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| CANCIONEIRO: Nesta seção, textos sobre
música regional; literatura de cordel; cantos de trabalho; poesia popular; desafios;
romances; cantos religiosos; quadras, pasquins... |
Adolfo Mariano - Goiandira |
A
A vida si foi custosa
Hoji está com diferência,
Com a falta de dinhêru
Que trouxe esta indigência.
B
Boa vida quem passou
Aqui uns anos para trás,
Na fartura do dinheiro
Que hoje não se encontra mais
C
Coitado de quem percisa!
Coitado de quem não tem!
Percisa comprar de tudo
E não ter no bolso vinteim.
D
Desde que apareceu
A guerra do estrangeiro,
Todo mundo enriqueceu
E agora não há dinheiro.
E
Eu tenho dó da pobreza
Deixa lá que é infeliz!
Até os capitalista
Já queixa, clama e maldiz.
F
Fico triste aborrecido
Quando pego a maginar,
Com esta crise tão custosa
Que temos de atravessar.
G
Gosto de andar seguro
Nos direitos e meus negócios:
Com a falta de dinheiro,
Quero ser bom mas não posso.
H
Hoje está tão diferente
Como era de primeiro
Tendo dez tostões no bolso
Já digo que tenho dinheiro.
I
Ignoro de fazer dívida
Nesta triste ocasião,
Quando chega os credores
Já vem com imposição.
J
Já quando o dinheiro vem
Não sabe para quem dar,
Quanto mais está custoso
Mais a gente há de gastar.
L
Logo assim que acabou
A guerra do estrangeiro,
Pensei que podia ver
Abundância de dinheiro.
M
Mais que triste ocasião
Agora prá nós chegou,
A gente tem que vender
Mais não acha comprador.
N
Nesta falta de dinheiro
Muita gente passa mal,
Para luxar a gente faz
A questão é café e sal.
O
O dinheiro está sumindo,
Tenho dó é da pobreza
Mesmo assim o povo fala
Que Deus amou a "limpeza".
P
Por causa de dona crise
Muita gente tem sofrido,
Percisa comprar de tudo
Sempre está desprevenido.
Q
Quem tiver desprevenido
Tem de ficar no atraso
Percisa de alimentar
E ninguém não vende a prazo.
R
Ruim ocasião chegou
Para quem não faz esforço,
Percisa munir a casa
Sem ter dinheiro no borso.
S
Sorte triste da pessoa
Que percisa de socorro,
Numa ocasião assim
Passa vida de cachorro.
T
Triste coisa neste mundo
É a falta de dinheiro,
Faltando perciso em casa
Incomodar um companheiro.
U
Um café que é de saída
Quem tem ele para vender,
Custa treis mil reis o quilo
Se alguém quiser beber.
V
Valha-me Nossa Senhora!
Tenha dó dos flagelados,
Aumenta mais o dinheiro
Que está quasi acabado.
X
Xora a farta de dinheiro
O vil metal está sumido
Muita gente está chorando
Mais ninguém não é valído.
Z
Zombarei da dona crise
Fazendo este ABC,
Tomara que ela suma
Para o dinheiro aparecê.
O til é uma letrinha
Que no fim é que se escreve,
Obiserve, minha gente
Sem dinheiro não se véve.
(Copiado do jornal Novo Horizonte, 13 de julho de 1928)(Teixeira, José Aparecido. Folclore
goiano; cancioneiro, lendas, superstições. 3ª ed. São Paulo; Brasília,
Companhia Editora Nacional; Instituto Nacional do Livro, 1979. Brasiliana, 306) |
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