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BRINCOS INFANTIS

Tivemos o cuidado de não registrar neste trabalho, o que ja fora registrado pelos folcloristas sergipanos. Pelo menos do que tivemos conhecimento. Salvo para acentuar uma variante ou versão diferente, verificada na rica região onde desenvolvemos nossas atividades.

No que diz respeito aos "brincos" e "parlendas", o doutor Mário Cabral nos apresentou rica bagagem, através de sua conferência pronunciada em 8 de novembro de 1951, no lnstituto Histórico e Geográfico de Sergipe, e publicada na Revista de Aracaju, ano IV, número 4, 1951.

Notamos, porém, no trabalho do doutor Mário Cabral, a omissão daqueles conhecidíssimos "brincos" do "passarinho do bico de latão" e da "panelinha de breu".

Talvez para não sensibilizar os ouvidos rigorosos dos higienistas da linguagem.., pois, sendo-se fiel, tem-se que repetir a própria linguagem do povo. Arriscarei:

O "Passarinho do Bico de Latão" é interessante brinco que os meninos usam para encabular os incautos. Assenta suas bases numa prévia convenção. Um diz: - A tudo quanto eu disser você responde: - eu, também...

E começam:

- Fui por um caminho...

- Eu, também...

- Encontrei um "home"...

- Eu, também...

- O "home" tava cum fome...

- Eu, também...

- Encontrei um passarinho...

- Eu, também...

- Tinha o bico de latão...

- Eu, também...

- Pinicando um cagalhão...

- Eu, também... (risos)


Há, ainda, esta variante menos ingênua:

Convenção prévia: - Você vai acrescentando a sílaba "cão" às últimas palavras que eu for pronunciando.

E começam:

- Fui por um caminho.

- Caminhocão.

- Encontrei um riacho.

- Riachocão.

- Eu não sabia nadar...

- Nadarcão.

- Mas passei numa taba.

- Taba... (risos)

O brinco da "Panelinha de Breu" encerra alguma mágica, o incontensível desejo que têm os meninos de descobrir os segredos. Herança de seus maiores, que sempre buscavam descobrir os segredos através de rezas fortes, adivinhações ou consultas ao sobrenatural.

Quando, numa reunião de meninos, surge o odor insuportável oriundo de algum intestino pouco sadio, procura-se descobrir o mal-educado, que teria comido ovo podre ou carniça. E a procura se faz por meio de um brinco interessante. Um dos meninos recita:

"Panelinha de breu,
Caiu, fedeu!"

Estes versos são recitados pausadamente, sílaba por sílaba, - pa-ne-li-nha... de... breu, caiu... fe-DEU..."

Cada sílaba corresponde e coincide com um toque ou palmada na cabeça de cada um dos investigandos, correndo a roda, até chegar à última sílaba. Aí estará o dono da malcheirosa fugitiva.

(CARVALHO, DEDA. Brefaias e burundangas do folclore sergipano)