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| Página 1 | 2 | 3 | Sumário | Festança | Cancioneiro | Imaginário | Oficina | Palhoça | Colher de Pau | Panacéia | Catavento |
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Com relação ao clima, não há palavras que
façam justiça à sua temperatura e salubridade. Em São José, durante o período da
"chuva fria", a temperatura era um pouco desagradável, com o termômetro
descendo a 64º Fahr. Sua maior variação ia desse ponto até 79º, mas geralmente ele se
mantinha entre 69º e 70º, o que, como você deve recordar, corresponde a uma temperatura
do verão bastante amena e agradável. Não obstante, correspondia também à estação
das águas, um período funesto em qualquer outro país tropical. Durante várias semanas,
eu passava de oito a nove horas por dia com a camisa molhada, e as roupas que eu tirava à
noite eram vestidas ainda molhadas na manhã seguinte. Quando não estava chovendo, o que
era raro, fazia um sol escaldante, e a gente começava a fumegar e a exalar vapor de
nossas roupas úmidas, como se nos estivéssemos evaporando. Um clima desses na África,
na mesma latitude, não seria suportado por nenhum ser humano, e praticamente todo europeu
que o enfrentou foi vitimado por ele. Não é o caso do Brasil, porém. Ninguém aqui é
afetado por essas condições atmosféricas, que são tão fatais em outras regiões. No
que me diz respeito, nunca tive tanta saúde e tão boa disposição de espírito quanto
as que desfrutei quando me achava, na realidade, derretendo-me ao sol ou dissolvendo-me na
chuva. Parece-me que o relato deixado por Cambrensis sobre a antiga salubridade da Irlanda
poderia também aplicar-se ao Brasil atual [1] e essa salubridade
acabou dando origem a um ditado popular, segundo o qual o Brasil é um país onde o
médico nem sobrevive, nem morre. Não existia nenhum médico em São José, mas me
informaram que tinha havido dois em São João del Rei, mas que um foi embora porque não
conseguia clientes e o outro, durante muito tempo, só tinha a si próprio como paciente.Os variados aspectos da Natureza constituem, também, outra extraordinária característica deste país. No decorrer da minha viagem, passei por seis diferentes regiões, extremamente distintas uma da outra quanto ao aspecto, formação e produção. A primeira foi a de beira-mar, com suas férteis planícies estendendo-se desde a borda do mar até o sopé da Serra dos Órgãos, numa largura de aproximadamente noventa quilômetros. Trata-se, com raras exceções, de uma região plana, de solo aluvial ou arenoso extremamente fértil, povoada de fazendas e geralmente bem cultivada; nela as florestas primitivas foram quase que totalmente substituídas por bananeiras, mangueiras e outras árvores frutíferas, sendo os caminhos que a cortam margeados por sebes bem aparadas de acácias, lembrando as cercas-vivas da Inglaterra. Entre as plantas que só encontrei nessa região está o bálsamo [2], tão apreciado no Oriente. Essa trepadeira envolve as árvores e sebes com suas flexíveis hastes, enfeitando-as com suas flores amarelas e suas compridas vagens cor de laranja, tão grandes como limões, as quais são extremamente sensíveis e se rompem ao meio, imediatamente, ao mais leve toque; as duas metades se enroscam, então, e deixam exposto o seu interior, com suas fileiras de grandes sementes chatas, envoltas num arilo escarlate e recobertas por uma cintilante camada de resina, o que, contrastando com o amarelo vivo das vagens, dá à planta, nessa fase, uma aparência tão bela quanto singular. Os árabes do Egito e da Palestina, e os turcos da Ásia Menor fazem uma infusão dessas sementes no azeite, deixam-na exposta ao sol até que se torne vermelha e depois aplicam-na em ferimentos, molhando nela um pedaço de algodão. Eles lhe dão mais valor do que ao bálsamo de Meca. Desconfio de que ela tenha sido importada originarianlente de lá, junto com outras plantas orientais que atualmente são também muito comuns no Brasil, não tendo, porém, sido ainda reconhecido ou apreciado o seu valor como cicatrizante. Quanto a insetos há nessa região uma enorme aranha que não vi em nenhum outro lugar. Ao passar certa vez por entre árvores muito juntas, senti que minha cabeça esbarrava em algum obstáculo, e quando me desviei vi que o meu leve chapéu de palha tinha ficado preso nele. Ao levantar os olhos, deparei com o chapéu suspenso no ar, enredado nas malhas de uma imensa teia, que havia sido tecida como um espesso véu de gaze através da passagem e se estendia de uma árvore a outra como se fosse um vasto lençol arredondado de três ou quatro metros de diâmetro. Todo esse espaço estava coberto de aranhas da mesma espécie [3] mas de diferentes tamanhos; algumas delas, quando estendiam as pernas, formavam um círculo de seis ou sete polegadas de circunferência. Pintas de cor viva constituíam sua principal característica. Os fios que compunham a teia tinham um tom amarelo acetinado, como os do bicho-da-seda, sendo tão resistentes quanto eles. Enrolei vários deles num cartão, conseguindo obter uns três ou quatro metros desses fios. Há alguns anos, um homem de Languedoc tentou estabelecer uma manufatura de seda de fios de aranha e teve tanto sucesso que chegou a fabricar luvas e meias. Contudo, o grande empecilho ao seu empreendimento foi a implacável hostilidade que as aranhas demonstravam umas para com as outras. Reaumur colocou cinco mil delas em cinqüenta compartimentos, mas as maiores começaram a destruir as menores, até que não restou mais do que uma ou duas em cada cela. Esse problema não existe no que se refere à espécie brasileira, pois aqui a aranha não tem vida solitária e sim gregária. Colônias com mais de uma centena de espécimes ocupam a mesma teia e vivem juntos em perfeita comunhão. O conde Linhares pretendia fazer algumas experiências com os resistentes fios da teia dessa aranha, mas caberá a outros levar avante os seus projetos nesse particular. Outra região de aspecto diferente é a de Serra Acima com seus extensos morros de argila cobertos por imensas florestas. Uma grande parte desses morros parece consistir de terra sem qualquer mistura rochosa. Vimos em alguns lugares profundos cortes verticais nas encostas, causados ou por deslizamentos ou por escavações, alguns deles descendo quase trinta metros e deixando ver, entranhadas na terra, as raízes de imensas árvores, que chegavam a uma incrível profundidade e quase encenavam a descrição do poeta [4]. A extensão que elas atingiam no interior da terra era tão grande quanto a alcançada por sua ramagem acima do solo. Na maior parte desses vastos montes de argila não se via uma única pedra que chegasse a ter pelo menos o tamanho de uma bola de gude. Era no cume e nas encostas desses morros que as florestas primitivas ainda são encontradas. Várias árvores sobressaíam por sua beleza e singularidade. Entre elas, viam-se diversos tipos de embeaporba. O tronco dessa árvore é inteiramente nu, bem como os galhos que se abrem no seu topo; de suas extremidades, porém, pendem imensas folhas em forma de palma. Em algumas espécies, a face interna das folhas é coberta por uma penugem esbranquiçada; com o calor do sol, essa parte se volta para cima, fazendo com que sua superfície pareça coberta por lindas flores brancas. A flor dessa árvore é altamente apreciada, sendo utilizada como antídoto contra a picada de cobras. Sua madeira é usada principalmente no fabrico de pólvora, por ser macia, sendo altamente inflamável o carvão feito com ela. Com essa árvore contrastava extraordinariamente a árvore de coral [5]. Agulhas recobertas de lindos botões escarlates do tipo papilionáceo, grandes como castanha-da-índia, eriçavam os seus galhos e criavam uma rubra auréola em torno da árvore. Suas folhas tinham uma curiosa peculiaridade. As mimosas e acácias ao redor dela expandiam ao máximo a sua folhagem, à luz do sol, e a recolhiam quando ele se ocultava entre as nuvens. Com a eritrina, porém, acontecia o oposto. Suas grandes folhas trifoliadas se fechavam ao calor do sol, como se para protegerem os seus botões do ardor de seus raios. Essa curiosa precaução foi notada pelos poetas: "Ao passo que a eritrina por sobre suas tenras flores Estende as suas folhas e enfrenta a hora ardente." [6] Essas, com diferentes tipos de melastoma, davam à mata um vivo colorido, de forma que, vistas nas encostas das grotas, apresentavam um mosaico dos mais vivos e variados matizes. Essas matas ainda têm em abundância o pau-brasil [7], que é encontrado até mesmo na Tijuca, nos arredores da capital. É proibido exportar essa madeira, mas não cortar a árvore. Por conseguinte, ela é utilizada para os fins mais variados e comuns, sendo muitas vezes usada junto com outras na construção de casas, como tivemos oportunidade de ver. A pessoa pode queimar essa madeira, se assim lhe aprouver, para fazer sua comida, mas não pode vendê-la. A árvore é grande, com folhas pinuladas, distinguindo-se na mata por seus galhos espinhosos e suas vagens ouriçadas de farpas. Todavia, entre as árvores que para o europeu dão à mata um caráter peculiar, nenhuma é mais extraordinária em sua singularidade do que a palmeira. Elas podiam ser vistas projetando-se acima das outras árvores a uma colossal altura, com o seu talhe longo e esguio, coroadas por plumosos tufos de folhagem, como penas de avestruz agitando-se ao vento. E de todas elas, a açaí [8] é a mais elegante e bela. É dessa palmeira que é tirado o palmito. Seu fino tronco não mede mais do que dezoito centímetros de diâmetro na base mas chega a atingir uma altura de 30 metros ou mais. A haste é marcada por anéis, distantes uns dos outros cerca de 18 centímetros, apresentando perto do topo um comprido e carnudo cilindro de onde brotam as folhas. Esse pecíolo verde contém o embrião da planta. É composto de rudimentos das futuras folhas, lindamente dobrados e enrolados no centro. O seu desenvolvimento a partir desse ponto forma o lindo tufo que coroa o topo da palmeira. Essa parte é extraordinariamente macia e constitui um prato saboroso e substancioso, depois de cozida e servida com carne. Por toda a mata essa bela árvore podia ser vista projetando-se acima de suas companheiras, agitando à mais leve brisa sua haste longa e flexível e seu tufo de folhas sedosas e delicadas. |
Na verdade, ela parecia
pertencer mais ao céu do que à terra, pois em alguns lugares ela coroava o cume das mais
altas serras e era a única cuja folhagem podia ser vista projetando-se no azul do céu,
como os cabelos de Berenice flutuando no estrelado firmamento, pois a haste da palmeira
era tão esguia que não podia ser discernida à distância. Foi com grande pena que
ataquei pela primeira vez um exemplar dessa linda árvore e o destrui inteiramente, para
aproveitar uma pequena e suculenta porção do seu tronco. Quando encontramos uma delas na
encosta de um morro à beira da estrada, agarramos o seu tronco e começamos a curvá-lo
até que se partisse junto à base e tombasse ao chão. Com um facão, cortamos a sua
graciosa cabeça e deixamos o seu corpo apodrecendo no meio do caminho. Em qualquer outro
país, isso poderia ser considerado um ato de destruição gratuito e injustificável;
aqui, porém, significa apenas desbastar o solo removendo algo que o atravanca por sua
profusão. A destruição de uma árvore nessas matas não altera a exuberância da vida vegetal. Em cada tronco despojado de suas folhas e de sua casca se enroscava uma profusão de parasitas, cobrindo a madeira nua com um manto não menos luxuriante de folhas e flores. Entre elas sobressaíam diferentes espécies de plantas aéreas [9] e tilândsias. As primeiras eram tão singulares quanto belas; elas se agarram às superfícies mais secas e sem vida e florescem como se ali fosse o mais fértil dos solos. Joguei dentro de minha mala um espécime delas que achei interessante, onde ele ficou esquecido; alguns meses depois, ao desdobrar uma peça de roupa, espantei-me ao deparar com uma bela flor escarlate da classe hermafrodita, inteiramente desabrochada; a planta não só não tinha morrido como se desenvolvera e florescera, embora totalmente desprovida de ar, luz e umidade. Todas as árvores secas, ali, eram cobertas por elas e suas flores, que exibiam todos os matizes, desde o amarelo mais vivo ao vermelho mais rubro. Elas se propagam facilmente por transplante, e na casa do meu bom amigo o coronel Cunningham, em Botafogo, todas as árvores do seu jardim eram cobertas por elas. A tilândsia não é menos extraordinária. Também cresce em árvores secas, nunca no chão. Suas sementes são providas de uma comprida fibra transparente, como o fio de uma teia. Quando amadurecem, elas se desprendem e são levadas pelo vento, arrastando atrás de si seus longos fios. Ao esbarrarem num galho seco, o fio se prende nele, dando várias voltas até que a semente fique em contato direto com o galho, onde logo germina e o recobre de nova folhagem. Aqui ela floresce como um pé de abacaxi, projetando do seu centro um comprido estilete recoberto de flores escarlates. Em algumas espécies [10], as folhas formam uma saliência em baixo, à semelhança de um pequeno receptáculo, que recolhe a água da chuva, proporcionando ao sedento viajante alguns goles de água fresca e cristalina em regiões elevadas onde não existe água. A quantidade de líquido recolhida nesses reservatórios é às vezes considerável, e em minhas tentativas de alcançar a haste da flor muitas vezes acabei encharcado. É suposição geral que há nessas matas uma profusão de pássaros de toda espécie; entretanto, não existe lugar mais quieto e solitário do que elas. O silêncio é assustador, e a solidão espantosa; nenhum dos dois é perturbado pela voz ou visão de um ser vivo à exceção de um, que serve apenas para acentuar a impressão de desolação. No topo das árvores mais altas e no fundo das grotas mais profundas ouve-se de vez em quando um som tão singular que chega a ser sobrenatural. Lembra o tinir de metais, como se dois pedaços de ferro batessem um nó outro; e às vezes lembra o solene dobre dos sinos de uma igreja, tocado espaçadamente. Esse som extraordinário vem de uma ave chamada araponga. É branca, do tamanho aproximado de um pombo pequeno e tem um círculo vermelho ao redor dos olhos. Fica pousada no topo das árvores mais altas, nas profundezas da mata, e embora seja ouvida constantemente nos lugares mais ermos, ela raramente é vista. É impossível conceber algo que expresse maior solidão do que o profundo silêncio da mata, quebrado apenas pelo som metálico e quase sobrenatural desse pássaro invisível, que vem pelo ar e parece nos seguir por toda parte. Eu redobrava a atenção, sempre que o som parecia muito próximo, mas apenas uma única vez consegui vislumbrar o seu causador. A ave passou voando repentinamente acima de uma árvore muito alta, como um grande floco de neve, e logo desapareceu. A região dos campos apresenta outra variedade de solo. Os imensos morros de argila cobertos de matas desaparecem subitamente, dando lugar a extensas e ondulantes planícies, totalmente desprovidas de árvore, exceção feita de alguns arbustos. O solo já não é argiloso e sim cascalhento, como se formado por fragmentos de rocha em decomposição. Em alguns lugares as planícies são cortadas por bucólicas grotas cobertas de mata, em outros marcadas por profundos sulcos ou fendas, que deixam à mostra camadas de uma argila arenosa em várias tonalidades de vermelho e púrpura. Quando passamos por essa região, ela estava recoberta por um luxuriante manto verde salpicado de flores. Na estação da seca, porém, ela se transforma num tapete marrom de capim áspero e ressequido. Entre as poucas árvores encontradas nos campos acham-se algumas variedades do gênero Solanum. Uma delas, denominada fruta-de-lobo [11], era encontrada em profusão. Trata-se de uma planta espinhosa, de cerca de dois metros e meio de altura, com grandes flores cor de púrpura. Produz um fruto enorme, chegando muitas vezes a ter o tamanho da cabeça de uma criança; a menor brisa o arranca da árvore, e ele é visto espalhado por toda parte. O povo da terra considera-o um poderoso remédio contra o lumbago. Os pássaros nessa região são mais numerosos e o seu canto mais animado do que nas matas fechadas por onde passamos. O mais comum e interessante é o joão-de-barro, assim chamado porque é de barro que constrói a sua casa. Freqüentemente víamos uma delas, construída na parte superior de um galho grosso de árvore e se mantendo ereta sobre ele, e não pendente; seu formato é o de uma choupana irlandesa. Consiste numa construção de teto arqueado, tendo um corredor e uma porta que dá acesso a um compartimento. Por singular instinto, a porta é sempre feita do lado onde o vento é menos freqüente. A construção é tão sólida e bem feita que segundo dizem uma delas serviu ao seu engenhoso arquiteto durante várias primaveras. O pássaro é do tamanho de uma cotovia, ou talvez maior, e às vezes é chamado de tordo amarelo. É muito sociável, sendo geralmente encontrado nas proximidades dos ranchos e arraiais. A qualquer lugar que chegávamos, víamos o joão-de-barro empoleirado no galho de uma árvore, em posição ereta, anunciando a nossa presença com pios estridentes e animados, como se fosse um guardião colocado ali para avisar os habitantes da chegada de estranhos. Sua jovial saudação não se restringia, porém, aos lugares habitados, pois freqüentemente ele nos abordava quando nos achávamos muito distantes das moradas dos homens; e seus alegres pios de boas-vindas muitas vezes chegavam aos nossos ouvidos nos mais ermos lugares. Outro pássaro sociável e jovial é o bem-te-vi, assim chamado pela perfeita clareza com que pronuncia essas sílabas. Seu tamanho se aproxima ao de um pardal; tem o ventre amarelo e se distingue por um círculo branco ao redor da cabeça. Em qualquer lugar por onde passávamos, víamos sua cabeça surgir no meio da folhagem, e, espiando para nós, ele cantava: "bem te vi!", com ar malicioso, como se tivesse presenciado algo que poderia denunciar quando lhe aprouvesse. Uma outra variedade de solo que pudemos apreciar foi o das serras rochosas, que se elevavam do meio das planícies como imensos paredões, trazendo em seu seio os veios metalíferos e impregnando todo o solo ao seu redor com partículas dos preciosos minérios que as águas carreavam para ali. As características dessa região eram muito singulares, não tendo nenhuma afinidade com as duas primeiras. Os picos desnudos das pedregosas serras formavam às vezes protuberâncias nas quais a imaginação dos habitantes do lugar via semelhanças humanas. Um deles era chamado de Itacolomi, ou Menino de Pedra, e outro, Serra da Cara, por sua semelhança com um rosto humano. Deixamos essa rochosa Arábia e penetramos numa região coberta de mato. Em pequenas elevações do terreno viam-se capoeiras onde freqüentemente se misturavam fetos e sarças, lembrando por seu solo e aspecto as regiões centrais da Europa. Finalmente, passamos por entre eriçados picos e morros de cume afunilado, com suas paredes nuas e lisas de granito e suas formas bem definidas projetando-se para o céu, os quais não tinham a mais remota semelhança com nada que havíamos visto até então. Assim, pois, no decorrer da minha viagem, percorri seis regiões diferentes de um mesmo país, situadas a pouca distância umas das outras e não tendo entre si a menor afinidade ou semelhança, seja em sua estrutura, solo ou tipo de produção, e apresentando uma diversidade muito maior em sua superfície do que poderia ser encontrada na totalidade dos países europeus. Notas [1]. "Aeris tanta est
clementia, ut nec nebula inficiens, nec spiritus hic pestilens, nec aura corrupens;
medicorum opera parum indiget." Camb. cap.9. (Walsh, Roberto. Notícias do Brasil 1828-1829, p.141-148) |
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