrer todas as coisas do universo, sendo ao mesmo tempo princípio gerador e destruidor. Se este é, todavia, o conceito tupi de Tupana, nunca nenhum indígena o explicou, nem mostrou pensá-lo. O que têm repetidamente afirmado é que todas as coisas, os astros, as serras, os lagos, os rios, as plantas e as próprias pedras têm alma, sentem; e que todas têm uma mãe que vive da mesma vida, tem as mesmas necessidades, lutas, prazeres e instintos das coisas que lhe deram o ser; e são estas mães, começando pelo sol e pela lua, e não Tupana, que, quando precisam, se engenham de tornar propícias. Quem isto consegue, vive na abundância de tudo, é feliz em tudo! Ai daqueles que as ofende, que as desrespeita! Para ele só há desgostos e misérias. Como quer que seja, Tupana parece alheio aos negócios desta baixa Terra; as que tudo regulam são as mães (Stradelli. Vocabulário nheengatu, p. 438). Esse conceito de mãe, mater, origem, o mais primitivo e claramente exposto pelo conde Ermano de Stradelli aclara a reação religioso-política de Jurupari, combatendo o visível matriarcado que a doutrina explica e justifica. Elemento de valorização da paternidade é a couvade, o falso nascimento do filho unicamente do pai, e a concepção, já popular no século XVI, de que as mães eram apenas sacos ou terra guardando a semente humana, que nada lhes devia. (CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário do folclore brasileiro) |
Couvade Do francês couver, latim cubare,
covada, choco, é o resguardo tomado pelo pai, antes, durante ou depois do parto da
mulher. Ele, e não ela, toma as precauções minuciosas de dieta, posição e movimento.
A existência do filho dependerá do fiel cumprimento da couvade. Esse costume, com
variadas superstições conexas, está espalhado em todo mundo. |
Folhinha
| Cancioneiro
| Imaginário
| Oficina
| Palhoça
| Colher de
Pau | Panacéia
| Catavento
| Almanaque |