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Junho 2001
Ano III - nº 34

CULINÁRIA JOANINA

O plantio do milho propicia às festas juninas os pratos regionais da época que através de pesquisas estamos oferecendo como colaboração ao Ciclo junino.


Bolo de Santo Antônio


250 gramas de farinha de trigo
250 gramas de manteiga
8 ovos
250 gramas de açúcar
10 gramas de erva-doce
100 gramas de castanha assada sem casca

Misture o açúcar com a manteiga (com colher de pau) até ficar bem ligado, junte a erva-doce e vá pondo as gemas, uma a uma mexendo sempre.

Continue a bater a massa durante 3 ou 4 minutos e por fim misture a farinha com muito cuidado. Asse em forma redonda, untada e forrada com papel vegetal também untado. Forno regular. Com as claras que sobrara, faça uma massa de suspiro, cubra com ela o bolo depois de assado e enfeite-o com as castanhas.


Broas de milho

1/2 litro de leite
1 kg de farinha de milho
1 colher de gordura (manteiga)
1 colher de erva-doce
sal
açúcar a gosto
ovos (quantos sejam precisos para dar consistência à massa)

Junte todos os ingredientes exceto os ovos, numa caçarola e leve-a ao fogo, mexendo a massa até ficar um angu duro. Deixe esfriar e então vá amassando com os ovos até que fique no ponto de fazer broas.

Faça enrolando-as nas mãos ou numa xícara polvilhada com fubá e leve ao forno em tabuleiro polvilhado. O forno deve ser regular.


Munguzá

milho para munguzá
açúcar a gosto
leite de coco
erva-doce a gosto

Leve o milho ao fogo com bastante água para cozinhar. Quando cozido, junte o leite de coco, tempere com o açúcar e a erva-doce e deixe ferver algum tempo para apurar. Sirva com canela em pó e café.


Bolo de mandioca

1 quilo de massa de mandioca
5 ovos
3 xícaras de açúcar
1 garrafa de leite de coco
2 colheres de fermento
1 pitada de sal
200 gramas de manteiga

Bata a manteiga com o açúcar, depois as gemas, juntar a massa, o leite e os demais ingredientes. Por último as claras em neve. Forno quente.


Arroz doce

1 xícara de arroz
1 xícara de açúcar
1 litro de leite
casca de limão

Lavar o arroz e cozinhar em fogo lento. Quando estiver quase cozido junte o leite, açúcar e a casquinha de limão. Não deixe secar demais. Sirva polvilhado com canela em pó e acompanhado com saboroso café.


Bolo de milho seco

Passada a safra de milho, este cereal continua participando de nossa alimentação, através do munguzá, do cuscuz e do bolo de milho seco, servido na ceia e que é feitos assim, conforme receita recolhida por Gilberto Freyre: "Uma xícara de açúcar, doze ovos, sendo seis claras e seis sem elas, meio quilo de manteiga, dez colheres de sopa de fubá de milho e dez de farinha de trigo. Forno quente. Forma amanteigada".


Bolo de nata

"Ingredientes: Uma xícara de nata, duas de açúcar, duas de leite, duas de farinha de trigo, três ovos, quatro colherinhas de pó Royal. Modo de fazer: Mistura-se a nata com o açúcar até ficar como um creme; põe-se o leite e, em seguida, a farinha de trigo, depois os ovos bem batidos e, por último, o pó Royal. Assa-se em forno brando, em forma untada com manteiga", conforme receita de dona Denise Wanderley Cadete, do Recife.


Bolo-de-rolo Pernambuco

"Tomam-se duzentas e cinquenta grams de manteiga, duzentas e cinquenta gramas de farinha de trigo, meia lata de goiabada e cinco ovos. Modo de fazer: Bate-se o açúcar com a manteiga. Depois de bem batido, vão-se botando os ovos, um a um, e por último a farinha de trigo. Depois de bater bem, bota-se a massa na assadeira que deve estar bem untada de manteiga. Tira-se do forno, despeja-se num guardanapo e deita-se sobre a massa uma camada de doce, que já deve estar derretido. Enrola-se depressa a massa sobre o doce. Forno quente", registra Gilberto Freyre.


Bolo de São João

Bolo este próprio da época dos festejos juninos. Esta receita foi recolhida por Gilberto Freyre e é assim. "Ingredientes: Uma tijela de massa de mandioca lavada; quatorze gemas de ovos, meio quilo de açúcar. Modo de fazer: Quando estiverem os ovos bem batidos, batem-se cento e vinte gramas de manteiga e uma xícara de leite de coco sem água. Junta-se tudo e continua-se a bater até que ligue bem. Vai ao forno regular numa forma untada com manteiga".


Canjica de milho verde

12 espigas de milho verde
leite de coco
açúcar
manteiga a gosto
chá de erva-doce a gosto

Ralar o milho, passar por uma peneira. Juntar o leite de coco e o açúcar e levar ao fogo mexendo sempre até cozinhar bem (uma hora mais ou menos). Juntar a manteiga (se quiser), sirva-se acompanhado de gostoso café.


Pamonha de milho verde

24 espigas de milho verde
açúcar a gosto
leite de coco
2 colheres de manteiga

Tire as palhas das espigas reservando as que estiverem mais perfeitas; faça com ela os saquinhos. Rale as espigas numa vasilha funda, molhe com o leite (passe na peneira) e adoçe a gosto. Encha os saquinhos de palha com essa massa e vá colocando num caldeirão com água fervente. Quando a palha ficar amarela as pamonhas estarão cozidas. Retire-as da água e leve a escorrer numa peneira. Sirva frias no próprio saquinho.


Pé-de-moleque

1 kg de massa de mandioca molhada
Açúcar mascavo a gosto
1 pitada de sal
2 ovos inteiros
leite grosso de 2 cocos ralados
2 colheres de sopa de manteiga

Misturar tudo e acrescentar moídos: castanha, cravo, erva-doce. Untar a forma com margarinha ou palha de bananeira. Levar ao forno quente em média 40 minutos. Para melhor sabor, sirva-o com café.


Bolo de bacia à moda de Pernambuco

"Batem-se doze gemas de ovos com vinte colheres de açúcar; depois de tudo bem batido, põe-se meia libra de manteiga, leite de dois cocos e deita-se a massa de mandioca até ficar em boa consistência de assar. A massa deve ser bem seca", registra Gilberto Freyre.


Bolo de batata-doce

A batata-doce foi um dos alimentos vegetais dos aborígines brasileiros que os colonizadores encontraram, provaram e gostaram, lembra Gilberto Freyre citando Peckolt. É um tubérculo muito usado no Nordeste na alimentação de todos. Com a batata-doce, comida cozida com o café da manhã ou da noite, fazem-se muitos outros pratos como farofa, doce e bolo, com a vantagem de substituir a batata-inglesa no enfeite de pratos de carne. Em três estórias de Deus quando fez o mundo, Mário Souto Maior nos conta que "Deus lembrou-se do homem preguiçoso e ficou com pena dele. Para compensar a invenção da preguiça no homem, Deus imaginou uma planta que ajudasse a alimentação dos preguiçosos, uma planta que não desse muito trabalho. E fez uma folha que jogou ao sabor do vento. E quando aquela folha caiu no chão, nasceu um pé de batata-doce, que é a plantação que não dá trabalho nenhum. Basta enterrar um raminho no chão fofo e pronto! Ela dá que é uma beleza. É por isso que quando uma coisa é fácil, o povo diz que é como batata, que foi inventada para facilitar a vida dos homens". Vejamos agora, como se fazer o bolo de batata-doce: "Meio quilo de açúcar em calda grossa, um quilo de batatas cozidas, moídas e peneiradas (basta cozinhar as batatas e passar no espremedor próprio), duzentas e cinqüenta gramas de farinha de trigo, leite de um coco, cem gramas de manteiga, junta-se tudo, põe-se numa forma untada com manteiga e leva-se para assar em forno quente", registra Gilberto Freyre.


Bolo de milho verde

Escolher doze espigas de milho maduro (as donas de casa preferem, para que o bolo fique ainda mais gostoso, utilizar seis espigas de milho maduro e seis espigas de milho bem verde). Rala-se o milho e em seguida passa-se numa peneira de arame. Faz-se um angu da massa com o leite de um coco (tirado com água), uma colher de sopa de manteiga, um pouco de erva-doce e açúcar a gosto. Feito isso, põe-se o angu numa caçarola e leva-se ao fogo para cozinhar. Depois de cozido deixa-se esfriar na mesma caçarola. Quando estiver frio, batem-se quatro ovos como para pão-de-ló. Mistura-se ao angu. Em seguida põe-se o bolo numa forma untada com manteiga, deitando-se por cima uma colher de leite do coco puro. Leva-se ao forno quente para assar.


Bolinhos de milho (seco)

"Deitam-se ovos em uma vasilha, quantos se queira, uns com claras, outros sem elas, coloca-se açúcar, canela e erva-doce, tudo em quantidade que parecer conveniente. Bate-se bem tudo com colher de pau; após ser batido, põe-se a farinha de milho de modo que a massa fique um pouco mole; depois lança-se farinha de trigo até endurecer a massa. Após colocar a farinha de milho, põe-se também uma porção de banha de porco misturada com a manteiga derretida, fazendo-se a massa dura como para biscoitos. Sova-se bem sobre uma mesa. Estendem-se e arruma-se os biscoitos em bacias para irem ao fogo", registra Gilberto Freyre.


Bolo cabano

Leite de dois cocos com uma xícara d’água morna bem cheia. Oito ovos, sendo três com as claras e cinco sem claras. Os ovos devem ser muito bem batidos. Meio quilo de açúcar e meio quilo de farinha de trigo. Bater bem. Forno quente.


Bolo de amor

"Toma-se meio quilo de açúcar em calda no ponto do espelho (calda grossa) no qual se deitam dezoito gemas de ovos mexendo-se sempre até ficar em massa compacta; quando estiver frio, fazem-se os bolinhos que se polvilham com farinha de trigo ou fubá mimoso. Estes bolinhos vão ao forno em tabuleiros de folhas-de-flandres. Depois de prontos, polvilham-se os bolos com açúcar e canela", registra Gilberto Freyre.


Bolo de bacia

"Ingredientes: um quilo de massa de mandioca bem lavada, espremida e peneirada, seis ovos, três xícaras de leite de coco puro, três xícaras de açúcar, duzentas e cinquenta gramas de manteiga. Modo de fazer: Bate-se bem a manteiga com o açúcar, junte as gemas bem batidas, as claras em neve e o leite de coco. Mistura-se tudo, bem misturado, batendo-se sempre. Em seguida, junte a massa. Sal a gosto. Unte a forma com bastante manteiga, despeje a massa do bolo e leve ao forno quente", receita de dona Lígia de Souza Leão Maia, do Recife.


(Ciclo junino)

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