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O DICIONÁRIO DO AMOR Deus
ordenou que eu fosse Dormideira quer dizer: Sem ti não tenho prazer Coçando o nariz indica: Eu te amo até morrer Uma folha de colônia Quer dizer: eu nem te ligo Uma fivela indica: Por você eu mato e brigo Uma flor de papel verde Inda casarei contigo Uma flor de mamoeiro Nosso amor nunca tem fim Adália branca indica: És um anjo querubim Benedita quer dizer: Você é tudo pra mim Flor de malmequer indica Desejo saber por que Você não me beija e passa Oito dias sem me vê E passando a mão nos olhos Vivo louca por você A moça mostrando um lírio Tu és do meu corção Mostrando uma violeta: Me fizeste ingratidão E se mostrar uma orquídea Quer dizer: separação Ela mostrando um narciso Representa alguma coisa Porque quer dizer assim: Eu serei tua ou da lousa E mostrando um girassol Inda serei tua esposa O rapaz sorrir pra moça Fitando ela um momento Quer dizer: você parece Um anjo do firmamento E um forte aperto de mão Vou pedir-te em casamento Um lenço na algibeira Com a pontinha de fora Quer dizer eu pronuncio O teu nome toda hora E pegando na gravata Meu anjo não vá agora A moça botando um dedo Na sua face corada Quer dizer: estou sobrando Por ti vivo apaixonada E os dois dedos na face Quer dizer: eu sou casada A moça mostrar uma pena De ema ou zabelê Quer dizer: desapareça Que não quero nem lhe vê Mostrar um batom indica: Só me caso com você O rapaz sorrir pra moça E ela mostrar um prato Quer dizer: não quero ver-te O teu amor é barato Tu és colecionista Fanfarrão e muito ingrato Quando a moça botar As mãos em cima dos seios Quer dizer és todo meu Te amo sem aperreios Botando um dedo no queixo Não quero teus galanteios A mão no pescoço indica És falso que só judeu Uma mão no coração O meu coração é seu E as duas mãos no rosto Eu sou tua e tu és meu Acender um cigarro diz: Venha fazer meu desejo Exibir o polegar: Você é mesmo que queijo Botar a mão sobre a boca Minha filha eu quero um beijo A moça dá três suspiros Eu nasci para te amar Fazendo um penteado Contigo quero casar Mostrando uma cartinha Amanhã vou viajar Um beijo em cima dos seios E um aperto de mão Quer dizer: eu lhe adoro Sem mancha de ingratidão Há tempo que você é Dona do meu coração Botar o dedo na boca Quer dizer: você não pode Namorar que é casado Honre mais o seu bigode Bater palma quer dizer: Você gosta de pagode A moça mostrar um livro Quer dizer: és delicado Se for um livro aberto Inda dá mais resultado Quer dizer: o nosso amor Dá um romance traçado Aqui findo o meu livrinho Sem versar nada contrário Extraído de um livro Que tem um grande cenário Quem julgar que é mentira Consulte ao dicionário Compus com lógica serena O livro da mocidade Só descrevi a verdade Traçada na minha pena Aonde qualquer morena Lê tudo que lhe convém E deve acenar também Instruindo o seu amante Tente aprender num instante E não empreste a ninguém (BATISTA, Sebastião Nunes. Antologia da literatura de cordel) |
José Costa Leite nasceu em Sapé, Paraíba, no dia 27 de julho de 1927.
Filho de Paulino Costa Leite e Maria Rodrigues dos Santos. Famoso xilógrafo e poeta
popular. Tem publicado alguns álbuns com suas xilogravuras. Começou a escrever e
publicar seus versos em 1949. É autor de mais de uma centena folhetos, entre eles: ABC
do beijo; ABC do namoro e os acenos dos amantes; A águia de ouro no
reino das Três Coroas; Armando e Corina; As astúcias de Pedrinho ou O
menino da pata;O banho de Copacabana; O banho gozado da beira-mar; A
boa vida do rico e a triste vida do pobre; Carinho de mulher bonita e carinho de
mulher feia; A carta misteriosa do padre Cícero Romão Batista sobre os sinais
do fim do mundo e O coco do pinto pelado. |
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