Ano V - junho  2003 - nº 58

Sua revista com a cara e a alma brasileiras


SUMÁRIO - EDIÇÃO 58
FESTANÇA

setaquad.gif (95 bytes)Fogueira do mês de junho, por Guilherme Santos Neves.

setaquad.gif (95 bytes)Cordões de bichos e pássaros, por Rossini Tavares de Lima.

setaquad.gif (95 bytes)Refletem-se nas danças folclóricas a alma e a vida do povo brasileiro. O marimbondo, a dança do tapuio e a candeia.

CANCIONEIRO
IMAGINÁRIO
OFICINA
PALHOÇA
COLHER DE PAU
PANACÉIA
CATAVENTO
ALMANAQUE
REALEJO
COLABORAÇÕES

 

 

FESTANÇA - Nesta seção, textos sobre festas populares, religiosas e profanas; folguedos; danças; datas comemorativas; instrumentos musicais...


REFLETEM-SE NAS DANÇAS FOLCLÓRICAS A ALMA E A VIDA DO POVO BRASIELIRO

Pouquíssimo conhece o Brasil sobre suas danças e seus costumes. Sem se preocupar com o hábito da leitura, talvez por falta de tempo ou de interesse, a maior parte do povo brasileiro ignora até mesmo os hábitos mais comuns entre nossa gente. Pode-se mesmo dizer que seus conhecimentos restringem-se ao que nos chega, deturpado pelo artificialismo das representações e pelas direções falhas do cinema nacional, através de filmes e de canções sob motivos folclóricos.

É como se as apreciássemos através de um par de óculos de lentes ambaciadas, onde as expressões apagadas dos participantes dos números de música sejam completados pela imaginação. Uma visão desfocalizada de uma dança eivada de artificialismos comprometedores.

Seria mesmo interessante que subordinado ao Departamento de Cultura da Prefeitura de nosso folclore, que disseminasse entre o povo, por meio de filmes naturais, cartazes e conferências, os costumes nativos do povo brasileiro, suas danças, seus ritos, seus festejos, suas crenças.


O marimbondo

É das mais remotas essa dança entre o nosso povo. No interior de um círculo formado pelos assistentes, dança um caboclo, com passos desordenados, fazendo caretas tendo na cabeça um pote de água sobre uma rodilha de pano. Os de fora perguntam em coro:

- Caboclo, o que é que tu tem?

- Marimbondo, sinhô – É a resposta.

E ao mesmo tempo, o do meio vai passando a mão pelo rosto e pelo corpo, sem derramar a água do pote. Finalmente, quando se sentir cansado, ajoelha-se aos pés do que o deverá substituir, o qual, caso venha a recusar o convite deverá pagar uma multa previamente estipulada.


A dança do tapuio


De certo modo é uma imitação da dança indígena. Vestem-se os caboclos com roupagem de índios, munindo-se dos apetrechos geralmente usados por estes, como flautas e assobios. Ao som desses instrumentos, adiantam-se dois a dois para o centro do local defrontando-se num combate simulado com paus. Quando todos estiverem em plena "luta", - que é levada a efeito em meio a grande algazarra, cada um deles pretende romper a ala e ficar no lugar que era ocupado, anteriormente, pelo adversário. Vencerá a "batalha" a ala que maior número de lugares ocupar no fim da brincadeira. E então, ao chegarem a essa fase final da luta, dançam depois os vencidos, ladeados pelo vencedor ao som das vaias e assobios feitos com o auxílio de um pequeno coco, de dois buracos.

Outra dança – o "Vilão" é uma espécie de quadrilha francesa, onde aqueles movimentos são repetidos, sob o comando de um "chefe", que, fora do grupo e de viola em punho, vai dando ordens, enquanto o grupo as obedece e dança com esgares esquisitos acompanhando o compasso.


A candeia

A candeia é dançada por pessoas que se dispõem em duas filas. No meio, fica o violeiro. O primeiro da direita, sai, de seu lugar, para atravessar os espaços entre os da ala oposta, passando depois à que lhe pertencia. Entretanto, ao passar por sua dama, esta o acompanha no mesmo giro. E a brincadeira assim prossegue; até que todos tenham saído. Se algum errar e entrar por onde não deva, então, como "castigo", é obrigado a ficar no meio segurando uma candeia até que outro o substitua. E eles cantam:

Seu Salvador
Salvador-á
Todo aquele que errá
A candeia há de pegá...

Assim vai prosseguindo, até que todos os dançantes, entregues de corpo e alma ao ritmo da música desistam, vencidos pelo cansaço. A essa altura quase todos já passaram pelo "castigo", em virtude de ser muito fácil o caboclo atrapalhar-se e não voltear onde deve, ficando, pois, condenado a segurar a candeia...



(A Época. São Paulo, 22 de julho de 1952)

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