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PIQUE

Brincadeira realizada por um grupo de crianças, que consiste basicamente em corridas e perseguições. De um modo geral, possui os seguintes componentes: o perseguidor escolhido por sorteio, que corre atrás das outras crianças e o pique, que pode ser um objeto, um local, uma palavra ou um gesto, determinados pelas crianças, dependendo da combinação feita entre elas e que tem, geralmente, a função de colocá-las a salvo da perseguição, liberá-las para continuarem a correr. Pode também ser um prêmio a conquistar.

A inserção de outros elementos nessa forma básica, faz com que a brincadeira adquira diversas modalidades, recebendo diferentes nomes, como estes, registrados no Estado do Rio de Janeiro:

pique-de-abaixar: também conhecido como pique-baixo. A dinâmica da brincadeira é semelhante a do pique-tá, variando apenas na escolha do pique: a criança para se livrar da perseguição tem que se abaixar.

pique-ajuda: também conhecido como pique-polícia e deus-me-ajude. O perseguidor corre atrás das crianças e aquela que for tocada passa a ajudar na tarefa de pegar as outras, colocando-se nas proximidades do pique, para evitar que algum participante se aproxime e se libere da perseguição. A brincadeira termina quando todos são tocados pelo perseguidor e seus ajudantes. O perseguidor na próxima rodada será o primeiro ou o último a ser tocado, dependendo de acordo prévio.

pique-alto: também conhecido como pique-escada, pique-altinho. A criança escolhida para ser o perseguidor esconde o rosto e inicia a contagem, enquanto as demais procuram lugares altos para se esconder. Aquela que não conseguir, está com o pique, passando a ser o perseguidor.

pique-bandeira: também conhecido como pique-bandeirinha. Formam-se dois grupos, compostos. cada um de número igual de crianças.Risca-se uma linha no chão para dividir o campo. Cada grupo tem uma bandeira, simbolizada por um pedaço de pau ou um galho de árvore ou qualquer outra coisa convencionada por eles. Essa bandeira é colocada no fundo do campo ou então, a uma distância de oito passos a partir da linha divisória. O objetivo da brincadeira é tentar apanhar a bandeira do grupo oponente e correr de volta para o próprio campo ou por um percurso determinado. Para isso, invade-se, correndo, o campo inimigo. Os donos do campo invadido, devem perseguir os invasores e tentar colá-los, isto é, alcançá-los com a mão. Quando isto acontece, quem está colado só pode ser libertado por um companheiro que também tem de tocá-lo com a mão.

pique-barrile-um: também conhecido como pique-rabo e pique-salvo. Escolhe-se o perseguidor que esconde o rosto, contando até dez e sai a procura dos demais. Ao avistar alguém, grita: - Barrile-um! A criança que foi avistada tem que parar imediatamente. Ela só pode voltar a correr se for tocada por alguém que ainda não tenha sido visto, ficando, assim, salva. O primeiro a ser visto é o pegador na próxima vez.

pique-bola: semelhante a brincadeira chamada queimado. Nesse pique, a criança sorteada para perseguidor usa uma bola para atingir os companheiros. É muito usado por meninas.

pique-cola: escolhe-se, por sorteio, o pegador que corre, tentando tocar cada uma das crianças. Ao consegui-lo a criança fica imobilizada - colada - até o final da brincadeira, a não ser que seja salva por outra atraves de um toque. Não pode salvar quem está imobilizado o participante que já tenha sido colado anteriormente. A criança colada três vezes passa a ser o pegador na próxima rodada.

pique-esconde: também conhecido como pique-curu-e-ura e maria-esconde. A criança escolhida por sorteio para ser o pegador, esconde o rosto num lugar determinado para ser o pique e conta até o número convencionado. Enquanto isso, as demais vão se esconder. Quando termina a contagem, a criança que está no pique diz: - Trinta e um de janeiro, lá vou eu! E tenta encontrar os que estão escondidos. Ao encontrar alguem, toca-o com a mão ou diz seu nome, fazendo com que saia da brincadeira. Para se colocarem a salvo da perseguição, as crianças têm que alcançar o pique sem serem vistas pelo perseguidor e gritar: - Um, dois, três, pique Na rodada seguinte, o pegador continuará sendo o mesmo, caso todos tenham conseguido alcançar o pique; em caso contrário, será aquele que primeiro foi visto.

pique-estátua: escolhe-se o pegador que começa a correr atrás das outras crianças. Quando uma delas se vê quase alcançada, deve ficar imóvel como uma estátua. Se se mexer, o pegador bate nela e passa-lhe o pique, isto é, passa-lhe a sua função.

pique-fruta: a dinâmica deste pique é igual a do pique-tá. Porém, para que a criança não seja apanhada tem que gritar o nome de uma fruta, não devendo, entretanto, repetir os que já tenham sido ditos. Quem for alcançado e não atender a esta norma será o pegador da vez seguinte.

pique-lata: também conhecido como pique-lateiro ou chuí. Escolhido o perseguidor, ele conta até um número previamente convencionado e, em seguida, sai a procura dos companheiros que estão escondidos. O primeiro a ser encontrado será o próximo pegador. Este pique apresenta a particularidade de exigir de todos os participantes constante atenção para uma lata que nele desempenha importante papel: quem conseguir pegá-la, será o vencedor, quem a chutar durante a perseguição não só é salvo, como também libera todos os que tenham sido eliminados, permitindo-lhes entrar novamente na brincadeira. Além disso, toda vez que o pegador acha um dos companheiros escondidos deve ir até a lata, segurá-la, bater com ela três vezes no chão, dizendo o nome daquele que foi descoberto, ou então contando três vezes: - Um, dois, três! Um, dois, três! Um, dois, três

pique-laterado: semelhante ao pique-lata. A diferença consiste em que o pegador grita a palavra laterado e diz o nome da criança assim que a vê. Se alguma criança chuta a lata, o pique recomeça.

pique-mãe-da-rua: também chamado de pique-baleia e pique-calçadinna. Formam-se duas turmas e são sorteadas duas crianças, uma em cada grupo. Faz-se novo sorteio para se escolher qual das duas será a mãe-da-rua, ficando a função com o perdedor. A mãe-da-rua fica no meio da rua, as demais crianças nas calçadas. Enquanto atravessam a rua de um lado para o outro pulando num pé só, sem poder voltar, a mãe-da-rua deve tentar segurá-las. Quem for agarrado passa a ajudá-la nessa tarefa. Quem fica próximo ao meio-fio pode ser puxado para o bando da mãe-da-rua. Quando isso ocorre, os seus companheiros vêm em seu socorro, tentando, com energia, livrá-los do adversário.

pique-parede: a organização da brincadeira é semelhante a do pique-tá, porém as crianças para se salvarem escolhem como local do pique uma parede.

pique-pau: também conhecido como pique-folha. A organização é semelhante à do pique-tá variando na escolha do pique, que será um pedaço de pau.

pique-pedra: nesta modalidade de pique, as crianças devem andar sobre pedras para se salvarem da perseguição.

pique-pé-na-lata: semelhante ao pique-lata e ao pique-laterado quanto à organização e dinâmica. A diferença está no final da contagem, quando o perseguidor grita: - Vinte e um de janeiro, cada um no seu poleiro!

pique-pneu: semelhante ao pique-bola e ao queimado. A variação consiste na escolha, para a função de pegador, de duas crianças que durante a brincadeira devem jogar pneus na direção das demais. Fica sendo pegador, aquele que for atingido por um pneu.

pique-poste: também conhecido como pique-bóia. Forma de organização dinâmica semelhante à do pique-tá, variando no local do pique. As crianças para se livrarem da perseguição devem bater três vezes em um poste de iluminação.

pique-de-pular: se a criança perseguida for alcançada, deverá abaixar e deixar que o perseguidor pule por cima dela.

pique-quatro-cantos: também conhecido como pique-picolé. Os quatro cantos de uma sala, pátio, coreto ou um quadrado riscado no chão são disputados por cinco crianças. Para isso coloca-se uma criança em cada canto e outra no meio. As que ficam nos cantos trocam de lugar com rapidez, enquanto a que esta no meio tenta ocupar um dos lugares deixados vagos, durante esses deslocamentos.

pique-quietinho: Formam-se dois grupos. Todas as crianças de um grupos devem tapar os olhos e tentar agarrar as do outro. Quando um dos perseguidores pressente que há alguém perto, diz: - Quietinho! Nesse caso, a criança deverá ficar imóvel e o pagador tocando nela, deverá identificá-la.

pique-ronda: dois círculos são riscados no chão e sorteia-se uma criança para ser o pegador, que só abandonará o local do pique quando as mais estiverem escondidas. Ao localizar cada criança, o perseguidor faz uma marca entre os círculos. O último avistado será o pegador. proxima rodada.

pique-seu-urso: dinâmica semelhante à do pique-tá. Escolhe-se uma criança para ser o urso, que deverá ficar num lugar determinado. Quando as outras crianças gritam: - Corre seu urso! ele tenta pegá-las. Torna-se seu ajudante aquele que for apanhado.

pique-tá: também conhecido como pique-tapinha, pique-já e pique-morte. É a forma mais simples de pique. Escolhe-se o pegador e determina-se o local do pique. Iniciada a perseguição, estará a salvo aquele que chegar ao pique antes de ser apanhado. Se o pegador não conseguir alcançar alguém, permanece na mesma função. Em caso contrário, é imediatamente substituído por quem foi apanhado. Em algumas modalidades ele, depois de pegar o primeiro, que assumirá o seu papel, deve correr e tocar, isto é, dar tapinhas, em todos os companheiros para que nova rodada se inicie.



(Folclore fluminense, p.194-197)