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| PALHOÇA - Nesta seção, textos sobre a
casa em diferentes regiões; utensílios; materiais; móveis, indumentárias; usos e
costumes; tipos populares... |
Na gíria automobilística "Barbeiro!" é o mau chofer, dirigindo o carro
desastradamente. Fazendo barbeiragem.
O gesto de barbear-se, feito na intenção de um motorista, é uma agressão feroz,
proclamando a incompetência total. Provoca reação lógica. Na França vale apensa o Je
mennuie.
Os barbeiros de outrora sangravam, aplicavam sanguessugas e ventosas, afiavam espadas,
extraíam dentes. "Quem lhe dói o dente vai à casa do barbeiro!". Eram
legalmente autorizados ao exercício da Flebotomia. Ainda alcancei em Natal o velho
barbeiro José Antônio Areias praticando sangria, então aconselhadas e regulares à
volta de 1905-1910. Armando Nogueira China (1891-1969), médico, farmacêutico, filho de
médico, de inesquecido convívio, dizia-me que a acepção insultuosa do epíteto nascera
dos médicos novos, primeira década do século XX, satirizando os velhos policlínicos
patas-de-boi, fiéis às tradições arcaicas da terapêutica. No seu tempo de estudante
na Bahia referiam-se aos antigos doutores com ironia e desdém: "Aquilo é um
barbeiro!". Quando alguém informava ter consultado a um deles, fazia-se o gesto de
passar a navalha no rosto.
Parece-me, entretanto, que o centro irradiante fora o Rio de Janeiro e que o título
faceto surgira quando popularizou-se a frase "Mão e contra-mão". Não sabendo
"agoentar a mão", vindo ao enviés, ao contrário da direção, sugeria-se a
raspagem da barba às avessas da implantação dos pêlos, pelos barbeiros aprendizes,
praticando na cara dos fregueses. A partir de 1900, informa Dauzat, divulgou-se o chofer
no sentido contempôraneo. A mão do barbeiro daria a imagem sensível da indispensável
competência. Ele e o chofer dependeriam da habilidade manual. Qualquer erro provocaria
protesto notório. Não obtive explicação cabal, mas o gesto ficou, na aplicação
zombeteira do falso profissional.
(Cascudo, Luís da Câmara, História dos nossos gestos: uma pesquisa na
mímica do Brasil. Melhoramentos 1976) |
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