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Julho 2002
Ano IV - nº 47

BARBAS

Ao fim da monarquia toda gente usara barba. Barba toda, como o imperador; a do marechal Deodoro, era "effarouchée" repartida no queixo, esparsa para os dois lados. A "suíça" era mantida dos dois lados do rosto, ficando raspado o queixo. Era o caso do doutor Clementino de Castro ou de Francisco José, imperador da Áustria.

Ou barba "andó", aparada curta nas faces e se alongava para o queixo; assim usaram desde mocinhos o doutor Washington Luís e o doutor Arnaldo Vieira de Carvalho.

Ou "cavaignac", em que se raspavam inteiramente as faces e deixava-se crescida ao natural no queixo; conforme a implantação dos fios, tomava, às vezes, a forma de um leque semi-assírio. Assim usava o comendador Cardia.

Havia a barba nazarena usada pelo doutor Bittencourt Rodrigues: era como a barba "toda", mas aparada aos lados da face, e descendo de modo a encobrir o afinamento do queixo; descia, pois, em linhas paralelas e em baixo era aparada perpendicularmente.

A "pera" era uma barba só no centro do queixo e descia alongada, raspadas as faces e os lados do queixo (ver retratos de Napoleão III).

A "mosca" era a pequena barba abaixo do lábio inferior, aparada, sendo raspados o queixo e as faces. (ver retratos de Floriano Peixoto).

Havia as costeletas que desciam estreitas, ao lado de cada orelha, até o meio da face. Assim usava o doutor Vilaboim.

Quanto a bigodes, toda gente os tinha crescidos e puxados com a mão, para os lados. Isto até o fim do século passado.

Veio também o uso dos bigodes enrolados em argola (1895).

Em seguida, os bigodes em ponta para os lados (1900). As pontas eram afinadas com "cosméticos".

Quando o kaiser Guilherme II pôs em uso os bigodes armados, a moda generalizou-se no Brasil.

Além do "cosmético", para afinar as pontas, punha-se sobre o bigode uma redinha apertada por dois fios de elástico que se ligavam no meio. Fixava-se então, com jeito, na posição desejada, até que secasse e endurecesse o cosmético. Muitos italianos usaram bigodes engrossados por uma quantidade de barba deixada nas faces, e eriçada, à moda do Rei Humberto I.

Só por 1908 é que começaram a usar bigodes raspados. Antes, só os atores.


(Americano, Jorge. São Paulo naquele tempo, p.291-293)

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