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Julho 2002
Ano IV - nº 47

PRENSA DE FARINHA

Para tirar a água venenosa (ácido cianídrico) da mandioca em uma das etapas da fabricação da farinha, o farinheiro usa o processo de prensagem, através de um engenho feito artesanalmente, todo de madeira-de-lei - urucurana ou caviúna. É a prensa uma das peças que compõem a casa-de-farinha. A construção da prensa exige muitos cuidados e habilidade do artesão. Assim, a madeira só deve ser cortada na lua fraca - minguante - pois nesta época a terra puxa a água da madeira; na lua forte - cheia - ela contém muita água e broca, fendendo-se facilmente. Deve-se cortá-la também durante os meses frios, isto é, em maio, junho, julho e parte de agosto, período em que se costuma deixá-la secar, antes de se começar a fazer a prensa.

Quando a madeira está seca, o artesão faz primeiro o desbaste, isto é, tira a parte bruta. Feito isto, começa a confecção das peças utilizando- se do serrote, enxó, formão, plaina, metro e lápis. A prensa é composta de duas vigas verticais laterais, que se encaixam, perpendicularmente, em dois suportes que se fixam no chão, e uma viga horizontal superior. Nesta viga horizontal será cavada a rosca por onde rodará o fuso, peça única, sem emendas, rosqueada a mão e que termina em extremidade com formato de quadrado. Nesta extremidade não rosqueada há um furo de cada lado, onde se encaixará o eixo que fará girar o fuso no momento da prensagem. Para a construção do fuso usa-se madeira resistente - jacarandá ou ipê-tabaco. Começa-se a construção pela parte rosqueada do fuso, cortando-se a madeira em quatro faces e depois em oito. Com lápis, diretamente na madeira, ou moldes de cartolina são demarcadas as roscas que serão feitas com formão. Quando o fuso se move para espremer a mandioca que se encontra dentro do tipiti, ele caminha em direção a uma peça de forma redonda e achatada nas superfícies, que fica encaixada na parte inferior da prensa. A função desta peça é oferecer maior resistência e peso na operação de prensagem.

As peças da prensa recebem nomes diferentes, em alguns municípios do estado do Rio de Janeiro. Em Saquarema, as peças verticais são chamadas de fusos, esteios; a peça plana inferior, chama-se dormente; a peça sobre a qual incide o fuso é o trincho e a rosca onde gira o fuso, porca. Em Parati, as vigas laterais são conhecidas como fusos, virgens; a parte plana inferior da prensa, é a mesa; o bloco onde se apóia o tipiti e para onde se dirige o fuso é o queijo e a rosca onde o fuso se encaixa, é chamada conja.


(Folclore fluminense, p.202-203)

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