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| PANACÉIA - Nesta seção, textos sobre
plantas medicinais; rezas; benzeduras; simpatias; crenças; superstições; amuletos;
orações; devoções; magia e feitiçaria... |
Armação de cipó, toda enfestonada de fitas e plumas, que a gente do interior da
Amazônia carregava nas suas ladainhas e procissões pelas estradas. Segundo se acredita,
é uma sobrevivência dos truques usados pelos jesuitas para converter os silvícolas à
fé religiosa.
Adquiriu, porém, um cerimonial esquisito, que exige que seja o sairé conduzido da casa
da festa à capela por três velhas, com a condição obrigatória de uma delas ser
capenga. Esta é que deve empunhar o estandarte, ladeada pelas outras duas, que seguram as
fitas.
Atrás, vem a procissão, mulheres, homens, crianças, entoando cânticos, rezando
terços, cantando ladainhas. Em geral, essas procissões são formadas de pescadores e de
gente ribeirinha, que se juntam para a "solenidade". Já no trajeto, fiéis
imprimem ao cortejo o jogo do barco sobre as ondas, balançando-se no ritmo de quem está
sentindo a maresia.
Quando a procissão chega ao seu destino e o sairé é colocado com todas as honras no
santuário doméstico, rebentam as danças ao som do "pau e corda" que já está
à espera.
E a crendice cede lugar à folgança, para o qual o sairé parece ter sido simples
pretexto.
Em seus livros Cenas da vida amazônica e Histórias da Amazônia, José
Veríssimo, com certa acerimônia, e Peregrino Júnior, com muito pitoresco, evocam uma
dessas cerimônias, hoje quase abolidas em virtude das determinações do arcebispado.
(ORICO, Osvaldo. Vocabulário
de crendices Amazônicas. Companhia Editora Nacional, 1937) |
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