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Certa vez, em trânsito de Campina Branca para Patos, ao chegar à povoação de Salgadinho, deparou-se Leonardo Mota, no frostispício de uma casa de comércio, com esta inscrição: A PROSPERIDADE DE SALGADINHO Filiar de Aggeu Farias &
Companhia (MOTA, Leonardo. Violeiros do norte)
Santidade e hipocrisia Adido à coluna do general da expedição a Canudos, Euclides da Cunha
assistia, horrorizado, a selvageria com que um dos assessores do comandante tratava os
jagunços. A sua alma de civilizado confrangia-se ante aqueles espetáculos de barbaria
ordenados pelo carrasco. Licença para furtar Havia no Rio de Janeiro uma padaria cujo proprietário era freqüentemente
condenado a multas pelo juiz Petra de Bittencourt, pelo furto, que fazia ao pouco, no peso
e na qualidade do pão. Apadrinhando-se com um fidalgo prestigioso esse comerciante
desonesto conseguiu que o ministro assinasse um aviso, ordenando ao magistrado que não
mais perseguisse o fabricante do pão pequeno.
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![]() Cirino tinha a fama de ser o maior pé inchado de Tabuí. Bebia para esquecer que bebia. Mas, como era um bom papo, fazia muitos amigos nas suas noites de bebedeira. Dizem que a dupla Cirino e Aruerinha foi a mais famosa na história boêmia da cidade. Os dois conversavam e bebiam muito, cantavam bem e até arranhavam um violão. Numa tarde de sábado, Cirino, como sabia que teria uma noite longa pela frente, passou no açougue Vaca Profana e comprou dois palmos de lingüiça e enfiou aquilo no bolso. Encontrou o Aruerinha e foram encher a cara. Naquela noite ajudaram a fechar vários botecos e biroscas. Quando não tinham mais onde ir, resolveram fazer serenata. Cantaram Acorda Amor na casa paroquial, o Hino Nacional na prefeitura, O Ébrio na casa do Pandiá e assim por diante. Chega uma certa hora, dá no Cirino uma vontade louca de verter água. - Ô Aruerinha, segura aí o meu violão! E Cirino se encosta num poste sem luz e faz os preparativos para o serviço. Só que, detalhe, o bolso, aquele onde ele tinha colocado a lingüiça, estava furado. E Cirino, no lugar de pegar o dito-cujo, pegou a lingüiça e se aliviou demoradamente. Mesmo tonto, notou que a calça ficara toda molhada. Solução foi chamar o amigo e falar com preocupação: - Corre aqui, Aruerinha. Tem pobrema. Acho que meu saco tá furado! Aruerinha colocou com dificuldade os dois violões no chão, acendeu com muito custo um isqueiro e foi examinar o documento de Cirino. Olhou, olhou e deu seu veredito: - Ó, Cirino! Negoço é que tem uma paia amarrada na ponta dele. Como ocê forçô muito pra uriná, a urina vortô e derramô pelo ladrão. Acho que num tem gravidade. Ele só tá é muito vermeio!...
Ele entra no baile. Bitelo dum salão. Gente muita balançando o esqueleto e esfregando coisa com coisa. Mancebo olha pra cá, olha pra lá... Imbica meio cambaleante rumo duma loirinha toda sirigaita. - Vamo dançá? - Vô nada!... - Vamo, sá!... - Vô nem vê! Tô ca perna dueno, sô! Loirinha refugou logo o convite. O moço estava bêbado, com bafo espantante. Era gente de fora e mais feio que filhote de urubu cagado. Chama mais uma dama, mais outra e... nada. Nem a neguinha do cabelo alisado com Alisaton e nem a loura oxigenada com uma pintona no queixo e catinga de cecê. Depois de várias tentativas encontra uma que mais parecia um barril: baixinha, barrigudinha e cinto apertadinho segurando as banhas. Nem precisa falar que era feia. Medonha. Estava num cantinho do salão, olhando pra cá e pra lá, aguardando um corajoso. O nosso herói vendo-a assim, toda largada, diz pra si mesmo: "é com ela que eu vô". Menina atende rapidinho ao piscado do feioso e saem os dois rodopiando pelo salão. Cai aqui, cai ali, equilibra de cá, equilibra de lá, até que se ajeitam e entram num acordo dançante. E o feioso pensando: "tô feito!... É feia, mas dá uma boa meia sola... Depois dum fim de noite cumigo ela pode até ficá apaixonada..." Aí a feiosa dama, para azar seu, resolve arrumar assunto. - Ocê num é daqui, num é memo? O mau hálito represado que saiu da boca da feia foi tanto que deixou o bêbado meio desorientado, já que era só acostumado com o bafo da canjebrina. E sem entender de onde vinha tanta fedentina, abaixou-se e cochichou no ouvido da sua paixão baixinha: - Arguém peidaro!... - Mas num fui'eu! Respondeu precipitada a gordinha meio desorientada. - Ih!!! Sujô!... Peidaro de novo!... (Eurico de Andrade é autor do livro Nós Sofre Mais Goza - Causos de Minas, e colabora com a Jangada Brasil)
Sapo tem olho grande, por isso vive
na lama
As boas ações enriquecem a alma |
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