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Julho 2001
Ano III - nº 35

VERSINHOS QUE SABEM HISTÓRIA

Os versos populares escrevem também a história de uma cidade. Não somente a história política, mas a social. Recolhê-los, quando não descobri-los, por escondidos em publicações esquecidas, é reconstituir colorida e saborosamente o passado, quer nas linhas mestras, quer nos pormenores, nos seus diz-que-diz, nas suas malícias, num quotidiano característico.

É farta a contribuição da musa do povo. Uma folha diária, um almanaque, um livro de sortes, um hebdomadário ilustrado - todas essas fontes se oferecem dadivosas aos que em sua busca andam ávidos de um flagrante antigo. Lemo-los com a curiosidade de quem almeja penetrar as épocas transatas e interpretar-lhes o cenário, o ambiente, a vibração, conhecendo-lhes os fatos do dia, os comentários, as críticas.

Já Pereira da Costa agasalha, no seu excelente Folclore pernambucano, versos populares em torno da inauguração da primeira ponte do Recife, aquele notável acontecimento do século XVII, vendo-se um boi voar e atravessando-se pé enxuto o Capibaribe, embora pagando o pedágio:

Foi um dia de encantos,
De graças, recreio
Para o Conde que o bolso
De florins viu cheio.

E, depois, os vates não pouparam os homens públicos da época - o Mendonça Furtado, o José César de Meneses, o ouvidor Bacalhau - sem esquecer o bandido Cabeleira:

Fecha a porta, gente,
Cabeleira aí vem
Matando mulheres,
Crianças também.

Dom Tomás de Melo, governador, teve seu quinhão de ironias, principalmente no tocante aos seus amores por dona Brites:

Dom Tomás quando se foi
Deixou muito cabedá
Pra dotar a dona Brites
Quando ela se casá.

Esses pedacinhos de sátiras propriamente históricas, citadas de Pereira da Costa, mostram quanto a verve dos poetas populares se adestrava para as manifestações de tempos posteriores, mormente no decorrer do século XIX, em que a cidade iria alcançar grande desenvolvimento e assistir a profundas transformações. A navegação a vapor facilitara o enxame de visitantes estrangeiros, o estabelecimento de um comércio parisiense, as ousadias de uma sociabilidade menos roceira. Realizavam-se saraus a que se comparecia trajando casaca e vestidos de gala trabalhados por artistas franceses, dançavam-se as quadrilhas e beijavam-se as mãos das damas, usavam-se os carnets:

Há sujeitos tão devotos
Que trazem nas carteirinhas
Para se não esquecerem
Os nomes das sinhazinhas.

E quanto à moda dos galicismos, dizia-se rimadamente:

Ora, eu falo do francês
Que todos querem versar
Quando nem mesmo falar
Sabem o seu português.

Como se vê, essa crítica seria oportuna ainda, inteirinha, nos tempos atuais, substituindo-se apenas o francês pelo inglês...

As preferências iam, como é de supor, para tudo quanto trouxesse rótulo de fora. Da terra, nada servia. A polícia proibia os pastoris e aplaudia o cancã. Quer o artigo de comércio, quer os artistas de vários moldes. Sem dúvida, esse clima estrangeirista, também não raro nos dias de hoje, deu margem aos seguintes versinhos:

Mademoiselle Camille
Na cidade de Paris
Quando lava roupa suja
Tem- se em conta de feliz.
Mas, depois vem ao Recife,
Faz coisas que não se diz,
Pois metida no teatro
Tem-se em conta de atriz.

Enquanto tais modismos se verificam, a política ferve e apresenta motivos de glosas pitorescas. Os partidos degladiam-se. Um sobe, outro desce, e se existem fiéis votados até ao sacrifício, outros se mostram com raízes de convicção menos profundas:

Nada, nada, minha gente,
Tem razão o vencedor;
Viva o partido que vence,
Hoje eu sou conservador.

Os conservadores haviam subido entre passeatas e vivas. E discursos, em que já achavam o governo imperial uma perfeição política, ao invés de um trono carcomido...

No comércio, também, as sátiras não davam tréguas. Máxima quando as movia uma competência arrepiada ou um fracasso de negócios. Daí a mordacidade:

No embarque do açúcar
Lá da casa do Amorim
Vai em cima o bom açúcar
E em baixo só o ruim.

E que dizer dos velhos aspectos da cidade? O rio tentava a um banho. Tão mansas as águas e tão frescas nos dias de calor de março! Muitos não resistiam. Atiravam-se ao Capibaribe e nadavam à vontade. Mas a crítica moralista se pronunciava:

Qualquer súcio, novo ou velho,
À luz do sol ou da lua,

No cais chamado do Apoio
Vai lavar a pele sua.

Não clamo porque se lave
Todo e qualquer maganão,
Mas, é que essa brava gente
Banha-se em trajo de Adão.

Os melhoramentos da cidade, todos eles, tiveram seus cantores. A nova iluminação a gás carbônico, por exemplo, com poucos meses de inaugurada e gabada, já fazia jus a esta quadrinha:

Depois de ver tudo isto
Vi aceso o gás amigo,
É tal qual azeite antigo,
Por isto canta a menina:
"O gás virou lamparina."

Alude-se claramente a uma canção em voga, em que o novo sistema de iluminação pública já padecia remoques e censuras.

Não menos do que o gás, os transportes urbanos modernos deixaram de provocar comentários. Assim, o trenzinho que ligava o centro da cidade aos arrabaldes mais distantes, vulgarmente conhecido por "maxambomba", entrava em uma variedade de poesias populares desse tempo. A propósito de penteados femininos havia estes versos:

Não gracejo, falo sério,
Teu penteado de arromba
Não tem que ver, Micaela
O cano da maxambomba.

Em 1874, a 1º de janeiro inaugura-se o telégrafo submarino entre a corte e Pernambuco e a 23 de junho entre o Recife e a Europa. Festas, regozijo, telegramas de dom Pedro II e nos jornais da terra. Pois não tardaram estes versos irônicos:

Os telégrafos ingleses
São boas teias de aranha,
Onde o cobre dos fregueses
Como mosquitos se apanha.

E os bondes? Os bondes a burros, inovação que dera lugar a um rosário de elogios e de satisfação! Não mais as diligências, nem as cadeirinhas, nem as redes ou canoas? Agora, sim, transporte regular, freqüente, rápido. Passear no bonde, que delícia! Os ônibus do Cláudio, para Apipucos e Caxangá, tinham suspendido as viagens à falta de fregueses. Contudo, não tardara esta queixa:

As goteiras são tantas e tão grossas
Que parece correr a água a potes,
E aos pobres passageiros encharcados
Não valem nem chapéus e nem capotes.

O sistema de retirada do lixo dos domicílios em carroças, pretextara reclamação contra os vasilhames postos às portas das casas:

De sorte que ninguém pode
Passar pela rua tal
Sem dar com a inimitável
Limpeza municipal.

Não admira tal crítica, porque, ao se estabelecer o serviço de esgotos, em substituição aos famosos e repugnantes "tigres" de então, houve quem publicasse estes versos que falam por si:

As casas hoje se ajuntam
Em fera sociedade
Para combater o cambrone
Que brutalmente as invade.

"Cambrone" ficaram sendo chamados os aparelhos sanitários, por uma ironia ao nome do gerente da empresa.

A instrução teve seu bocado. As escolas aumentavam de número, não somente as do governo, mas também as particulares. Os métodos pedagógicos ainda consentiam a palmatória e a orelha de burro. E, então, rimava-se:

Qualquer bichano careta
Abre hoje a sua escola
E de palmatória em punho
Nos alunos bate sola.

Ou esta sorte:

Dizes asneiras em penca
E mal o teu nome assinas
Estás no caso de ser
Professora de meninas.

Cena de rua: o bispo passa; todos correm a vê-lo no carro a abençoar o povo; uns se ajoelham, todos se descobrem:

Nisto vem o senhor bispo
Lá vai repique geral;
O garrita dá sinal,
O meão faz din-din-dão,
O grande bate também.

Estes versos têm um sentido evidente de combate aos excessos de ruídos da cidade de outrora. E os sinos eram. responsáveis, nesse tempo, por grande parte de tais excessos.

A água encanada, outra maravilha de começo do século passado, mereceu o seu "poemazinho":

Corri ruas, pátios, becos,
Visitei lojas, boticas,
E fui ver até as bicas
Ou caixa d’água do Prata
Que da gente a sede mata.

Quando se tornaram comuns, com a facilidade de transportes, as moradias nos arrabaldes, no "mato", todos os sonhos eram obter ali um chalé entre árvores de sombras e de grutas, com criações fartas, bom banho de rio perto, festejos de Natal próximos, sossego, frescura e saúde. Que bom!

Morar fora da cidade,
Carro ter mui bem montado,
Assim como bem fardados
Criados de casacões,
De luvas, cintos, calções.
Casa sempre ter de amigos
Cheia todo o santo dia,
Piano com melodia
Tocar a sinhá dengosa
Que se assusta por nervosa.

E seguia-se como um pequeno quadro da vida encantadora nesses recantos rústicos:

Depois de jantar à grande
No jardim ir descansar,
Chá, café ir lá tomar
De balanço nas cadeiras,
Debaixo de trepadeiras
Tendo à frente chafariz
Correndo perenemente
Onde se vê permanente
Figura marmorizada
De ninfa sempre molhada.

Quem não está vendo os nossos antigos solares suburbanos, alguns dos quais ainda hoje conservam esses aspectos, lá pelas bandas do Poço, do Caldeireiro de Apipucos? O arvoredo, os tanques de azulejos, os caramanchões, as estátuas de louça, os terraços de pedra de lioz, os sótãos de balcões envidraçados... Falta apenas a gente de outrora para apreciar esse cenário realmente sedutor. Os moradores de agora estão no cinema, suportando o calor e o aperto, para admirar.... os quadros da vida norte-americana...

Um hotel oferecia-se em versos:

Barato, sim; fiado, não;
No hotel podem entrar,
Pois quem tiver dois cruzados
Aqui pode almoçar.

E quando bater 3 horas
Venham aqui bem jantar,
Mas tragam 1$500,
Pois mal não hão de passar.

Outra cousa, meus senhores,
Eu vos quero é avisar:
Que tragam dinheiro miúdo,
Pois não tenho pra trocar.

Anúncio completo. Sinceridade em declarar que faz preços razoáveis, sem admitir calotes. Diz-se o custo das refeições e a hora em que são servidas. E, por fim, consolamo-nos em saber que já nossos avós se viam aperreados com a falta de moeda divisionária...

E os médicos... seria crível que eles escapassem à sátira dos antigos?

Com seringa de Pravaz
Dando injeções de morfina,
Matarás a humanidade
Em nome da medicina.

Também as eternas guerras européias despertavam nossos entusiasmos e nossas antipatias. Hajam vista estes versos de 1870, eternamente verdadeiros:

Foi a França, ela só, que, erguendo a voz,
Dos tiranos dobrou negra cerviz;
Se o mundo é liberal, no grande espaço,
Não se deve a Berlim, mas a Paris.

As cheias que quase todos os anos e impetuosamente investem do interior contra o Recife, flagelando arrabaldes, derrubando mocambos, paralisando o tráfego, ameaçando as pontes e enfeitando de baronesas o rio, também tiveram os seus poetas. Uns para ironizar a abundância das chuvas, que no ano de 1895 caíram com tal impetuosidade e duração que a procissão dos Passos foi transferida por quatro vezes na sua saida da Igreja do Carmo e acabou se realizando sem aviso prévio na primeira tarde em que houve uma estiada. Outros para sugerir medidas de engenharia capazes de evitar essas inundações periódicas:

Aterros e mais aterros
Pelos rios e marés,
Lojas, vendas e cafés
Onde só era alagado.
Eis o caldo transtornado...

Deve haver estudo sério,
Camboas, barcas, canais,
Para as águas pluviais,
Devem nossos engenheiros
Abrir com bons empreiteiros.

Se não lá um belo dia
Adeus, risonho Recife!
Pega-te a água em cafife,
Que se do mal escapares
Sofrerás muitos azares.

Como se vê, atribuíam-se as cheias aos grandes aterros que se haviam realizado e temia-se o desaparecimento do Recife por um assalto decisivo das águas. O engraçado é que neste 1944, em face de um inverno rigorosíssimo, com enchentes devastadoras, renasceu a crítica aos atuais aterros e o medo do "dilúvio"...

Nada fugia à crítica dos versejadores. Aí por 1870, teceu-se muito humorismo em torno das parteiras francesas, tão em moda:

Hoje tudo tem mudado
Té na classe das parteiras,
Hoje temos estrangeiras
Que se umbigos cortam bem,
Cortam a língua também.

No meu tempo, oh! belo tempo!
Era Joaquina Tarracha
Que comendo uma bolacha
Dava conta da empresa
Com asseio, com limpeza.

E depois que dava conta
Da tarefa trabalhosa
Ia logo pressurosa
Dizer ao pai da criança:
Olhe! É sua semelhança!

A propósito do costume de dar cafunés, prazer a que tanta gente se submetia com delícia, corria esta quadrinha expressiva:

Dá-me, dá-me, Iaiazinha!
Nada além juro querer:
Cafunés depois do chá
Para ledo adormecer...

Na musa popular de outrora, a mulher se faz sentir a cada passo. Pudera não! Sobretudo na crítica às modas, os poetas tomam a gentil criatura para tema:

Seu vestido não tem cauda,
Tem tamanho regular!
Para quê essa bobogem
De querê-la arregaçar?

Aqui, descrevem-se trajos da moda:

Manguitos de puro linho,
Dominós bem enfeitados,
Chapelinhos desabados,
Leques de sândalo fino,
Balões de boca de sino.

E a propósito dos requintes femininos no preparar a toillette:

Nisto leva duas horas:
Prega, cose, bota, tira,
No espelho onde se mira,
Cabeções, cintos, anquinhas
Desta que tem camarinhas.

Já as mulheres começavam a encher as ruas, fugindo à clausura dos balcões de xadrez. Faziam compras, passeavam de sege, tocavam piano, iam à bailes, viam o cosmorama, tomavam até sorvetes, embora em sala discreta, somente para as famílias. A propósito de tais usos manifestavam-se os moralistas:

Muita moça sai à rua
Somente pra se mostrar
e vai toda enfeitadinha
Como se fosse casar.

E outro, mais pérfido e injusto:

As moças do tempo de hoje
Não vestem sinão filó:
Por cima muita farofa,
Por baixo... canela só.

Este vate queria talvez que, para dar-lhe uma prova em contrário, a moça visada ao tomar o carro ou bonde erguesse um pouco mais a roçagante sala e lhe confiasse a vista do começo da sua perna bem feita... Mas, que esperança! Se o quisesse... fosse viver no meado do século XX.

A mordacidade com as mulheres, entretanto, não esmorecia. Ao contrário. Tomava por vezes um azedume de namorado que levara taboca. O que escreveu esta quadra revela-se um despeitado:

As mulheres quando se ajuntam
Para falar da vida alheia
Começam na lua nova
Acabam na lua cheia.

Outro compôs esta oração para uma boca feminina:

Tenho pecado, Senhor,
Porque vivo a namorar,
Porém, deveis atender
Que preciso me casar!

As épocas passam. Não pára a musa popular nas suas ironias, chacotas e maldades. Já pelos nossos dias os versos daquele gênero esfuziam com mais ou menos espírito e pimenta.

Quando se deu o falecimento do nosso eminente barão do Rio Branco, às vésperas do carnaval, no Recife esses dias de folguedo sofreram muito na sua animação. Embora não se houvesse proibido o carnaval, ele decorreu incontestavelmente frio. Por isso aventou-se a idéia de outro reinado de Momo, após a Quaresma. E assim se deu: o domingo, a segunda-feira e a terça que se seguiram ao sábado de Aleluia tiveram honras carnavalescas. Um vate satírico espalhou esta quadrinha, cantada com a música do Iaiá, me deixa subir esta ladeira:

Este ano houve
Aqui por exceção
Dois carnavais
Pela morte do barão.

Na mesma época, entre nós, criara-se o serviço de combate aos mosquitos, com as visitas domiciliárias dos guardas sanitários e a destruição de focos. A medida higiênica inspirou um poeta para se vingar de um piano da vizinhança que o incomodava noite e dia:

Este piano, quando toca,
Meu Deus! coisa extraordinária
Espanta até os mosquitos
Da Polícia Sanitária...

Quando se exibiram no Recife os balões dos aeronautas Ferramenta e Zé da Luz, versos glosaram o acontecimento.

No dia da subida do Nacional cantou-se pelas ruas:

O pau rolou,
Caiu,
O Ferramenta
Já subiu.

E ao se saber que Zé da Luz partira uma perna numa queda, após ter obtido uma patente de oficial da Guarda Nacional, também foi cantada esta quadra:

Zé da Luz era tenente,
Mas passou a capitão
E quebrou a sua perna
Na descida do balão.

A campanha dantista de 1911 foi de uma notável fertilidade da musa popular. Hinos, sonetos, sátiras não faltaram. Entre os inúmeros versos aparecidos na época, releve citar estes, que bem demonstram o entusiasmo partidário reinante e foram escritos após a eleição:

Vencemos em toda a linha:
As adesões já são tantas
Que o Rosa só tem Rosinha•
O resto é todo do Dantas.

A mania de colecionar postais, no princípio deste século, sugeriu esta piada:

Não se fizeram pra isto
Estes bilhetes postais:
Para trazer em apuros
As algibeiras dos pais.

Outra mania era a dos pianos, e a propósito O Carapuceiro aconselhava:

Não reprovo a vossa filha
Que aprenda algum instrumento.
Honesto divertimento
São o toque e a cantoria
E que muito se aprecia.

Mas, vêde a quem confiais
De ensinar, a alta função;
Tem-se visto maganão
Que enquanto o solfejo ensina
Vai fugindo com a menina.

Esses conselhos do jornalzinho do Padre Gama abrangiam outros setores da moral prática. O dos indumentos, por exemplo:

Se vossa filha ou esposa
Já com seis varas de cassa
Para vestido bem passa,
Por cumprir com a modernice
Dar-lhe mais é patetice.

Não seria justo, nem imparcial, omitir, neste passeio pela cidade antiga, através da musa do povo, as críticas provocadas pelos homens de letras ou que a tal se pretendam, Vejamos estes versos:

A república das letras
Isso é cousa de espantar!
É uma república mesmo
É um comércio sem par
Como nem o de Paris.
A palavra, a todos cabe,
Mas se um diz o que sabe
Outro não sabe o que diz.
Cada qual é um literato,
Cada qual é um escritor,
Cada qual é um poeta,
Cada qual é um orador.
E com jus se crê das suas
Vãs pomadas impingir.

Estavam na moda as pomadas - as perfumadas e as de tingir. Cabeleiras de jovens e de velhos não prescindiam delas. Tal a voga das pomadas, que a palavra tomou um outro sentido: o de engodo, embuste, diríamos hoje "fita".

E cantava-se:

Pomada, pomada
Pomada de primor,
É com ela que se vence
Nos negócios e no amor...


(SETTE, Mário. Arruar)

 

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