Pelo Brasil afora as festas populares de Santo Antônio
praticamente não existem mais. No meio rural, casamenteiro é São Gonçalo de Amarante
e, na cidade, onde Santo Antônio arrumava casamentos, está este santo entrando em franco
desprestígio, em parte graças à independência que dia a dia a mulher brasileira vem
ganhando na sociedade atual. Muito venerado pelos escravos no Brasil era
o Santo Antônio de cor preta. Podia ser apenas a comum imagem, pintada de negro por
solidarismo e sublimação dos seus devotos. No
hagiolário católico há um Santo Antônio Preto, terceiro franciscano, nascido de uma
família muçulmana em Barca da Cirenaica, África do Norte, aprisionado por cristãos e
feito remeiro nas trirremes sicilianas, vendido como
escravo a um camponês de Noto, na Sicília. Convertido, liberto, tomou o hábito
franciscano, fazendo vida de piedade e assistência, tido em vida no aroma de santidade.
Faleceu a 14 de março de 1549, em Noto, perto de Siracusa. Há no Museu de Goiana
(Pernambuco) a imagem de um Santo Antônio Preto, exemplar magnífico que reproduzi no Cruzeiro,
de 16/06/1951, p. 78, Rio de Janeiro, conhecida por "Santo Antônio Gartaguinês
ou Catajerônimo" e ainda "Cantajarona", corrução de
Caltagirone, na Sicília, representando outro santo franciscano, falecido em 1515 e não
preto. Creio que não se trata do Santo Antônio Preto, de Noto, mas a devoção e carinho
dos escravos seriam ao verdadeiro Santo Antônio de Lisboa, com o pigmento escuro, que o
aproximava dos seus amigos escravos. Há no convento da Penha, no Recife, um Santo
Antônio barbado. Tratando-se de convento de capuchinhos, era natural que o vulto
estivesse dentro da regra. Oração de Santa Catarina (Pilar do Sul) |
Santo Antônio, que sois invocado como protetor dos namorados, olhai por mim nesta fase importante da minha existência, para que não se perturbe esse tempo bonito da minha vida com futilidades e sonhos sem consistência, mas o paroveite para um melhor e maior conhecimento daquele ser que Deus colocou ao meu lado e para que ele também melhor me conheça. Assim, juntos, preparemos o nosso futuro, onde nos aguarda uma família que, com voss aproteção, queremos cheia de amor, de felicidade, mas sobretudo de benção de Deus. Santo Antônio, abençoai este nosso namoro, para que transcorra no amor, na pureza, na compreensão, na sinceridade e na aprovação de Deus. A história do pão de Santo Antônio remonta a um fato
curioso que é assim narrado: Antônio comovia-se tanto com a pobreza que, certa vez,
distribuiu aos pobres todo o pão do convento em que vivia. O frade padeiro ficou em
apuros quando, na hora da refeição, percebeu que os frades não tinham o que comer: os
pães tinham sido "roubados". O frade padeiro foi contar ao santo o ocorrido.
Este mandou que verificasse melhor o lugar onde os tinha deixado. O Irmão padeiro voltou
estupefato e alegre: os cestos transbordavam de pão, tanto que foram distribuídos aos
frades e aos pobres do convento. O pãozinho de Santo Antônio é, por tradição,
colocado pelos fiéis nos sacos de farinha, com a fé de que, assim, nunca lhes faltará o
que comer.
Ai, ai, Santo Antônio tenha dó
O cancioneiro popular tem inúmeras quadras
dedicadas a Santo Antônio:
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| Namoro: Moça que derruba faca, corta o encontro com o namorado. Se uma moça costuma ficar com namorado à janela, "o rapaz não casará com ela". Namorados cruzando os dedos, quando estão de braços dados, é briga na certa. Não presta perder grampo; é perder o namorado. Quando um grampo estiver "cai-num-cai" do cabelo de uma moça, é porque estão lhe conquistando o namorado ou noivo. Se dois namorados tirarem retratos juntos, não se casarão. Quando o galo canta à noite, fora de hora, é porque a moça solteira está fugindo de casa. O namorado roubou-a. Não presta ganhar guarda-chuva de namorado; traz briga. Namorado que dá espelho e sabonete para a namorada não casará. Namorados não devem presentear-se com um lenço branco; não se casarão; é briga na certa. Namorados não devem presentear-se com um pente. Não se casarão; é certo de brigarem. Namorados não devem presentear-se com um anel de prata, não se casarão; é briga na certa. Noivado A noiva não deve fazer seu próprio vestido de noiva, pois será infeliz. Noivos que batizam uma criança, não se casarão. Não presta a noiva sonhar com o noivo; é sinal de rompimento de noivado. Moça solteira não deve ajudar vestir uma noiva, pois nunca se casará. Caso o noivo nunca acerte o casamento, esteja demorando muito a fazê-lo é freqüente a casa, dar-lhe café misturado com uma gota de menstruação; é casamento na certa. Dar a moça misturada na água de beber um pouco de água com a qual lavou as partes pudendas. É para "amarrar" o namorado. Casará na certa. A moça que se colocar diante do espelho ao terminar a aprontação de uma noiva, terá grande desgraça. Se um dos noivos der ao outro uma medalha de Santo Antônio, o casamento não se realizará nunca. As noivas devem evitar pentear-se com o espelho iluminado por uma vela, pois arrisca perder o noivo. Luz de lamparina não traz esse risco. A noiva deve levar em alguma peça do seu enxoval, bordada, uma espiga de trigo para ter felicidade e nunca faltar nada para o casal. A noiva, no dia do casamento, não deve trazer jóia alguma, pois atrai infelicidade. Maior ainda se a jóia for pérola. O noivo não deverá colocar a aliança até o fim do dedo de sua noiva, no altar, para evitar uma vida de brigas. |
Caso os
noivos, ao saírem da igreja, virem um enterro, nunca serão felizes. Se uma moça quiser de fato casar-se com um rapaz, quando ele for visitar sua família, deve coar o café na meia que estiver usando. É casamento na certa. Ferver Santo Antônio na água em que se vai fazer o café e dar para o namorado beber, é casamento na certa. Casamento. Chover no dia do casamento significa sorte para o novo casal. O solteiro, que comer na panela, terá chuva no dia do casamento. Moça solteira, que come e raspa a panela, chama chuva no dia do casamento. Para um casal ter sorte é preciso que se case numa quinta-feira ou sábado. Casar em ano bissexto dá azar. Ninguém deve casar na quaresma, será infeliz a vida toda. Outra versão: acontecerá um desastre a um dos cônjuges, antes do Natal. Dá sorte aos noivos, jogar arroz, quando eles saem da igreja. Uma noiva não deve usar crucifixo no dia do casamento, pois carregará uma cruz o resto da vida conjugal. Não presta dois irmãos casarem-se no mesmo dia; dividem a felicidade. Em festa de casamento é mau presságio apagarem-se as luzes. Cair o anel da noiva na hora do casamento, só na hora da solenidade. Na noite de casamento, aquele que apagar a luz, será o primeiro a morrer. A mulher que pular por cima do marido, quando se levanta da cama, acaba mandando no marido. Ele obedecerá "que nem" um cachorrinho. Moça que bebe água em concha (de cozinhar) ou vasilha de coco, casará com homem careca. Moça solteira não deve pôr o vestido de noiva; senão não se casará. Moça solteira que arrumar quarto de noiva, não se casará. Moça que se veste de Verônica, em procissão ou enterro, não se casará. Varrendo-se o pé de uma pessoa, tira-se também a possibilidade de ela se casar. Não presta passar por baixo do andaime ou escada, a pessoa nunca se casará, sendo solteira. Solteiro não deve sentar-se no canto da mesa; não se casará. Estando um animal preso, não se deve passar sob as rédeas, pois quem passar jamais se casará. Noiva que tira a aliança do dedo, tira também a sorte de casar; não realizará o casamento. Noiva não deve experimentar aliança de mulher casada, pois, não se casará. (ARAÚJO, Alceu Maynard. Folclore nacional) |
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