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| OFICINA
- Nesta seção, textos sobre profissões; ferramentas; técnicas; agricultura, pecuária;
artesanato; vendedores ambulantes; pregões... |
AS "INDÚSTRIAS" DO INTERIOR |
Focalizando-se aspectos interessantes do folclore brasileiro é preciso destacar o
artesanato, que é a manufatura, ou seja, a arte de reproduzir com as mãos, sem a
intervenção da máquina. Enquanto a eletricidade e a máquina não invadem o sertão
brasileiro, o artesanato vai operando verdadeiros milagres. E o trabalho manual cria
verdadeiras revelações: o artífice, nos vários setores da inteligência.
Uma indústria muito interessante e vendável é a cerâmica: moringas, talhas, potes,
vasos, bilhas, panelas e alguidares. Porém há uma que está assumindo aspecto de artes
plásticas roceiras. Trata-se da fabricação manual de bonecos, revelando tradições da
arte figurativa e decorativa popular.
Estes bonecos eram vendidos, antigamente, nas feiras do Norte e Nordeste a preços baixos.
Hoje, entretanto, passaram a figurar nas vitrinas de arte e a merecer considerações como
valores plásticos densos de sugestões estéticas. O pernambucano Vitalino Pereira dos
Santos se notabilizou nessa modalidade artística. Famoso no Brasil e no estrangeiro, com
bonecos e grupos de figuras incorporadas, fez obras de várias temáticas; carros de bois,
famílias retirantes, cangaceiros, noivas, animais, soldados, tipos do sertão etc.
E MAIS "INDÚSTRIAS"
A rendeira do norte fabrica rendas que são vendidas até no estrangeiro. A renda é um
orgulho do trabalho manual e do artesanato nacional. Para a fabricação de rendas, ocupam
apenas os seguintes utensílios: almofadas, bilros e alfinetes para a marcação de
pontos. As rendeiras trabalham, em geral, assentadas ao chão e há algumas que ficam
ricas fazendo este tipo de trabalho.
Segundo o folclorista Hernani de Carvalho, a indústria manual de esteira também é muito
vendável. Ela é feita de folha ensiforme de um vegetal que se desenvolve nos brejos,
chamado taboa. O sertanejo pária não conhece a cama para dormir. Dorme mesmo na esteira
estendida no chão ou sobre a tarimba, que são quatro paus fincados no chão e
atravessados por varas; em cima dessa base coloca-se a esteira e o pobre ali dorme.
FABRICAÇÃO DE RAPADURA
Outra indústria do artesanato brasileiro é a fabricação da rapadura e do melado. A
rapadura é o açúcar do pobre, feito do caldo-de-cana nos "engenhos" das
pequenas propriedades rurais. Os "engenhos" funcionam em uma cobertura de
telhas-de-canal e sem paredes laterais. No seu interior instala-se a moenda destinada a
moer as canas. Uma junta de bois movimenta a moenda morosamente em círculo. O
caldo-de-cana ou garapa é encaminhado aos tachos que se acham em cima da fornalha.
Toca-se o fogo; a garapa ferve e transforma-se em uma massa morena que é retirada dos
tachos e colocadas em formas. Espera-se então, que esfrie e endureça para retirá-las
das fôrmas
JANGADAS E CANOAS
Lembra ainda Hernani de Carvalho que, nos lugares do litoral do norte, há verdadeiros
"estaleiros" onde existe a manufatura das jangadas e canoas. As jangadas são
pequenas embarcações audaciosas, construídas com 5 troncos de piúva ou jangadeiros,
como flutuante. Esse conjunto, ligado por cincos pedaços transversais da mesma madeira é
denominado lastro, mede geralmente 7 metros de comprimento por 2 de largura. Perto da proa
fica o mastro, no qual se suspende uma vela de algodão, um banco para assentar, um pote
para água doce, instrumentos de pescaria, farnel, leme, a tripulação corajosa e
audaciosa...
E TEM MAIS
No interior é também comum a indústria do amendoim, que é vendido em pacotinhos. À
noite saem garotos anunciando o produto:
Olha o amendoim torrado!
Torradinho... inho... inho!
Com amendoim torrado
Não haverá mais velho... lho... lho...
Outra indústria doméstica muito interessante é a fabricação de gaiolas para
passarinhos. A matéria prima é um vegetal denominado vara-de-ubá, muito leve e macia
para o arcabouço das gaiolas. As varetas são de taquara e bambu.
Uma atividade rural diz Hernani de Carvalho é a do sapateiro ou bate-sola,
que só conserta sapatos: remenda, coloca meia-sola etc. É um artífice moderno, que vive
de seu ofício pouco rendoso.
No interior do Brasil prossegue ele verifica-se a falta de
colocação para o elemento feminino. As moças e senhoras reagem instituindo trabalhos
domésticos vendáveis: o crochê, o tricô, os bordados à mão.(Correio popular, São Paulo, 16 de janeiro de
1971) |
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