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VERSOS DO CONGADO

"Ao lado de São Benedito, Nossa Senhora do Rosário é até hoje festejada como uma padroeira dos negros "desde o tempo dos escravos". Em Minas Gerais e em outros estados do país, entre abril e dezembro ainda são preservadas as grandes festas dedicadas a "Senhora do Rosário", como em Oliveira, ou a São Benedito, como em Itaipava, São Paulo".

(Carlos Rodrigues Brandão, encarte do CD Os negros do Rosário. Lapa Discos, 1998)

Treze de maio

No dia treze de maio
A assembléia trabalhou
Nêgo véio era cativo
Sá Rainha libertou,! Ôh! Ôh!

Nêgo véio era cativo
Sá Rainha libertou
Nêgo véio era escravo
Nêgo véio virou sinhô! Ôh! ôh!

No dia treze de maio
A assembléia trabalhou
Trabalhou, trabalhou
Trabalhou em nosso louvor

Êh! Ôh!
No tempo da escravidão
Moço branco é quem mandava
Quando sinhô ia à missa
Era nêgo quem levava

Êh! Ôh!
Quando sinhô ia à missa
Era nêgo quem levava
Sinhô entrava pra dentro
Nêgo ficava lá fora

Êh! Ôh!
Sinhô entrava pra dentro
Nêgo lá fora ficava
Se nêgo tava cansado
De chicote ele apanhava

Êh! Ôh!
Se nêgo tava cansado
De chicote ele apanhava
Chegando na sá senzala
É que nêgo véio rezava

Êh! Ôh!
Chegando na sá senzala
É que nêgo véio rezava
Pedindo a Deus do Céu
Que tem pena dessas almas

Que uendá

Desde de criança mala no cacunda
Guiando engombe com mala funda
Olê lê lê
Olê lê lê lá lá!

Quando cheguei casa santa
Pra visitá tanto manganá
Olê lê lê
Olê lê lê lá lá!

No indió de santa manganá
Uenda, uenda, eu quero uendá!
Olê lê lê
Olê lê lê lá lá!

Depois de dentro da casa santa
Nêgo véio chorá jambá
Olê lê lê
Olê lê lê lá lá!

Aruê, ruê, ruê
Oh lê lê me ruá!
Olê lê lê
Olê lê lê lá lá!

Depois de vê casa santa
Uenda, uenda, eu quero uendá!
Ôh! Ôh! Ôh! Ôh… lá lá!
Olê lê lê
Olê lê lê lá lá!

Quando chora dentro de casa santa
Uenda, uenda, eu quero uendá!
Olê lê lê
Olê lê lê lá lá!

(MARTINS, Saul. Folclore em Minas Gerais)

 

Capa do cd Os Negros do Rosário. Lapa Discos, 1998

Abá Cuna Zambi Pala Oso
(Pedrina de Lourdes Santos)

Abá cuna Zambi pala oso
Aiabá q’uiama
Kana abá apaninjé

Ê ê aruê, aruê, aruê
Ê ê aruê, aruê, aruê

Messaquilibu Babá Okê
Mulendi eledá
Muna ualê e do ayê

Ocolofê cuna Zambi
Monu, monu gundelela
Pala oso
Mumu abanjá

Angana Musambê
Angana Lumbambú
Onco utelezi
Onco ocolofé

Oê – oiá, oê – oê – oiá

Okuassê aya ngana
Ararokolê
Okuassê aya ngana
Ararokolê

Muenha cuna marungo
Na Aruanda saravá
Muenha cuna marungo
Na Aruanda saravá

Olha eu vim de Angola
Eu vim aqui curimar (trabalhar)
Ah! Eu vim do kalunga (mar)
Eu vim aqui trabucar (trabalhar)

No tempo do cativeiro
Vida de negro era só trabucar
Trabucava o dia inteiro e ainda
Ganhava era o chiquirá (chicote)

Ora, viva a liberdade
Cativeiro já acabou
Mas ainda nos falta igualdade
Ganhava era o chiquirá (chicote)

Ora, viva a liberdade
Cativeiro já acabou
Mas ainda nos falta igualdade
De negro para senhor

Cem anos de abolição
Não pude comemorar
Cadê a libertação
Que a Lei Áurea ficou de me dar?

Zumbi foi um grande chefe
No quilombo dos Palmares
Sua luta não acabou
Ela ecoou pelos ares

O quilombo dos Palmares
Já foi ponto de união
A união faz a força
Pra qualquer libertação

A música Abá Cuna Zambi Pala Oso está disponível no CD Os negros do Rosário. Lapa Discos, 1998

Veja também:

- Congada.

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