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Irmandade do Divino Espírito Santo, foi fundada em 18 de fevereiro de
1770, por portugueses do arquipélago dos Açores, onde esta tradição
medieval se preservou e foi trazida para o Brasil.
Em várias regiões do Brasil iremos encontrar manifestações de
adoração ao Divino Espírito Santo, lugares como Florianópolis
(SC), Itu (SP), Parati (RJ), Ouro Preto (MG) e na Bahia, que além de
Salvador, na Igreja Matriz de Santo Antônio Além do Carmo, teremos o
Recôncavo (Cachoeira, Maragogipe e São Gonçalo dos Campos), e ainda
pelo interior como Andaraí, Rio de Contas, Ituaçu, Barra da Estive,
Porto Seguro, Jacobina e Juazeiro.
Este modo de adoração à Terceira Pessoa da Santíssima Trindade
nasce na Idade Média, com Santa Isabel, rainha de Portugal, que sendo
influenciada por pregadores católicos (abade Joaquim de Fiori), que
querendo justificar o poder real como dado por Deus, porque todo poder
vem de Deus, e que em breve iríamos viver uma terceira fase da
humanidade, a fase do Divino Espírito Santo, sendo a primeira a Fase
do Pai e a segunda a do Filho, Jesus Cristo; com este pensamento
rapidamente o culto à Terceira Pessoa da Santíssimo Trindade logo se
propaga.
Em Salvador, os irmãos do Divino, como ficarão conhecidos, irão
trabalhar pelas pessoas que perderam sua liberdade em decorrência de
dívidas, e para isso irão tirar esmolas durante as seis semanas que
antecedem à festa de Pentecostes - que é a descida do Divino Espírito
Santo sobre os apóstolos e a Virgem Maria, cinqüenta dias após a Páscoa.
Esta festa já existia antes de Cristo, no judaísmo, e ainda é
comemorada pelos judeus, só que com outro significado totalmente
diferente do Pentecostes Cristão.
A tradição da libertação dos presos foi mantida em Salvador, e até
hoje o Governo do Estado, através da Secretaria de Justiça e
Direitos Humanos garante à Irmandade a manutenção dessa tão
salutar tradição.
Até meados do século XIX, o Imperador era um adulto, porém essa
tradição foi desaparecendo para dar espaço à simplicidade e à
pureza das crianças. Outras tradições também desaparecerem, como
por exemplo os folguedos do Divino, que constituíam em uma espécie
de carnaval depois da Páscoa, talvez um princípio da tão conhecida
micareta, inclusive com o uso de máscaras e timbaus; a distribuição
de comida e bebida, principalmente carne de boi, pão e vinho, nos
dias da festa; um fato colaborou com o fim destas festa profana, a
proibição oficial, imposta por ordem do Presidente da Província, no
início do século XIX, por causarem diversas arruaças.
A Irmandade do Divino Espírito Santo terá sempre em seus quadros,
pessoas de todas as qualidades, pobre e ricos. Durante muitos anos a
presença de irmãos portugueses, principalmente os açorianos será
muito grande. Muitos irmãos irão entrar para a história da Bahia,
como por exemplo: Carneiro Ribeiro; monsenhor Elpídio Tapiranga;
doutor Clímaco Damásio (primeiro governador republicano); professor
Torquato Bahia; Eduardo Carigé, escritor; doutores Manuel Devoto e
Lomanto Junior (ex-governadores); militares graduados; diversos
advogados e médicos; diversos cônegos, entre eles: Clarindo de Souza
Aranha, Hildário Florêncio de Araújo; Turíbio Tertuliano Fiusa,
Joaquim Tito Galrão, João Gonçalves da Cruz, monsenhor Basílio
Pereira, cardeal da Silva, cardeal Brandão Vilela.
Atualmente a Irmandade mantêm vivas as tradições recebidas, sendo
uma luta muito grande para que não desapareçam da Bahia. Ver o enigmático
menino Imperador desfilando pelas ruas do Santo Antônio Além do
Carmo, no dia do bando Anunciador, tradição mantida para lembrar a
todos que na semana seguinte é festa do Divino; ver a saída dos Irmãos
do Divino da Igreja Matriz de Santo Antônio em direção à Igreja da
Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora da Conceição do Boqueirão
dos Homens Pardos, no dia da festa, acompanhada de banda de música,
para conduzir o pequeno Imperador à Igreja Matriz de Santo Antônio,
onde deverá assistir a Missa Solene e, logo após, diante dos poderes
constituídos (Igreja e Estado), libertar os presos, na simbologia que
somente Deus nos dá a liberdade de vida.
A Irmandade do Divino Espírito Santo foi fundada em 18 de fevereiro
de 1770, por um grupo de açorianos, onde as tradições medievais
portuguesas referentes ao culto do Divino Espírito Santo foram
preservadas e trazidas para o Brasil, e já no ano de 1765 andavam
pela cidade fazendo os festejos do Divino, comandados sempre por um
adulto que era chamado de “Imperador do Divino”. Somente em 1772
teve o seu Compromisso aprovado pela Mesa da Consciência e Ordens de
sua Majestade, conforme consta na introdução do Compromisso da
Irmandade aprovado em 14 de abril de 1934, pelo Arcebispo Dom Augusto
Álvaro Cardeal da Silva.
A Irmandade do Divino Espírito Santo será, no seu princípio, uma
referência da cultura açoriana na Bahia, cuja sua manifestação
mais forte serão os folguedos do Divino, caracterizada em princípio
pelo Irmão adulto vestido de imperador usando coroa de prata, lavrada
para essa finalidade, sendo recebido na porta das Igrejas pelo vigário
vestido com capa (pluvial) e com o cerimonial próprio para as
autoridades, inclusive com aspersão de água benta. Outras manifestações
características da festas do Divino, como por exemplo “tirar esmola
nas portas com a bandeira”; distribuição de carne de boi, pão e
vinho em grandes quantidades, e soltura de preso na Casa de Detenção,
após o pagamento de sua dívida, serão também introduzidas nestes
festejos.
A Irmandade manteve o seus rituais quase que inalterados durante esses
231 anos de história oficial, porém algumas coisas desapareceram ou
simplesmente foram substituídas por outras, como por exemplo a figura
do Imperador adulto por uma criança. Os rituais de se pedir esmola são
outros, não mais usando o pedir de porta em porta com a bandeira em
punho, e sim o uso de carnês.
O seu primeiro compromisso desapareceu dos arquivos da Irmandade,
contudo têm-se notícias da existência de cópia no Arquivo
Ultramarino, em Lisboa, porém encontra-se no arquivo da Irmandade o
seu primeiro livro de contas de 1770 a 1889, que é uma fonte preciosa
para elucidação de diversas questões referentes à presença açoriana
na Bahia, e ainda têm-se os livros de Registro de Irmãos
(1859-1998), bem como o compromisso, já citado, de 1934, sendo
impresso somente em 1937.
(BRITTO, Ionan Galo Toscano de. Pequeno
resumo sobre a origem da Irmandade do Divino Espírito Santo na Bahia,
enviado em colaboração à Jangada Brasil) |