Ano V - julho  2003 - nº 59

Sua revista com a cara e a alma brasileiras


SUMÁRIO - EDIÇÃO 59
FESTANÇA
CANCIONEIRO
IMAGINÁRIO
OFICINA
PALHOÇA
COLHER DE PAU
PANACÉIA

setaquad.gif (95 bytes)Benzimentos, por Regina Lacerda.

setaquad.gif (95 bytes)Medicina folclórica no Piauí, por Noé Mendes Oliveira.

setaquad.gif (95 bytes) Das tradições da Amazônia: Sairé, por Osvaldo Orico.

CATAVENTO
ALMANAQUE
REALEJO
COLABORAÇÕES

 

 

PANACÉIA - Nesta seção, textos sobre plantas medicinais; rezas; benzeduras; simpatias; crenças; superstições; amuletos; orações; devoções; magia e feitiçaria...


SAIRÉ

Osvaldo Orico


Armação de cipó, toda enfestonada de fitas e plumas, que a gente do interior da Amazônia carregava nas suas ladainhas e procissões pelas estradas. Segundo se acredita, é uma sobrevivência dos truques usados pelos jesuitas para converter os silvícolas à fé religiosa.

Adquiriu, porém, um cerimonial esquisito, que exige que seja o sairé conduzido da casa da festa à capela por três velhas, com a condição obrigatória de uma delas ser capenga. Esta é que deve empunhar o estandarte, ladeada pelas outras duas, que seguram as fitas.

Atrás, vem a procissão, mulheres, homens, crianças, entoando cânticos, rezando terços, cantando ladainhas. Em geral, essas procissões são formadas de pescadores e de gente ribeirinha, que se juntam para a "solenidade". Já no trajeto, fiéis imprimem ao cortejo o jogo do barco sobre as ondas, balançando-se no ritmo de quem está sentindo a maresia.

Quando a procissão chega ao seu destino e o sairé é colocado com todas as honras no santuário doméstico, rebentam as danças ao som do "pau e corda" que já está à espera.

E a crendice cede lugar à folgança, para o qual o sairé parece ter sido simples pretexto.

Em seus livros Cenas da vida amazônica e Histórias da Amazônia, José Veríssimo, com certa acerimônia, e Peregrino Júnior, com muito pitoresco, evocam uma dessas cerimônias, hoje quase abolidas em virtude das determinações do arcebispado.

 

(ORICO, Osvaldo. Vocabulário de crendices Amazônicas. Companhia Editora Nacional, 1937)

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